Com o objetivo de conhecer melhor os hábitos do utilizador e dar uma experiência de compra online mais personalizada e semelhante a uma loja física, a Farfetch, plataforma líder global para a indústria da moda de luxo, está a criar o iFetch, um projeto que desenvolve agentes de conversação que interagem com os consumidores com um interface multimodal. O projeto está a ser trabalhado em parceria com a Universidade Nova de Lisboa e o Instituto Superior Técnico.

Na prática, o iFetch vai ter chatbots multimodais (através de texto, voz ou até a nível visual) que vão permitir oferecer ao utilizador uma experiência mais personalizada na procura dos produtos. “Colocando o iFtech ao serviço de uma experiência de loja do futuro que já existe, aumentamos o serviço com uma interação em que o utilizador passa a ter acesso a mais informação, até coisas que ele não sabia que queria, que pode não se conhecer apenas pelas compras anteriores que teve, mas que através da interseção da informação de compras e de comportamento da loja podemos recomendar algo muito mais adequado aos interesses dele”, explica ao Observador Luís Carvalho, VP Architecture da Farfetch.

Da informação que é recolhida sobre o utilizador para uma experiência mais personalizada está não só o registo das últimas compras, mas também pode estar a própria experiência já vivida pelo utilizador numa loja física, onde serão analisados aspetos como a seleção da roupa que levou, por exemplo, uma vez que tudo será “conectado à experiência da vertente de loja do futuro da Farfetch, onde uma pessoa pode ter uma experiência avançada dentro da loja, com recomendações de produtos”.

Segundo Luís Carvalho, este projeto permite começar a perceber o perfil do cliente, a forma como ele interage com o chatbot para, de seguida, “começar a orientá-lo para um tipo de produtos mais adequado”, garantindo que todas as regras de regulação dos vários países serão cumpridas. “Acaba por ser a utilização desta tecnologia que existe hoje em dia e que está a ser explorada, que são os chatbots, num âmbito muito concreto, muito prático, com resultados objetivos e que pretendemos trazer à luz do dia dentro dos próximos três anos”, acrescenta o VP Architecture da Farfetch.

O projeto, acrescenta o responsável, surgiu “naturalmente enquadrado dentro de uma atividade que a Farfetch já faz recorrentemente de interação com as comunidades e de procurar parcerias que possam melhorar o serviço oferecido”. “A oportunidade de trabalhar com universidades de renome, com profissionais de excelência da universidade nova e do Instituto Superior Técnico, além dos conhecimentos que temos e que adquirimos junto da CMU [Carnegie Mellon University] Portugal, torna o projeto mais excitante e mais ambicioso”, sublinha.

Para Luís Carvalho, esta é uma ideia “que tem potencial de colocar Portugal junto não só das empresas privadas mas com as universidades na frente da inovação desta área que tem ainda muito por explorar”.

O iFetch pode trazer inovações significativas para as compras online num futuro muito próximo, permitindo aos utilizadores ter acesso a informação de uma forma mais natural, e ajudando-os a tomar melhores decisões de compra”, acrescenta Luís Carvalho.

O iFetch foi cofinanciado pelo Governo, através do Portugal 2020 e teve um custo de 2,3 milhões de euros. Atualmente, há cerca de 15 pessoas a trabalhar neste projeto, ainda que a equipa possa crescer até 30 elementos até ao final. “Não é algo que fazemos exclusivamente pela Farfetch, é algo que fazemos por nós, pelos nossos parceiros e pela comunidade portuguesa”, sublinha Luís Carvalho.

Lançada em 2008 pelo português José Neves, a Farfetch liga atualmente clientes em mais de 190 países a produtos de mais de 1.200 marcas, boutiques e lojas em todo o mundo. Em 2016, a Farfetch tornou-se no primeiro unicórnio (empresa com uma avaliação superior a mil milhões de dólares) com ADN português e está cotado an Bolsa de Nova Iorque desde setembro de 2018.