O primeiro dia de dois dias da reunião desta segunda-feira da Organização Mundial da Saúde ficou marcado pela disputa entre os Estados Unidos da América e a China. Mike Pompeo, secretário de Estado dos EUA, é perentório nas acusações e diz, mais uma vez, que “falta independência” ao diretor-geral da OMS, como conta a Bloomberg.

Não é segredo que a administração de Donald Trump, presidente dos EUA, tem criticado o papel da China na OMS. De acordo com este país, a influência da China no organismo é nefasta para a humanidade e é causa do alastrar atual da pandemia do novo coronavírus. Por causa disso, os EUA cortaram os fundos à OMS em abril, uma machadada à organização já que este país é um dos maiores contribuidores.

Os EUA têm afirmado que a agenda da OMS é “centrada na China” e tem criticado os elogios feitos ao país por esta organização. Contudo, não são os únicos. Esta segunda-feira foi levada à Assembleia desta entidade uma resolução para uma investigação independente à forma como a OMS tem lidado com a pandemia.

A China, não sendo signatária, ainda não se pronunciou quanto a este documento. Na semana passada, Liu Xiaoming, o embaixador chinês no Reino Unido, afirmou que o país não se opunha a uma investigação, mas tem de ser feita pela OMS. Além disso, os responsáveis chineses têm afirmado que uma investigação “pode fazer cessar a cooperação internacional no ataque à pandemia”.

Com signatários como a Rússia e a União Europeia, este parece ter sido o compromisso alcançado pela Austrália, que também assina este documento, que tem pedido uma investigação à China. Esta resolução, contudo, pede apenas “um inquérito independente”, não especificando a China.

100 países (incluíndo os da UE) pedem investigação à OMS sobre origem da Covid-19

Além deste conflito, há a questão de Taiwan, um país que não é reconhecido como independente pela China. Taiwan tentou ser convidada a participar como uma Nação-membro na reunião da Organização Mundial da Saúde que arrancou esta segunda-feira. Foram feitos “esforços internacionais”, disse Joseph Wu, ministro dos negócios estrangeiros de Taiwan. Contudo, nem sequer houve um convite. Por detrás da decisão estará a influência da China nesta entidade.

A falta de independência do diretor Geral priva a Assembleia [da OMS] Da afamada experiência científica De Taiwan em doenças pandemicas e prejudica ainda mais a credibilidade e a eficácia da OMS no momento em que o mundo mais precisa”, diz Mike Pompeo.

A insistência dos EUA em querer que Taiwan faça parte da OMS tem prejudicado as já tensas relações entre Washington e Pequim. Contudo, surgem também por o país que faz fronteira com a China, onde se detetou o novo coronavírus pela primeira vez, ter apenas 440 casos confirmados e sete mortes devido à pandemia. Por causa disso, Taiwan afirma também que quer partilhar a sua experiência a lidar com a Covid-19.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros lamenta profundamente e cp forte insatisfação que o Secretariado da Organização Mundial da Saúde tenha cedido à pressão do governo chinês e continue a desconsiderar o direito à saúde dos 23 milhões de pessoas de Taiwan”, disse Wu.

A reunião anual da assembleia-geral da OMS acaba esta terça-feira. Entre 2009 e 2016, Taiwan pôde participar como observador. Contudo, em 2016 a China bloqueou esse acesso. Keva Bain, presidente da assembleia-geral da OMS, disse que a proposta de inclusão de Taiwan tem de ser considerada primeiramente pelo Comité Geral da do organismo. Contudo, ainda não houve uma decisão.