Foi com a intenção de esclarecer alguns “mal entendidos” que Maria Van Kerkhove, a responsável técnica da Organização Mundial da Saúde no combate à pandemia, voltou, novamente, ao tema da transmissão de Covid-19 pelos assintomáticos, desta vez para frisar que as pessoas infetadas com Covid-19 que não apresentam sintomas podem transmitir a doença — o que não se sabe, ainda, é a quantidade de assintomáticos que a propagam. Depois de ter confirmado, na segunda-feira, durante a conferência de imprensa da OMS, em Genebra, de que a “transmissão assintomática é rara em todo o mundo”, esta terça-feira admitiu tratar-se de um “mal-entendido afirmar que, globalmente, a transmissão assintomática é muito rara”, disse Maria Van Kerkhove, citando estudos que sugerem que 40% das infeções podem ser transmitidas por pessoas sem sintomas.

Na OMS, as palavras de Maria Kerkhove caíram mal porque podiam ser aproveitadas por algumas nações e governos para desconfinar cedo demais. Como aconteceu no Brasil. O presidente Jair Bolsonaro, que desde o início da pandemia desvaloriza o novo coronavírus, aproveitou os comentários de Kerkhove para antecipar a reabertura do país

Com este passo atrás, Maria Van Kerkhove pretende clarificar a informação que divulgou na segunda-feira, quando revelou que  “a partir dos dados que a OMS tem, parece ser raro que uma pessoa assintomática transmita para um indivíduo secundário”, disse a epidemiologista, que depois recorreu ao Twitter para tentar “clarificar” essas afirmações que causaram surpresa no mundo inteiro, já que há estudos realizados a apontar para a transmissão por assintomáticos, sendo mesmo este um dos fatores que fundamentaram os confinamentos.

OMS afirmou ser “muito raro” que pessoas sem sintomas transmitam o coronavírus. Depois, voltou atrás

“Temos vários relatórios de países que estão a fazer um rastreamento de contactos muito detalhado. Estão a seguir casos assintomáticos, a seguir contactos, e não encontram transmissão secundária. É muito raro e muito disto não está publicado na literatura “, disse a norte-americana, que admitiu, ainda, que o melhor procedimento é seguir e isolar todos os doentes com sintomas. Van Kerkhove explicou que a Covid-19 “passa de um indivíduo através de gotículas infecciosas. Se realmente seguíssemos todos os casos sintomáticos, isolássemos esses casos, seguíssemos os contactos e os colocássemos em quarentena, reduziríamos drasticamente a doença”, disse.