Jorge Buescu, matemático que há vários meses tem trabalhado em vários modelos de previsão da evolução da pandemia em Portugal, considera que “foi por quatro dias que se evitou o colapso do sistema nacional de saúde”, referindo-se ao momento em que foram anunciadas as medidas de confinamento em março.

Em declarações à Rádio Observador, o matemático analisou os números mais recentes da pandemia no país, assinalando que “o que estamos a observar é, depois da primeira grande onda que levou ao confinamento, houve uma segunda onda de muito maior comprimento de onda e mais baixa amplitude ao longo do verão – uma espécie de ‘ondoleta’ de verão”.

Jorge Buescu: “O sistema de saúde não colapsou por 4 dias”

A respeito dessa primeira onda, Jorge Buescu comentou que “o confinamento conseguiu controlar” a expansão “exponencial” do número de casos. “Olhando para trás, conseguimos escapar ao colapso do sistema de saúde por quatro dias. Se tivéssemos esperado mais quatro dias para tomar essas medidas teríamos seguido o caminho de Espanha e de Itália”, comenta.

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Esta é uma análise em relação à qual Jorge Buescu tem “a certeza absoluta”: “Estávamos a duplicar os casos em cada dois dias, dois dias e meio – estávamos em crescimento exponencial. Quatro ou cinco dias teria sido suficiente para que os internamentos e a situação hospitalar tivesse colapsado”.

Nesta fase, “a onda está na fase descendente, o que é muito bom. Estamos em contraciclo com muitos dos outros países europeus, que não tiveram esta onda de verão e que agora estão a subir novamente. Nós estamos na fase descendente desta ‘ondoleta’ de verão e ainda bem, porque seria muito mau que chegássemos à rentrée, em setembro, início de outono, em que praticamente se sabe que as coisas são recrudescer com um número muito grande de casos”, concluiu.