A consultora portuguesa Beta-i anunciou quatro novos projetos para diferentes setores de startups afetados pela pandemia. Como conta ao Observador Ricardo Marvão, cofundador da Beta-i e um dos responsáveis por estes novos programas, todas estas iniciativas têm como foco arranjar às startups aquilo que mais precisam: “Clientes”.

As startups não podem viver mais de investimentos e prémios, têm de apresentar soluções ao mercado. Se o cliente validar esse produto, isso é uma validação enorme”

O primeiro destes quatros programas chama-se SOL Tomorrow e é a continuação do Smart Open Lisboa (que perfaz as siglas SOL). De acordo com a Beta-i, este projeto tem como objetivo “dar uma resposta imediata aos desafios mais urgentes das cidades durante o pós-pandemia” e é feito com a parceria da Câmara Municipal de Lisboa. Ao longo de três meses, a consultora vai trabalhar com as “melhores startups” que escolher tendo por base soluções que estas teham para melhorar o dia-a-dia das cidades.

Numa cidade onde voltarão a circular milhões de pessoas por dia, o SOL Tomorrow quer apoiar startups que possuam soluções de implementação praticamente imediatas em temas como a saúde mental, a capacitação para o emprego e o isolamento social”

Além desta iniciativa, a Beta-i anunciou também o Programa Alimentação e Transformação Agrícola. “Este programa é um bocadinho diferente e nós, há cerca de dois meses, começámos a trabalhar num novo produto que pede-nos soluções mais ágeis”, explica Ricardo Marvão. O objetivo é escolher três startups nestas área (alimentação e transformação agrícola) e, durante oito semanas, pô-las a trabalhar com uma empresa do setor para encontrar uma “inovação” que esta procure.

Como explica o responsável da Beta-i, neste programa, o principal objetivo é fazer a ligação entre startups e empresas. “A maior parte das empresas não está disposta a grandes investimento neste dias, estão dispostas a encontrar soluções que os ajudem nesta fase“, clarifica.

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Outro programa anunciado é o Programa de Economia Circular. “É programa típico de inovação aberta de nove meses focado em encontrar soluções para economia circular [projetos com ciclos sustentáveis ambientalmente]”, diz Ricardo Marvão. Ao todo, a Beta-i quer encontrar 25 startups em todo o mundo que possam ter este tipo de soluções. No final, depois de toda a triagem para chegar à ligação certa, o objetivo “é que se assinem contratos”.

Por fim, um projeto focado num dos setores mais afetados pela pandemia da Covid-19, o Programa Turismo. A Beta-i, em parceria com o Turismo de Portugal, vai disponibilizar um trabalho de consultoria feito em conjunto com as entidades envolvidas. Ou seja, é um projeto mais dedicado à inovação nos negócios.

Todos estes projetos estão preparados para ter momentos presenciais, conta Ricardo Marvão. Contudo, e no contexto da pandemia, a Beta-i afirma estar preparada para desenvolver tudo remotamente.

Uma aceleradora que passou a consultora

Com 10 anos de existência e nascida em pleno clima de recessão económica (entre 2009 e 2010), a Beta-i mudou recentemente a imagem e define-se agora como uma consultora e não como aceleradora de startups. Além disso, mudou a imagem com que se apresenta.

Nos últimos três anos, a Beta-i passou por um processo de reestruturação que culmina, em 2020, com o assumir de um novo posicionamento, estrutura e estratégia a nível internacional e com o encerramento da associação sem fins lucrativos que marcou a sua origem”, diz a Beta-i.

Atualmente, a Beta-i tem “15 projetos de inovação” em Portugal e no Brasil (onde tem escritórios). Além disso, a Beta-i tem projetos em todos os continentes e clientes em mais de 20 países. Desde janeiro deste ano, a consultora já recebeu duas mil propostas de startups para os programas que desenvolve.

Estamos a crescer a nível internacional. Temos cerca de 150 clientes, a contar com governos, e temos feito projetos em imensos países. A Beta-i é mais conhecida a nível internacional do que em portugal, sinto. Tem sido um projeto interessante”, diz Ricardo Marvão.

Ricardo Marvão conta ainda que, como todas as empresas, a Beta-i também está “a adaptar-se a este novo normal”, e refere que toda a equipa tem estado a trabalhar remotamente para continuar fazer o trabalho da consultora. “Temos a sorte de ser uma empresa em que muito rapidamente e em poucos dias estávamos todos a trabalhar remotamente”, diz.

A Beta-i em números nos últimos 10 anos

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Atualmente:

  • 15 projetos de inovação a decorrer
  • 63 parceiros a inovar com a Beta-i
  • 26 pilotos em desenvolvimento
  • 2000 propostas de startups aos nossos programas desde janeiro 2020
  • 80 países em colaboração entre entidades e startups
  • Projetos em 5 continentes “em 10 áreas de expertise”

Em 10 anos:

  • +250 projetos diferentes de inovação
  • +150 clientes em 14 indústrias diferentes
  • +300 pilotos viabilizados através da inovação colaborativa
  • +120 pilotos transformados em negócios entre empresas e startups
  • +1500 alumni startups
  • 50 colaboradores diretos em Portugal e Brasil, de 15 nacionalidades diferentes

Nesta “nova fase”, a consultora afirma que está focada na “gestão de produtos em três eixos de inovação colaborativa”: colaboração entre empresas e startups; soluções internas para empresas; e “desenvolvimento de ecossistemas de inovação”, com apoio a “universidades, instituições sociais e centros de investigação”.