Afinal, Inglaterra vai continuar a exigir a todos os passageiros que cheguem de Portugal um período de quarentena de 14 dias, sem qualquer exceção. A informação já foi confirmada pela embaixada britânica em Lisboa, que, em comunicado, diz saber que “é um resultado dececionante para Portugal“, tendo em conta “os esforços abrangentes por parte do governo português e das autoridades de saúde“.

Apesar de reconhecer que os indicadores estão “a melhorar em Portugal”, a embaixada sublinha, no entanto, que “o primeiro dever de qualquer governo é proteger a sua população” e que “a prevalência do vírus em Portugal continental durante o período recente permaneceu persistentemente alta”. Os números “não estão ainda a um nível que permita ao governo britânico aliviar estas restrições”

O ministro dos Negócios Estrangeiros já disse lamentar a decisão das autoridades inglesas, que hoje reviram a lista de países considerados “seguros”. Augusto Santos Silva entende que a decisão “não está fundamentada nos factos e dados que são conhecidos“, e diz que “aguardará que as autoridades britânicas evoluam”.

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O que eu combinei com o MNE britânico foi cumprido“, disse o governante no final do debate do Estado da Nação, explicando que o Governo deu as informações necessárias. Augusto Santos Silva revela que estavam em causa cinco critérios para admissão: testagem, letalidade, índice de reprodução e capacidade de resposta do SNS e número de casos por 100 mil habitantes. “O Governo português demonstrou que a situação portuguesa era muito positiva”, disse o ministro.

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“As autoridades britânicas tiveram ontem a cortesia de nos informar da decisão”, diz Santos Silva. Mas “não tiveram a cortesia de explicar” os fundamentos científicos dessa decisão, lamenta o ministro. O governo britânico “não foi capaz de explicar fundamentos políticos e técnicos da decisão”. Também os empresários do setor já vieram mostrar a sua desilusão.

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Esta não era a notícia esperada, tendo em conta que o jornal britânico The Times tinha avançado com a informação de que Inglaterra se preparava para incluir Portugal nos países seguros para viajar em contexto de pandemia. O jornal referia que o ministro dos Transportes, Grant Shapps, deveria fazer a atualização da lista de até agora 59 países considerados seguros por Inglaterra e que esta medida surgia na sequência de lobby português no sentido da inclusão nesta lista.

A decisão de Inglaterra — e não do Reino Unido, que nesta matéria reserva o direito de decisão a cada nação que o compõe — de não incluir Portugal na lista de países seguros foi mal recebida pelo Governo quando foi anunciada no início do mês de julho. À altura, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, admitiu “desapontamento” com a decisão em causa.

“Seria apenas um absurdo se não tivesse consequências”, disse o ministro, alertando para a queda no turismo britânico, que representa a maior fatia naquele que o país recebe.

Em 2019, o turismo britânico (e não apenas inglês) representou 19,2% das dormidas de estrangeiros. De acordo com o INE, este tem sido um valor em crescimento estável desde 2013, apenas com a exceção do ano de 2018. Os destinos preferenciais dos turistas britânicos foram o Algarve (63,4% das dormidas do mercado), a Madeira (18,5%) e a Área Metropolitana de Lisboa (10,8%).

Na revisão da lista de países feita esta sexta-feira, Espanha permanece como um dos 74 destinos considerados “seguros”, a quem não é exigido o isolamento, de acordo com o The Telegraph. A 28 de julho, cinco novos países vão integrar a lista: Eslovénia, Eslováquia, Letónia, Estónia e São Vicente e Granadinas.