Artigo publicado originalmente no dia 7 de julho e republicado agora, dia 17 de julho, a propósito da confirmação do acordo entre o Benfica e Jorge Jesus

O contexto no Benfica não estava fácil para Luís Filipe Vieira e conheceu mais alguns episódios nos últimos dias. A nível mais “político”, o peso de um movimento alternativo com personalidades de várias áreas da sociedade que tem falado e que procura um nome que cumpra os requisitos que consideram necessários para se apresentar às eleições tem aumentado, admitindo-se até que, mediante os nomes em causa, outros possam abdicar de ir às urnas em seu favor – e se Bagão Félix é sempre uma espécie de sonho proibido, há outros como João Noronha Lopes, antigo vice de Manuel Vilarinho que foi alto quadro internacional da McDonald’s, que se enquadram no perfil desejado. A nível mais “interno”, este sábado, a claque Diabos Vermelhos deixou numa tarja a mensagem “Fizeram a cama… agora deitem-se a vê-los festejar!”, queixando-se de mais uma vez “ter sido vítima de repressão policial nas imediações do estádio da Luz” – o que levará mesmo à apresentação de uma queixa-crime.

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O Benfica venceu na Luz o Boavista, naquele que foi o encontro com triunfo mais folgado nesta série recente de três vitórias nos últimos 14 compromissos oficiais e que assinalou também da melhor forma a estreia de Veríssimo no comando da equipa. O ex-adjunto foi confirmado no lugar até ao final da Liga e o próprio Vieira está sobretudo focado na próxima época. O desejo para treinador, esse, continua a ser o mesmo ainda antes da oficialização da saída de Bruno Lage (confirmada este sábado) e da permanência de Veríssimo: Jorge Jesus. E está próximo.

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Depois de uma primeira abordagem anterior que o técnico declinou, por considerar que não era um convite feito daquela forma que o retiraria do Flamengo, Luís Filipe Vieira, que voltou a ter relação próxima com Jesus depois do período de afastamento na sequência da ida para Alvalade no verão de 2015 após conquistar o bicampeonato, assumiu mais de perto o negócio, acedendo a alguns pontos sem os quais o técnico não sairia do Brasil. Foi isso que aconteceu esta semana, numa segunda abordagem, em que ficaram garantidos vários pedidos: manter uma condição salarial semelhante à que tem agora (contando com a equipa técnica, mais de 10 milhões brutos/época), ter possibilidade de reforçar o plantel com quatro/cinco jogadores que façam a diferença e merecer os recursos que possam não só lutar pelas provas nacionais mas também por uma boa campanha europeia.

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“Sou amigo do Jorge Jesus. Tenho uma grande relação com ele, é um grande treinador mas não posso dizer que desta água não beberei. Não sei se não regressa um dia. É um treinador que deixou uma marca no Benfica”, disse Vieira a 1 de junho, numa entrevista à Benfica TV antes do reinício do Campeonato… onde tinha também referido que Bruno Lage iria continuar no comando técnico da equipa fosse ou não campeão. Tudo depende agora de Jesus, de 65 anos, e dos prós e contras de uma proposta que está a ser avaliada em conjunto com o agente que esteve com o treinador na renovação de contrato pelo Flamengo. Ciente do pacto que fez com jogadores e equipa, é na situação que a América do Sul atravessa em relação à pandemia que estará outro factor para uma possível saída. Uma coisa é certa: a decisão está do lado do treinador, perante o que foi comunicado por Bruno Macedo, advogado que trabalhou com Jesus na renovação de contrato com o Flamengo e que está a intermediar agora as duas partes.

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“Não tenho a preocupação de Jorge Jesus sair agora. Quando fizemos o contrato, foi uma preocupação que tive com ele, independentemente de valor ou duração de contrato. A relação que o Flamengo tem com o Jorge Jesus é muito grande, madura, profissional. O que ficou acordado é que esse trabalho vai ser levado adiante até ao final desta temporada”, destacou à Fla TV o presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, acreditando que o português irá ficar no Brasil. O que, em condições normais, podia acontecer. No entanto, a evolução da pandemia na América do Sul continua a ser uma grande preocupação e a possibilidade de não haver regresso da Taça dos Libertadores a meio de agosto perante as dúvidas existentes em relação aos números que aquele continente continua a somar. Ainda assim, outras fontes próximas do treinador continuam a dizer que Jesus não devia voltar, que o Flamengo fará tudo para que não saia e que aguentando mais uma época poderá chegar a selecionador do Brasil.

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Confirmando-se a saída, nunca avançará antes desta quarta-feira, altura em que se realiza a final da Taça Rio que poderá valer mais um título a Jesus no Flamengo após ter ganho Campeonato, Libertadores, Supertaça do Brasil, Supertaça Sul-Americana e Taça Guanabara – se perder com o Fluminense, terá de definir mais tarde o Campeonato Estadual. Até lá, Nelson Veríssimo continuará à frente do comando da equipa encarnada, não havendo hipótese de surgir uma solução interna para 2020/21. Apesar de Jesus continuar a ser a grande prioridade de Vieira, até como trunfo num período que começa a tornar-se “pré-eleitoral”, há estrangeiros que continuam de reserva além de Marco Silva, uma solução apoiada por outros elementos da estrutura que não tanto o número 1.

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