As autoridades italianas indicaram esta quarta-feira terem recebido cerca de 32 mil pedidos de regularização temporária de cidadãos estrangeiros ilegais desde que, no início deste mês, abriram um processo para combater a falta de mão-de-obra agrícola devido à Covid-19.

Segundo dados do Ministério do Interior italiano, a larga maioria dos pedidos (91%) é oriundo do setor social, nomeadamente dos assistentes sociais e/ou enfermeiros dos cuidados paliativos, em que grande parte é proveniente dos países do leste da Europa.

Durante a pandemia do novo coronavírus, o governo italiano decidiu regularizar temporariamente os clandestinos que trabalhavam maioritariamente na agricultura, com o objetivo de lutar em particular contra essas práticas ileais (‘caporalato’, em italiano) e assegurar a cobertura sanitária aos trabalhadores sazonais. A medida foi fortemente criticada pela extrema-direita italiana e sobretudo por Matteo Salvini, presidente da Liga, que a considerou uma “regularização de um exército de clandestinos”.

Para o governo italiano, a regularização serve também como forma de fazer face à falta de mão-de-obra nos campos agrícolas do país. Este ano, centenas de milhar de trabalhadores estrangeiros sazonais não conseguiram chegar a Itália, tal como acontece todos os anos, por causa da Covid-19.

A partir de agora, as entidades patronais têm de depositar uma caução de 500 euros, enquanto os cidadãos estrangeiros em situação irregular que não pediram autorização de permanência à chegada a Itália podem solicitar agora um título de permanência temporário.

Segundo os dados do Ministério do Interior italiano, a média diária é de 2.100 pedidos de regularização temporária, indicando que o número tem vindo em crescendo desde que o processo, totalmente por via eletrónica, começou, a 01 deste mês, e que terminará a 15 de agosto.

Segundo a imprensa italiana, os números divulgados pelo Ministério do Interior “parecem relativamente modestos”, uma vez que a população alvo está estimada em cerca de 220 mil pessoas.

Por regiões, a Lombardia (norte de Itália) e a região mais afetada pela pandemia no país, lidera o número de pedidos relativos ao trabalho doméstico e assistência social. A Campânia (sul, na região de Nápoles), por seu lado, lidera nos pedidos para trabalhos agrícolas.