O Governo está a avaliar a possibilidade de antecipar o pagamento de ajudas aos agricultores, nomeadamente, nos setores mais afetados pela pandemia de covid-19, ressalvando que se depara com uma exigência orçamental elevada.

“Nós estamos expectantes daquilo que ainda é possível negociar com a Comissão Europeia, mas estamos também a fazer o nosso trabalho de casa para perceber, nomeadamente, nos setores mais afetados, se conseguimos antecipar alguns destes pagamentos, por exemplo, para a pequena agricultura, pequenos ruminantes e para o setor das flores. Estamos a estudar essa possibilidade”, avançou a ministra da Agricultura numa entrevista conjunta à Antena 1 e ao Jornal de Negócios.

No entanto, Maria do Céu Albuquerque ressalvou que, neste momento, o Governo depara-se com uma exigência orçamental “brutal”, com alguns setores, como a Cultura, “completamente parados”.

De acordo com a governante, até agora, Bruxelas disse que os pagamentos poderiam ocorrer em 16 de outubro, tendo aumentado a percentagem de adiantamento no primeiro pilar da Política Agrícola Comum (PAC), referente aos pagamentos diretos aos agricultores, para 70%, e no segundo pilar (desenvolvimento rural) para 85%.

Estas alterações ficaram abaixo do que tinha sido solicitado pelo Governo português, ou seja, adiantamentos de 85% nos dois pilares.

A líder do Ministério da Agricultura voltou ainda a sublinhar que, apesar de o pacote de medidas avançado pela Comissão Europeia para travar o impacto da pandemia no setor ser “positivo”, não é suficiente.

“Continuamos a trabalhar técnico e politicamente para ir ao encontro dos setores mais afetados pela diminuição da procura, mas também para ajudar aqueles setores que têm uma maior capacidade de resposta imediata para fazer face à produção para consumo interno, como também para podermos retomar as nossas exportações”, afirmou.

Durante a entrevista, Maria do Céu Albuquerque enalteceu também o trabalho dos agricultores portugueses, notando que o setor conseguiu responder à crise criada pelo novo coronavírus, disponibilizando comida em quantidade, qualidade e com segurança, que é reconhecida internacionalmente.

“No início da crise, fomos contactados por alguns países nórdicos a perguntar se continuávamos a ter condições para colocar os nossos frescos nos seus mercados. Continuámos a fazê-lo até com prejuízo porque, muitas vezes, […] os camiões iam cheios e voltavam vazios para baixo [Portugal], com custos acrescidos”, concluiu.