Um menino de 17 anos que nasceu em Inglaterra, tem pais norte-americanos, podia jogar pela Argentina e por Portugal e tem nome de internacional holandês. Giovanni Reyna, mais conhecido pelo diminutivo Gio, é tudo isto e um bocadinho mais. Uma das pérolas da nova geração do Borussia Dortmund, a par de Jadon Sancho, Haaland e Julian Brandt, o norte-americano é um predestinado que sempre teve escrito nas cartas que iria passar uma vida a dar pontapés na bola. Este sábado, dava um dos primeiros passos para isso mesmo e estreava-se a titular na equipa principal do Dortmund.

Mas a história de Gio é mais do que isso. Filho de Claudio Reyna, antigo internacional pelos Estados Unidos, e de Danielle Egan, antiga internacional pela seleção feminina norte-americana, Gio Reyna nasceu em Inglaterra, quando o pai jogava no Sunderland. Graças à avó, uma portuguesa que emigrou para os Estados Unidos e casou com um argentino, tem passaporte português e podia representar a Seleção Nacional — ainda que a opção de jogar por outra seleção que não a norte-americana já tenha sido completamente descartada pelo jovem médio. “É muito claro para mim. Só quero jogar pelos Estados Unidos. É o meu país”, garantiu o jogador à Sports Illustrated, acrescentando que quer continuar o legado do pai, internacional em mais de 100 ocasiões.

O segundo de quatro irmãos, Gio foi batizado com o nome de um conhecido lateral holandês: Giovanni van Bronckhorst, que passou pelo Arsenal e pelo Barcelona e era um dos amigos mais próximos de Claudio Reyna quando ambos jogavam no Glasgow Rangers. Formado no New York City FC, nos Estados Unidos, Gio deu o salto no ano passado, quando viajou rumo à Alemanha para se juntar ao projeto do Borussia Dortmund. Mas a maior provação da vida do jovem médio já tinha acontecido alguns anos antes. Em 2012, com apenas 13 anos, o filho mais velho de Claudio e Danielle morreu vítima de um tumor cerebral — Gio, com apenas nove anos, perdeu o exemplo, o irmão mais velho e a primeira pessoa com quem jogou futebol. Mas ganhou a maior motivação.

No passado mês de janeiro, quando se estreou pela equipa principal do Borussia Dortmund ao entrar durante um jogo com o Augsburgo, tornou-se o mais novo de sempre a jogar na Bundesliga, com apenas 17 anos e 66 dias (e quebrando o recorde do também norte-americano Pulisic). No início de maio, no fim de semana em que a liga alemã voltou, o onze inicial delineado por Lucien Favre para a primeira partida da retoma incluía Gio Reyna e depressa se escreveu que o norte-americano se iria estrear a titular logo na jornada inicial do reinício da competição. Uma lesão no aquecimento, porém, adiou a estreia até este sábado — e até à visita ao RB Leipzig.

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Já com o Bayern Munique como campeão coroado, segundo e terceiro encontravam-se com apenas três pontos de diferença: em caso de vitória, o RB Leipzig igualava o Dortmund e levava para a última jornada do campeonato a decisão final sobre a composição do pódio. Timo Werner, que foi anunciado no final desta semana como reforço do Chelsea para a próxima temporada, despedia-se da Red Bull Arena e dos jogos em casa com o clube que o catapultou para a alta ribalta do futebol europeu. Mas no dia da despedida caseira de Werner, foi Gio que decidiu brilhar.

Ainda na primeira parte, num lance brilhante da construção do Borussia Dortmund, Brandt apareceu na ala direita, cruzou atrasado para a grande área e Gio, com um toque sublime, ofereceu o golo a Haaland (30′). A equipa de Lucien Favre, que na jornada passada escorregou em casa com uma derrota com o Mainz, segurou a vantagem mínima até perto do final, quando Haaland acabou por bisar já nos descontos, e garantiu o segundo lugar da Bundesliga nesta temporada, aumentando para seis os pontos de vantagem para o RB Leipzig quando falta apenas disputar a última jornada. Na despedida de Timo Werner do estádio a que chamou casa durante quatro anos, foi Gio Reyna quem fez a notícia, a estreia e a assistência. E na despedida da atual temporada, deixou já escrito que é um dos nomes a ter em conta quando a próxima começar.