A Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, revelou que foi já aprovado o reforço de 5800 pessoas para instituições do setor social, ao abrigo de um programa especial criado em abril.

Em entrevista ao Expresso, Ana Mendes Godinho explica ainda que o objetivo, afirma, é colocar cerca de 15 mil até ao fim de 2020. Este programa paga 90% do custo da contratação até ao fim de dezembro e depois, se ficarem no quadro, dá um prémio de dois salários mínimos a quem integrar estas pessoas. O anúncio é feito depois de vários lares se terem confrontados com surtos de Covid-19 e com falta de meios humanos para dar resposta, sendo o caso mais grave o do lar de Reguengos de Monsaraz que já está a ser investigado pelo Ministério Público.

O Presidente da da Associação de Apoio Domiciliário, de Lares e Casas de Repouso de Idosos lembra que a falta de funcionários não é de agora

Em reação a este anúncio, João Ferreira de Almeida, presidente da Associação de Apoio Domiciliário, de Lares e Casas de Repouso de Idosos lembra que a “falta de recursos humanos em lares não é só agora por causa da pandemia, já vem de trás”. O responsável ouvido pela rádio Observador sublinha ainda que a falta de pessoa se verificará mais nas instituições de solidariedade social do que nos lares privados.

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“A larga maioria dos lares privados cumpre o rácio de pessoal que estão estabelecidos na legislação que está em vigor.”

João Ferreira de Almeida refere ainda que as orientações da Direção-Geral de Saúde para os lares são bem estruturadas e completas. “O problema é depois o rigor e a disciplina com que essas medidas são aplicadas ou não”, assinalando que depois dos funcionários saírem do serviço, não há forma de controlar se cumprem as regras para evitar o contágio.

Maioria dos 15 mil trabalhadores para instituições sociais estão em bolsa de substituição

Já o Padre Lino Maia, presidente da Confederação Nacional das Instituições Sociais, considera que estas contratações podem constituir uma reserva de efetivos para eventuais emergências, como baixas de pessoal. Em declarações à Antena 1, frisa que os lares de idosos precisam de muitos recursos humanos e que por isso defende a importância de se criarem reservas de funcionários para responder a necessidades que surjam. Referiu também a possibilidade de esses funcionários ficarem adstritos às instituições.