O Departamento da Justiça dos EUA formalizou um pedido às autoridades do Reino Unido para que o príncipe André, terceiro filho da Rainha Isabel II, seja ouvido pelas autoridades norte-americanas sobre as suas ligações ao milionário Jeffrey Epstein, condenado por tráfico sexual de menores que se suicidou na prisão em agosto do ano passado.

De acordo com o tabloide britânico Daily Mail, o príncipe André, de 60 anos, tem sempre recusado falar publicamente sobre as suas ligações ao milionário, que foi preso pela primeira vez em 2008 por ter abusado sexualmente de uma menor e voltou a ser preso no verão de 2019 por acusações de tráfico sexual de menores.

O príncipe André, oitavo na linha de sucessão ao trono britânico, foi envolvido no caso por ter sido fotografado em 2010 à porta da mansão de Epstein e, sobretudo, por ter sido acusado por Virginia Roberts Giuffre — uma das vítimas de Epstein — de ter tido relações sexuais com ela pelo menos três vezes entre 2001 e 2002, altura em que a mulher ainda seria menor.

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Segundo o tabloide The Sun, as autoridades norte-americanas não se dirigiram à Família Real britânica, mas sim diretamente ao ministério da Administração Interna do Reino Unido, fazendo um pedido de “assistência legal mútua”, um mecanismo que permite pôr as justiças britânica e norte-americana a trabalhar em conjunto.

O pedido terá agora de ser avaliado pelas autoridades britânicas, que, de acordo com a imprensa do Reino Unido, enfrentam um “pesadelo diplomático” com a possibilidade de verem um membro da Família Real forçado a depor num tribunal britânico a respeito de um caso de abuso sexual.

Em novembro do ano passado, o príncipe André abandonou as suas funções públicas na sequência de uma entrevista polémica em que negou categoricamente qualquer envolvimento com Virginia Roberts Giuffre. Na altura, André assegurou que “simpatiza profundamente” com as vítimas de Epstein.

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