Morreu esta sexta-feira, num hospital em Conacri, capital da Guiné, o músico guineense Mory Kanté. Considerado uma das estrelas maiores da música africana, e um dos poucos daquele continente a ter verdadeiro êxito pop no continente europeu, Kanté começou a ganhar notoriedade no continente africano nos anos 1970, teve sucesso internacional nos anos 1980 e morreu agora aos 70 anos.

A notícia foi confirmada à agência de notícias francesa France-Presse pelo seu filho Balla Kanté, de acordo com a estação britânica BBC e a publicação semanal norte-americana Barron’s, entre outros meios de comunicação social.

O motivo, de acordo com o filho de Mory Kanté, foi uma doença crónica (não nomeada) de que o músico sofria há vários anos. “Habitualmente viajava para França para tratamentos mas isso deixou de ser possível com o coronavírus. Vimos o estado de saúde dele deteriorar-se rapidamente, mas ainda assim fiquei surpeendido porque vimo-lo ultrapassar períodos muito mais complicados no passado”, referiu Balla Kanté.

Um êxito maior numa carreira de várias décadas

Nascido na Guiné, mas com ascendência maliana — também viveu no Mali durante um período da sua vida —, Kanté cresceu numa reconhecida família local griot, famílias que se especializam na arte da transmissão de cultura e conhecimento por tradição oral, seja através da música ou outros ofícios.

Depois de ter colaborado no início dos anos 1970 com o grande músico do Mali, ainda vivo, Salif Keita — estiveram juntos na banda Rail Band, de que Kanté se tornou vocalista após saída de Keita —, o músico guineense lançou-se a solo nos anos 1980.

Mory Kanté et Salif Keïta à Alger

Mory Kanté (à direita) ao lado do músico maliano Salif Keita, em 1985 na Argélia (@ Patrick AVENTURIER/Gamma-Rapho via Getty Images)

Cantor e instrumentista do popular instrumento africano kora (uma espécie de harpa com um som muito próprio), Mory Kanté lançou vários discos e singles durante a década de 1980, mas foi com o êxito “Yé ké yé ké” que logrou tornar-se o primeiro artista africano a vender mais de um milhão de cópias de um single e a tornar-se amplamente reconhecido no continente europeu.

Depois do seu sucesso maior em 1987, o músico continuou a gravar e a tocar ao vivo regularmente até recentemente, tendo sido nomeado em 2011 para um cargo na Organização das Nações Unidas.

O atual presidente da Guiné,  que se mantém no cargo desde 2010, Alpha Condé, já reagiu à morte do músico e cantor nas redes sociais, escrevendo que “a cultura africana está de luto” e que Mory Kanté teve um percurso musical “excecional” e “exemplar”.