As autoridades de saúde apontaram baterias ao surto na região de Lisboa e vão avançar em várias frentes para o travar: rastreio de infeções nas atividades em que tem havido mais surtos, testagem de todos os que tenham estado em contacto com estes trabalhadores, a determinação de confinamento obrigatório dos mesmos, identificar locais alternativos para o confinamento e visitas domiciliárias a doentes. Todas estas medidas que vão ser aplicadas nos concelhos mais afetados (Loures, Odivelas, Amadora, Lisboa e Sintra) foram enumeradas pela própria ministra da Saúde este sábado, no briefing diário conjunto com a Direção-Geral de Saúde. Marta Temido respondeu ainda à Grécia, dizendo que país pode estar a incumprir “regras europeias” ou excluir a entrada de portugueses e outros países da União Europeia.

Uma das grandes novidades da estratégia de combate ao vírus em Lisboa passa, como explicou a ministra pelo “acompanhamento clínico dos casos confirmados de Covid-19 diariamente por profissionais de saúde, designadamente através de visitas domiciliárias”. O objetivo, explica a governante, é uma “melhor perceção do contexto e melhor acompanhamento dos utentes.”

Tal como o primeiro-ministro já tinha antecipado na sexta-feira a ministra da Saúde reiterou então que será feito um “rastreio da infeção focado nas atividades em que se tem verificado maior incidência e surtos da doença, designadamente áreas ligadas a construção civil, cadeias de abastecimento, transporte e distribuição, caracterizadas normalmente por grande rotatividade de uma parte dos trabalhadores e recurso a trabalho temporário”.

Além disso, será feita a “testagem de todas as pessoas relativamente às quais as autoridades de saúde tenham determinado a vigilância ativa por serem contactos dos referidos profissionais” com os infetados. Será ainda determinado o confinamento obrigatório destas pessoas. A par disto será feita a “identificação de locais alternativos para o confinamento domiciliário, quando se comprove que as condições de habitabilidade não reúnem os critérios para o isolamento”. Neste caso, a ministra revelou que vão ser realizadas reuniões de trabalho com as autarquias para que ajudem a encontrar soluções.

A governante acredita que todas estas medidas vão permitir “reduzir o número de contágios e minimizar o risco de transmissão comunitária nesta região”. Além de tudo isto, Marta Temido fez ainda um apelo: “Se estiverem com sintomas, por favor não vão trabalhar”.

Antes disso, a ministra da Saúde fez uma análise da situação na região, que aponta que o “Rt para os dias de 23 a 27 de maio” foi de 1,02 a nível nacional. A média variava entre 0,93 na região norte, 0,98 na região centro e 1,05 na região de Lisboa e Vale do Tejo. Ou seja: o problema continua a estar em Lisboa, tal como já tinha sido nos primeiros quinze dias de maio registou níveis de infeção superiores às restantes regiões do país. Desde de meados de maio, registou a ministra, o número de novos casos diários mantêm-se nos 180 e, nos últimos 8 dias Lisboa representou em média mais de 85% dos novos casos registados do país.

A ministra da Saúde diz que “o último reduto desta onda de infeção exige intervenção de rua, do terreno” e que “de pouco serve decretar mais medidas”, já que o que é necessário é “falar com quem fala com as pessoas. (…) Isto não é uma fatalidade, mas precisamos de quebrar as cadeias de transmissão.”

A resposta à Grécia e fé nos proprietários nos jogos de futebol

Sobre o facto de a Grécia ter revelado a lista de países de origem de turistas que podem viajar para o território grego a partir de 15 de junho e ter excluído Portugal, a ministra da Saúde começou por dizer que não compete ao governo português pronunciar-se “sobre as decisões de outros Estados-membros da União Europeia e sobre aquilo que cada um dos governos, na sua autonomia decide”. No entanto, a ministra da saúde adverte que “esta pandemia não conhece fronteiras e, sobretudo, num contexto de União Europeia onde os habitantes circulam, a [questão] tem de ser considerada com particular atenção”.

A ministra diz que não podemos “pretender instituir regimes onde alguns países fechem as fronteiras a outras porque isso, além do mais pode pôr em causa um conjunto de princípios e de regras da União Europeia“. E acrescentou: “Estou certa que serão análises que, com o tempo, serão ultrapassadas e, da mesma forma que olhamos para as medidas sanitárias com proporcionalidade e adequação é o que faremos relativamente à análise deste caso concreto.”

A ministra da Saúde foi também questionada sobre o facto de a liga profissional de futebol voltar na próxima quarta-feira com jogos em sinal fechado e o que estão as autoridades de saúde a fazer para evitar ajuntamentos em cafés e restaurantes. Marta Temido diz que “sendo as competições transmitidas em sinal fechado, isso levará a que as pessoas tenham tendência para se juntar a ver os jogos em determinados locais e que isso tem de ser feito em condições distintas daquelas que normalmente enquadravam essas junções de pessoas [antes de março] e tenho a convicção de que, quer os proprietários, quer os indivíduos terão capacidade suficiente para serem vigilantes relativamente aos seus comportamentos”.