Isabel II está em Windsor, isolada do mundo, há quase dois meses. Foi lá que celebrou a Páscoa e o próprio aniversário, mas também que se dirigiu à nação já por duas vezes, com mensagens filmadas. Sem receber visitas, apenas na companhia do marido e de alguns funcionários do castelo, a monarca de 94 anos deverá manter-se em isolamento durante os próximos meses, segundo confirmam porta-vozes da casa real a várias publicações britânicas. Já Andrew Morton, conhecido biógrafo real, prevê um cenário ainda mais rigoroso. Segundo Morton, é mais fácil continuarmos a ver sua majestade através de vídeos do que imaginar um cenário de regresso ao ativo, admitindo até que possamos não voltar a ver a soberana em público. Pelo menos até à descoberta de uma vacina, algo que pode implicar meses, se não mesmo anos.

A comunicação oficial deverá chegar em breve, mas já alguns meios asseguram que a rainha permanecerá em Windsor por tempo indeterminado. “A rainha continua a estar ocupada e seguirá os procedimentos adequados em todos os seus compromissos”, lê-se na Harpers Bazaar, que cita uma fonte do Palácio de Buckingham, que pela primeira vez em 27 anos deverá fechar as suas portas aos habituais visitantes que aqui acorrem na temporada estival.

Com a agenda de compromissos presenciais totalmente suspensa, tudo leva a crer que Isabel II continua a garantir alguns dos seus afazeres de forma remota, na companhia de uma equipa e também do príncipe Philip, que celebra 99 anos no próximo mês.

O isolamento social, como forma de proteger o casal do novo coronavírus, uma vez que se encontram ambos num grupo de risco, impedirá também que se desloquem a Balmoral. A propriedade da família na Escócia é habitualmente um destino certo para Isabel II, durante o verão.

Desde que se encontra em Windsor, a monarca já se dirigiu à nação duas vezes — a primeira no início de abril, com uma mensagem de encorajamento a todos os britânicos, em pleno escalar da pandemia, e a segunda na última semana, por ocasião dos 75 anos do fim da Segunda Guerra Mundial. Para que tais emissões fossem possíveis, apenas um operador de câmara da BBC entrou na residência real, com todo o equipamento necessário à transmissão, mas também ao cumprimento das medidas de higiene e segurança requeridas em contexto de surto de Covid-19. Ainda assim, o dito operador terá dirigido as gravações a partir de uma sala contígua àquela onde se encontrava Isabel II.

Sob o holofote estão, por estes dias, William e Kate, encarregues de cumprir à distância os principais compromissos da família real britânica, a partir da sua residência em Norfolk. Na semana passada, a duquesa de Cambridge anunciou o lançamento de um concurso de fotografia, em colaboração com a National Portrait Gallery. Ainda no final de abril, o filho mais novo do casal, Louis, apareceu nas redes sociais com mãos tingidas com as cores do arco-íris, símbolo universal de esperança durante a pandemia.

Também Eduardo, o filho mais novo da rainha surgiu com a família a aplaudir os profissionais do serviço nacional de saúde britânico. Depois de cumprirem a quarentena, Carlos e Camilla continuam isolados na casa de campo que têm na Escócia.