O próximo ano letivo, 2020/2021, pode arrancar com manuais digitais em 10 escolas de diferentes contextos sócio-económicos e geográficos, diz João Costa, secretário de Estado da Educação, à Rádio Renascença. A rádio foi saber a opinião dos principais intervenientes no setor.

Jorge Sá Couto, administrador da JP Group — criadora dos computadores portáteis Magalhães, durante o Governo de José Sócrates — e Paulo Gonçalves, porta-voz da Porto Editora, veem nos manuais digitais uma oportunidade de negócio. Jorge Sá Couto considera que os manuais devem estar num computador (e não num tablet), antevendo assim uma segunda versão do Magalhães.

Já a Porto Editora, para quem uma parcela importante do negócio são a venda de manuais escolares, lembra que já trabalha em formato digital há 15 anos, com a Escola Virtual. Os acessos a esta plataforma, tornados gratuitos depois das escolas encerrarem devido à pandemia, cresceram exponencialmente.

Jorge Ascensão, responsável da Confederação das Associações de Pais, e Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, não discordam da passagem para o digital, mas pedem que seja bem planeado para não se desperdiçar o dinheiro investido. Jorge Ascensão aconselha que o material seja entregue às escolas e não aos pais, como aconteceu com os Magalhães, em que muitas famílias não preservaram o material ou acabaram mesmo por vendê-lo. Filinto Lima, presidente da Associação Nacional das Escolas Públicas, concorda com Jorge Ascenção e diz à rádio Observador que espera ver os manuais entregues às escolas para não ver outra situação como os Magalhães.

As notícias das 10h

Mário Nogueira diz à rádio Observador que o recurso a manuais digitais será mais fácil para os professores mais jovens e que todos os docentes precisam de formação, mas não deixa de lembrar, que tal como aconteceu durante o ensino à distância neste ano letivo, o recurso a meios digitais pode agravar as desigualdades entre alunos.

“Manuais digitais não fazem milagres e há outros problemas”

Do lado do ambiente, Francisco Ferreira, presidente da associação ambientalista Zero, também saúda a iniciativa. Apesar dos gastos energéticos e com materiais, a transição, ainda que parcial, para os manuais digitais vai implicar uma redução significativa no número de árvores e quantidade de água usada para produzir papel.

Atualizado com as declarações à rádio Observador às 10h30