Os veículos híbridos plug-in podem ser uma excelente solução, se utilizados de forma a explorar todo o seu potencial. O que nem sempre acontece. Daí que tenha sido com natural curiosidade que foi acolhida a “invenção” da Fiat Chrysler Automobiles (FCA) que, na ânsia de disciplinar os condutores e proteger o ambiente, criou uma espécie de Big Brother que espia os veículos equipados com mecânicas híbridas plug-in (PHEV) e obriga-os a circular em modo eléctrico no centro das cidades e nas zonas mais problemáticas em termos de poluição. Uma medida que é bem-vinda.

Os PHEV transformaram-se nos maiores amigos dos fabricantes de automóveis na Europa. Não foi uma conquista habilidosa, por parte das marcas, mas sim uma concessão da União Europeia, consciente que, sem os PHEV, todos os construtores (à excepção da Toyota para 2020, mas não para 2025) teriam de pagar multas milionárias por incumprimento dos objectivos impostos por Bruxelas, que exige um valor médio para a totalidade da gama de 95g de dióxido de carbono (CO2) por quilómetro durante 2020.

Esta porta deixada aberta pelo legislador tem duas componentes cuja aproximação à realidade de utilização é algo desfasada. A primeira consiste em que o cálculo do consumo e as correspondentes emissões de CO2 são apenas avaliados nos primeiros 100 km e, curiosamente, não na segunda centena de quilómetros e muito menos nas seguintes. Além desta vantagem, o cálculo dos consumos e emissões dos PHEV parte ainda do princípio que os “tais” primeiros 100 km começam sempre com a bateria recarregada, o que raramente acontece na realidade. E há estudos que provam que, quanto mais caro é o veículo, menos os seus condutores recarregam a bateria, com a compra a ser realizada apenas pelas vantagens fiscais que são concedidas a esta classe de veículos.

O sistema criado pela FCA, em colaboração com Turin Geofencing Lab, foi desenvolvido com base no Jeep Renegade 4xe PHEV, modelo que circulou durante os testes em Turim e arredores, recorrendo apenas aos motores eléctricos sempre que entrava nas Zona a Trafico Limitato (ZTL), desligando o motor a gasolina e assegurando uma locomoção sem emissões.

Com esta solução da FCA, que se espera venha a ser aprovada por Bruxelas e tornada obrigatória em todos os veículos comercializados em solo europeu, os condutores vão ter de optar entre recarregar a bateria, sempre que possível, ou correr o risco de não conseguir entrar ou circular dentro das cidades, uma vez que as áreas definidas como ZTL vão tornar-se cada vez mais abrangentes. Se a isto somarmos PHEV com baterias cada vez maiores e, logo, com autonomias em modo eléctrico sempre a subir, é provável que este tipo de tecnologia seja capaz de, finalmente, aliar o potencial que sempre possuiu a vantagens palpáveis para os utilizadores e para o ambiente.