Foi uma espécie de tabu que nasceu após a derrota do Benfica na Madeira frente ao Marítimo, que coincidiu com a saída de Bruno Lage do comando técnico dos encarnados. Nasceu mas praticamente não existiu porque, logo nesse dia, percebeu-se que Luís Filipe Vieira queria sobretudo deixar um alerta para os perigos que o clube corria num possível regresso ao passado tantas vezes referido quando a situação das águias fica um pouco mais turbulenta – e foi isso que algumas fontes revelaram ao Observador, incluindo quem esteve desde sempre ao lado do número 1. Esta noite de terça-feira veio a confirmação do fim do tabu que quase não existiu.

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Num encontro com os órgãos sociais do Benfica, Luís Filipe Vieira sublinhou que será candidato nas próximas eleições do clube, correndo assim a um sexto mandato ao cargo que ocupa desde 2003, quando suceder no cargo a Manuel Vilarinho. A informação foi avançada pelo jornal A Bola e confirmada pelo Observador.

“Como devem imaginar, a família benfiquista neste momento está demasiado… Mas devemos dizer que tudo fizemos e demos para na realidade sermos felizes este ano. Não fomos e é importante dizer algo que tenho sentido e que não vale a pena esconder: o único culpado sou eu e não vale a pena esconder. Mas quero dizer outras duas coisas importantes: só foi possível chegarmos aqui porque tivemos estabilidade, que para conquistarmos um bi estivemos 31 anos, para conquistarmos um tri estivemos 39 anos e conquistámos um tetra que nunca tínhamos conquistado”, disse Luís Filipe Vieira em conferência de imprensa após a derrota na Madeira.

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“Isto só se faz com muito amor, paixão, profissionalismo e determinação. Era importante dizer mais uma coisa: quem acabou em 2000 com aquilo no clube foram os benfiquistas. Se há aqueles que hoje estão a festejar a derrota do Benfica, quero dizer que na minha vida nunca verguei a nada e quando tomar a decisão não vou vergar. Vou falar com a minha família e espero tomar uma decisão quando chegar a Lisboa. É com profundo sentimento benfiquista que digo: não deixem voltar o passado porque fomos nós todos que demos cabo do Benfica mas é muito difícil fazer depois o que fizemos em 20 anos em termos desportivos, de infraestruturas e financeiros. Sou o único culpado, não há mais culpados. Fui eu. No final do jogo, o nosso treinador, com elevação, colocou o lugar à disposição. Disse que não achava que não tivesse qualidade ou capacidade para dar a volta mas que sabia que que toda a gente queria que fosse embora. Atenção: uma derrota não é o desespero de ninguém”, acrescentou.

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De referir ainda que as eleições do Benfica estão marcadas para outubro. Nesta altura, e além de Luís Filipe Vieira, também Rui Gomes da Silva prepara uma candidatura (e já começou a trabalhar nisso em termos práticos) e Bruno Costa Carvalho anunciou o mesmo propósito – tendo avançado hoje que José Manuel Barão das Neves, sócio há mais de 50 anos, será o seu candidato à liderança da Mesa da Assembleia Geral. Em paralelo, existe o movimento que reúne figuras de vários quadrantes da sociedade que tem estado em conversações à procura de uma figura que se enquadre num perfil diferente e que possa promover uma mudança de paradigma na liderança.

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Ao Observador, e após esse jogo do Marítimo, uma das fontes contactadas levantara a possibilidade de, no limite, haver uma antecipação do sufrágio, o que choca com os timings da próxima época caso a equipa termine em segundo lugar: com quatro jogos do Campeonato por disputar e a final da Taça de Portugal com o FC Porto a 1 de agosto, o que deve colocar o início da Primeira Liga a meio de setembro, na semana seguinte aos dois primeiros jogos da Seleção na Liga das Nações (Croácia em casa no dia 5, Suécia fora no dia 8), a terceira pré-eliminatória da Champions joga-se a 15/16 de setembro, seguindo-se nas semanas seguintes o playoff para a fase de grupos.