O incidente que levou à morte de três pessoas e feriu duas com gravidade, no parque Forbury Gardens em Reading, Inglaterra, após a a manifestação “Black Lives Matter” está a ser tratado como um ataque terrorista, avançou, este domingo, a polícia de Thames Valey. A informação também já foi confirmada pelo Coordenador Nacional da Rede de Antiterrorismo, Dean Haydon, que assumiu tratar-se de um ataque terrorista, o que significa que as investigações vão passar, agora, para as mãos da Unidade de Antiterrorismo da zona oeste de Londres.

O suspeito, que já se encontra detido, é o cidadão líbio, Khairi Saadallah, de 25 anos, que já cumpriu pena de prisão por crimes não relacionados com terrorismo. O jornal The Guardian adianta, ainda, que o alegado responsável pelo esfaqueamento, que provocou a morte a três pessoas, chegou ao Reino Unido há vários anos como refugiado da guerra civil na Líbia. As autoridades de combate ao terrorismo, na noite de sábado, invadiram o apartamento de Saadallah, situado em Basingstoke Road, tendo removido vários itens, incluindo uma serra circular.

Já este domingo, Tania Bassett, porta-voz da associação nacional de agentes que supervisionam a liberdade condicional dos ex-reclusos (National Association of Probation Officers), confirmou que Saadallah estava já referenciado pelo Serviço Nacional de Liberdade Condicional (NPS, em inglês), o que significa que o suspeito do ataque era considerado um “criminoso de alto risco”.

Entretanto a BBC já noticiou que o homem era já conhecido do MI5, os serviços de informação e segurança britânicos, há já um ano. Saadallah despertou a atenção das autoridades quando estas receberam a informação de que aspirava viajar para a Síria “potencialmente para terrorismo”.

Bassett descartou, no entanto, a hipótese da monitorização de Saadallah “não ter sido bem gerida”, ou do suspeito ter sido deixado sem supervisão devido às medidas restritivas da pandemia de Covid-19. A porta-voz indicou que o detido tinha “graves problemas de saúde mental”.

Este domingo, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, numa declaração gravada em Downing Street, afirmou ter ficado “horrorizado” com o ataque. “Agora temos alguém sob custódia, a polícia deve continuar a fazer o seu trabalho, para entender exatamente o que aconteceu”, acrescentando que “se houver lições que precisamos de aprender sobre como lidamos com estes casos, como lidamos com os eventos anteriores a esses casos, aprenderemos essas lições e não hesitaremos em fazer mudanças no nosso sistema jurídico para impedir que estes eventos aconteçam novamente”.

O governo conservador de Boris Johnson, após as eleições gerais de dezembro, prometeu aumentar as multas por crimes relacionados com o terrorismo.

O líder do Partido Trabalhista, Keir Starmer, classificou os ataques em Reading como “muito preocupantes”. Em declarações aos jornalistas, este domingo, admitiu estar disposto a trabalhar com o governo para ver se há “lições que podem ser aprendidas”. “É muito importante que a investigação siga o seu curso, mas trabalharei com o governo em resposta a isto, e se necessário proceder a mudanças na lei”.

Fonte da polícia britânica disse que três das vítimas foram declaradas mortas no local, enquanto duas outras foram levadas de urgência para o Royal Berkshire Hospital, para reanimação.

Uma testemunha, citada pelo The Telegraph, contou que, após a manifestação, o parque estava cheio de pessoas sentadas com amigos a tomar um copo quando “de repente se ouviu alguém a gritar umas palavras impercetíveis e a correr em direção a um grupo de cerca de dez pessoas tentando esfaqueá-las”.

Lawrence Wort, de 20 anos, contou ao The Guardian ter estado a 10 metros do ataque. “Viu-o a esfaquear as três pessoas no pescoço e debaixo dos braços, que ficaram gravemente feridas, e depois virou-se e começou a correr na minha direção. Nessa altura, começámos todos a fugir. Quando o homem percebeu que não nos conseguia apanhar, foi tentar esfaquear outro grupo. Depois, só o vi a sair do parque a correr”.

Após o ataque, a Polícia de Thames Valey foi chamada ao local pelas 19h00 e montou um cordão policial no local. Pediu também a todos que, em vez de colocarem nas redes sociais imagens que tivessem sobre o incidente, que as entregassem à polícia.

Nas redes sociais circulam imagens da polícia a de amigos a tentarem reanimar as vítimas e há já várias críticas em relação à captação e posterior divulgação dessas imagens.

No ano passado, a Grã-Bretanha testemunhou dois ataques relacionados com o terrorismo. Em novembro, Usman Khan, de 28 anos, lançou o pânico na London Bridge em Londres depois de esfaquear várias pessoas, resultando na morte de, pelo menos, duas delas. O homem, entretanto abatido pela polícia, tinha já sido detido em 2012 por crimes de terrorismo. Usman Khan foi detido em fevereiro de 2012 e saiu em dezembro de 2018, em liberdade condicional. O radical estaria, desde então, a usar uma pulseira eletrónica e era monitorizado pelas autoridades.

Em fevereiro, a polícia matou outro agressor, após ter esfaqueado três pessoas, em Londres.
Uma esmagadora maioria dos crimes graves na Grã-Bretanha, segundo dados das autoridades, é cometida com recurso a facas, devido a uma legislação restritiva sobre a posse de armas.