Já passou um mês desde que o Governo decidiu acabar com as reuniões quinzenais no Infarmed — onde os responsáveis políticos ouviam os especialistas de saúde sobre a evolução da pandemia de Covid-19 no país — e essa análise segue agora para os principais responsáveis políticos num ficheiro PDF. É um relatório detalhado que o Governo se comprometeu consigo mesmo a enviar sempre que lhe chegar da parte dos especialistas, mas que nem por isso está a encher as medidas dos partidos. “Sem transparência não é possível combater desconfiança”, diz ao Observador o vice-presidente da bancada do PSD, Ricardo Batista Leite .

A 31 de julho foi enviado o relatório número 1 que faz a “Monitorização da situação epidemiológica de Covid-19” e aterrou, via gabinete do secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, nas caixas de correio dos partidos com assento parlamentar. É muito menos do que aquilo que o requerimento do Bloco de Esquerda, entretanto aprovado na comissão parlamentar de saúde, determinava. Os bloquistas queriam que a informação obtida nas reuniões quinzenais na sede do Infarmed, que juntavam na mesma sala os responsáveis políticos, fosse não só reencaminhada para o Parlamento — como está a acontecer –, mas também que fosse publicitada no site da Assembleia da República — o que não acontece, já que apenas os partidos podem aceder a ela e não o cidadão comum.

Já o PSD queria mesmo que as reuniões presenciais continuassem, mas aí o PCP juntou-se ao PS e bloqueou a intenção. Por isso, na sexta-feira passada, os sociais-democratas foram por outra via. Pediram, através de uma projeto de resolução (que não é mais do que uma recomendação ao Governo) que entrou em plenas férias parlamentares, que o site da Direção-Geral da Saúde tenha “de forma atualizada e diária” informação sobre a evolução da Covid-19 em Portugal. E detalha mesmo que dados pretende ver nessa versão alargada dos famosos boletins diários (agora apresentados em conferência de imprensa apenas três vezes por semana no Ministério da Saúde). A ideia é ter “um relatório mais detalhado e georeferenciado, até ao ponto em que a DGS consegue anonimizar os dados”, defende o deputado do PSD em declarações ao Observador.

O novo ciclo, o fim das reuniões, a especialista que não esteve: as reações dos partidos ao encontro no Infarmed

Este artigo é exclusivo para os nossos assinantes: assine agora e beneficie de leitura ilimitada e outras vantagens. Caso já seja assinante inicie aqui a sua sessão. Se pensa que esta mensagem está em erro, contacte o nosso apoio a cliente.