Pizzi colocou-se ao lado do treinador no final da derrota do Benfica frente ao Marítimo, Bruno Lage fintou também qualquer questão sobre o futuro, pouco mais de um quarto de hora depois Luís Filipe Vieira entrou na sala de conferências de imprensa do recinto dos insulares. Começou a falar e abriu por completo o jogo: o treinador tinha colocado o seu lugar à disposição. E esse pedido vai ser mesmo aceite, até pela forma como o líder das águias assumiu que o Campeonato é uma miragem, atirando nas palavras a toalha ao chão na luta pelo título. A notícia foi confirmada pelo Observador junto de fonte próxima do processo nos encarnados.

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Dessa forma, e a não ser que surja algum dado novo que possa inverter essa ideia (e que aconteceu em novembro de 2018 com Rui Vitória, que numa noite estava despedido e no dia seguinte teve um voto de confiança do líder das águias), Renato Paiva, treinador da equipa B do Benfica, pode ser chamado para terminar a temporada, existindo ainda a hipótese de algum dos elementos da equipa técnica (Veríssimo) poder permanecer até ao final da época. De referir que, antes da saída para o aeroporto Cristiano Ronaldo, Luís Filipe Vieira esteve alguns minutos ao telefone na zona do relvado, saindo depois com Lage que não foi à habitual conferência de imprensa.

Como está a situação para a próxima época? Jesus, Pochettino e Marco Silva

A derrota com o Marítimo precipitou o cenário de saída de Bruno Lage, sendo que o Benfica já estava a trabalhar numa outra solução tendo em vista a próxima temporada – algo que o técnico agora demissionário tinha noção, depois das capas sem fim com nomes de treinadores como hipóteses para chegarem à Luz desde a derrota dos encarnados frente ao Santa Clara. E se no início havia um desejo de Luís Filipe Vieira de manter o comando da equipa num português, a possibilidade de voltar a haver um estrangeiro no banco vai ganhando força. Nota importante: esse cenário só está em cima da mesa porque Jorge Jesus, a opção número 1, não está disponível.

O treinador do Flamengo já tinha sido sondado noutras ocasiões por Luís Filipe Vieira, com quem voltou a ter uma relação próxima depois de algum tempo de afastamento após a saída do treinador para Alvalade em 2015, e nos últimos dias houve um convite formal para regressar à Luz. A questão do salário não era problema insuperável, a questão do projeto também não mas houve um ponto com o qual os responsáveis encarnados contavam e que não se confirmou: a possibilidade do Brasileirão continuar suspenso, o mesmo se aplicando à Taça dos Libertadores. Ambas as competições irão arrancar em agosto e, numa conversa com elementos do Flamengo, sobretudo os jogadores, confirmou que ficará para lutar de novo por todos os títulos como na época passada.

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Depois, Marco Silva. O antigo treinador do Everton, que passou pela Grécia e por outros clubes da Premier League, foi abordado pelos encarnados sem qualquer proposta formal numa fase em que tem um convite aliciante de uma formação estrangeira mas é sobretudo uma aposta de outros elementos da administração dos encarnados que não do próprio Luís Filipe Vieira. Para já, o ex-técnico do Sporting faz um compasso de espera para perceber se vai ou não ser solução, algo que tinha como objetivo nesta altura, mas não se encontra na frente das possibilidades para já como esteve na semana passada, o que não significa que não possa de novo voltar às prioridades. Leonardo Jardim não está disponível para regressar a Portugal, algo que já tinha manifestado a Frederico Varandas antes da chegada de Rúben Amorim. Vítor Pereira foi falado noutras ocasiões mas não agora. Paulo Sousa, segundo confirmaram também ao Observador, também nunca recebeu qualquer contacto ou proposta.

Assim, ganha força a hipótese de um treinador estrangeiro. Mauricio Pochettino, argentino que já foi seguido por formações portuguesas no Espanyol e no Southampton antes de chegar ao Tottenham, foi abordado e é uma espécie de sonho proibido mas que, ao ser abordado, não recusou de forma imediata a possibilidade de poder ir para o Benfica e mostrou até interesse no projeto desportivo construído pelos encarnados mas não tomará decisões a breve prazo porque prefere aguardar pelo fim das principais ligas europeias e da Champions, percebendo então se existem mudanças nas equipas com mais aspirações. Unai Emery, sem clube após a saída do Arsenal, está também na lista de possibilidades. Outros técnicos fizeram chegar a sua abertura, caso do argentino Sampaoli.

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“Como devem imaginar, a família benfiquista neste momento está demasiado… Mas devemos dizer que tudo fizemos e demos para na realidade sermos felizes este ano. Não fomos e é importante dizer algo que tenho sentido e que não vale a pena esconder: o único culpado sou eu e não vale a pena esconder. Mas quero dizer outras duas coisas importantes: só foi possível chegarmos aqui porque tivemos estabilidade, que para conquistarmos um bi estivemos 31 anos, para conquistarmos um tri estivemos 39 anos e conquistámos um tetra que nunca tínhamos conquistado”, começou por dizer Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, em conferência de imprensa.

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“Isto só se faz com muito amor, paixão, profissionalismo e determinação. Era importante dizer mais uma coisa: quem acabou em 2000 com aquilo no clube foram os benfiquistas. Se há aqueles que hoje estão a festejar a derrota do Benfica, quero dizer que na minha vida nunca verguei a nada e quando tomar a decisão não vou vergar. Vou falar com a minha família e espero tomar uma decisão quando chegar a Lisboa. É com profundo sentimento benfiquista que digo: não deixem voltar o passado porque fomos nós todos que demos cabo do Benfica mas é muito difícil fazer depois o que fizemos em 20 anos em termos desportivos, de infraestruturas e financeiros. Sou o único culpado, não há mais culpados. Fui eu. No final do jogo, o nosso treinador, com grande elevação, colocou o lugar à disposição. Disse que não achava que não tivesse qualidade ou capacidade para dar a volta mas sei que toda a gente quer que vá embora. Atenção: uma derrota não é o desespero de ninguém”, acrescentou.

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