O que é que mais valoriza: notas excelentes nos exames nacionais ou completar o secundário sem nenhum chumbo? Uma combinação dos dois seria o ideal, mas são poucas as escolas que conseguem apresentar bons resultados em ambos os parâmetros.

Mais uma vez, como em anos anteriores, as escolas privadas dominam o ranking baseado nas notas dos exames nacionais: a primeira escola pública só aparece no 37.º lugar. Mas por outro lado, as escolas públicas ocupam oito dos 10 primeiros lugares do ranking baseado nos percursos de sucesso — quando os alunos têm positiva nos exames nacionais sem terem chumbado no secundário.

O Observador voltou a contar com a colaboração da Nova School of Business and Economics (Nova SBE) na elaboração dos rankings das escolas, com base nos dados fornecidos pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) e Júri Nacional de Exames (JNE) para o ano letivo 2018/2019. Em baixo pode encontrar 10 tabelas com os melhores e os piores resultados das escolas no ano passado. As listas completas dos rankings vão estar aqui, onde pode, por exemplo, fazer a pesquisa por uma escola específica.

Alunos de contextos desfavorecidos podem ter percursos de sucesso

Durante muito tempo, o desempenho das escolas era avaliado pelos resultados nas provas ou exames nacionais. Um resultado facilmente manipulável se só os melhores alunos, aqueles que tinham mais hipóteses de ter boas notas, chegassem ao exame. A conjugação da avaliação interna com o percurso direto de sucesso, permite, no entanto, avaliar o bom desempenho nas provas nacionais, sem premiar as retenções dos alunos.

E é neste ranking que as escolas públicas conseguem mostrar o trabalho que andam a fazer: entre as 100 primeiras escolas desta lista, 65 são públicas. E 14 públicas se considerarmos uma lista só de 20.

É verdade que as notas dos exames nesta lista não são muito altas (a maioria não chega aos 12 valores), mas as notas do período mostram um cenário um pouco diferente: mais de metade acima de 14 valores. E isto apesar de haver várias escolas inseridas num contexto socioeconómico desfavorável: quatro agrupamentos tem mais de 40% dos alunos a receber apoio da ação social escolar.

O contexto socioeconómico e o nível de escolaridade da mãe estão entre os fatores que mais influenciam o desempenho dos alunos. Os rankings só dispõem de dados para as escolas públicas, mas no caso da ordenação por percursos de sucesso a escolaridade das mães é muito variável: do 6.º ao 11.º ano.

Também é certo que as 10 escolas que apresentam piores percursos são quase todas públicas, o que não é de estranhar, das 506 escolas incluídas nesta listagem, só 78 eram privadas. Ainda assim, em penúltimo lugar aparece uma escola privada de Loures, que apesar do mau desempenho na progressão dos alunos, fica em 31.º quando a avaliação é feita pelas notas dos exames.

A progressão dos alunos é dada pela comparação com escolas equivalentes, onde os alunos tinham o mesmo perfil à entrada no 10.º ano, como a nota do ciclo anterior ou o contexto socioeconómico. As progressões “negativas” significam que as escolas têm pior desempenho do que essas equivalentes. E das 249 onde isto acontece, 24 são privadas, incluindo o Instituto D. João V (Pombal), que tinha ficado em 3.º lugar no ranking de sucesso em 2018, ou o Colégio Moderno (Lisboa), que ficou em 2019 em 2.º lugar do ranking dos exames.

Apenas 4 escolas privadas com médias abaixo de 10

A listagem com as médias das notas dos exames inclui 539 escolas, das quais 461 são públicas. Das 78 escolas privadas incluídas nesta lista, 56 aparecem nos primeiros 100 lugares do ranking. No extremo oposto, entre as 100 escolas com os piores resultados nos exames, só estão quatro privadas.

O Colégio do Sagrado Coração de Maria (Lisboa) é a única entrada nova no top 10 do ranking dos exames, as restantes sofreram ajustes, mas sem caírem muitas posições. Pelo menos em relação à média dos exames.

No caso do ranking de sucesso, já vimos o mau desempenho do Colégio Moderno, mas também vale a pena referir o Colégio da Rainha Santa Isabel (Coimbra) que no ano passado estava em primeiro lugar e agora caiu para 54.º lugar. Há, no entanto, casos positivos, como o Colégio D. Diogo de Sousa (Braga) e os Salesianos de Lisboa a subirem mais de 150 posições no ranking de sucesso.

A primeira escola pública no ranking dos exames aparece em 37.º lugar — com uma média de 13,12 valores, contra a melhor média no privado de 15,62 (2,5 valores a mais). Nove escolas do top 10 público estão entre as 50 melhores (a outra logo em 51.º lugar). E há 44 escolas públicas nos primeiros 100 lugares da lista.

Entre as 10 escolas públicas com os piores resultados, encontramos uma grande percentagem de alunos com ação social escolar e quatro escolas das ilhas (para as quais não há informação do contexto socioeconómico). Ainda assim, as notas dos alunos no final do período não eram tão más como os resultados que obtiveram nos exames (notas internas entre 12,21 e 14,21 valores).

Os resultados negativos nas escolas públicas são muito mais frequentes do que nas privadas: 63 escolas públicas têm médias nos exames abaixo de 9,5, contra duas escolas privadas com notas abaixo desse valor.

As quatro escolas privadas com piores resultados nos exames (todas abaixo de 10 valores) já faziam parte das escolas com os piores resultados no ano letivo 2017/2018.

Melhor média de Português numa escola pública

As escolas privadas dominam não só o ranking geral das médias dos exames, como o das disciplinas de Português e Matemática, com uma pequena grande exceção. É que o primeiro lugar entre as notas de Português vai para uma escola pública, a Escola Básica e Secundária de Vila Cova  (Barcelos), com uma média de 17,50 valores. A segunda escola pública só volta a aparecer no 18.º lugar e já com uma média de 14,29 valores.

Apesar de pouco representadas nos primeiros lugares, as escolas públicas conseguem, mesmo assim, ter 53 escolas entre as 100 melhores em notas a Português. Em relação à Matemática, a primeira escola pública só aparece em 27.º lugar.

As médias dos exames têm alguns pormenores curiosos: a nota mais alta a Português é de uma escola pública (17,50 valores) e a Matemática de uma escola privada (17,93); existe apenas uma escola (pública) que tem uma média para os exames de Português abaixo de 9,5 valores (8,05); em Matemática, a média mais baixa também é de uma escola pública, com 3,79 valores.

Para saber mais sobre os dados das escolas, consulte a listagem geral. Todos os dados utilizados foram disponibilizados pelo Ministério da Educação, trabalhados pela Nova School of Business and Economics (Nova SBE) e interpretados pelo Observador.