O Hospital de Santarém recebeu quatro pessoas infetadas com Covid-19 provenientes do Hospital Amadora-Sintra, resultado do processo de “gestão de espaço”, revelou esta segunda-feira fonte oficial do Hospital Amadora-Sintra ao Observador.

“Até ao momento, foram solicitados oito internamentos, mas só enviaram quatro doentes”, disse Paulo Sintra, diretor clínico  do Hospital de Santarém.

As transferências de doentes do Hospital Amadora-Sintra já começaram há cerca de 15 dias, mais concretamente, desde o dia 18 de junho.

Em resposta enviada à Lusa, o diretor clínico do Hospital de Santarém esclareceu que os doentes enviados foram escolhidos pelo Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (Amadora-Sintra), sem riscos esperados.

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“Foram enviados doentes com 83, 97 anos, e outro vindo da Guiné para tratamento específico com comorbilidades”, apontou, adiantando que “um dos doentes com 83 anos, que à chegada era Covid negativo e estava assintomático, após dois dias de internamento no HDS [Hospital de Santarém], já não é recebido no HFF [Hospital Amadora-Sintra], alegando uma das responsáveis da urgência que, após transferência do doente, este passou a ser exclusivamente da responsabilidade do HDS [Hospital de Santarém].

Com dois testes negativos realizados, o doente irá ter alta, pois reúne os critérios clínicos e terá sempre de continuar a recorrer ao seu hospital de referência para eventual follow-up (acompanhamento, em tradução livre), segundo Paulo Sintra.

De acordo com os contactos estabelecidos entre o Observador e o Hospital Amadora-Sintra, não é a primeira vez que se realizam estas transferências de doentes. Ao todo, já foram transferidas 15 pessoas, que o hospital garante estarem estáveis.

Ao Observador, fonte oficial do Hospital Amadora-Sintra afirmou que não há falta de camas, mas que o hospital apresenta uma taxa de ocupação de 90%. Em relação às transferências para Santarém, os responsáveis do hospital alertam que é uma decisão da Administração Regional de Saúde em Lisboa.

“As transferências de doentes são efetuadas para os hospitais de retaguarda, sendo que o Hospital Amadora-Sintra já enviou doentes para o Hospital de Santa Maria, para o Hospital Militar e para o Hospital de Santarém”, disse.

Diretor clínico do Hospital de Santarém discorda de internamentos de idosos de lar

Paulo Sintra alertou ainda que não concorda com internamentos de idosos de lar, apenas pelo facto de terem sido testados com Covid-19 positivo.

“Ter um idoso num hospital tem riscos acrescidos e só devem estar internados se estiverem doentes e necessitarem de cuidados hospitalares”, considerou.

O diretor clínico lembrou também que o hospital ribatejano está disponível para ajudar todos os hospitais, mas sem perder o foco no tratamento dos seus doentes.

“Temos mantido uma gestão rigorosa dos nossos recursos [instalações, consumíveis, testes e recursos humanos] o que faz com que tenhamos a elasticidade necessária para continuar a tratar os nossos e mais alguns doentes de outras áreas geográficas”, disse.

A pandemia de Covid-19 já provocou mais de 501 mil mortos e infetou mais de 10,16 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.568 pessoas das 41.912 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

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