A iniciativa do Governo britânico para incentivar as pessoas a voltarem a frequentar restaurantes, pagando metade do custo das refeições até 10 libras (11 euros), está a ajudar muitos restaurantes portugueses em Londres afetados pela pandemia de Covid-19.

Os responsáveis de “O Moinho”, “Lusitania” e “A Toca”, três estabelecimentos vizinhos em Wandsworth Road, no sul da capital britânica, disseram à agência Lusa que viram as reservas disparar entre segunda e quarta-feira, quando o desconto é aplicável.  “Nós estamos sempre cheios. Já nem podemos reservar mais mesas porque as pessoas vão vindo. Foi um esquema muito bem feito”, contou o proprietário de “O Moinho”, Pedro Fernandes.

A promoção, intitulada “Eat Out to Help Out” [Coma Fora Para Ajudar], em vigor apenas durante agosto, segundo números do Ministério das Finanças britânico, foi usado 64 milhões de vezes nas três primeiras semanas no Reino Unido, fazendo a procura aumentar mais 61% do que no mesmo período do ano passado. O desconto de 50% aplica-se a todos os alimentos e bebidas não alcoólicas em estabelecimentos participantes até um desconto máximo de 10 libras por pessoa.

“As pessoas evitam um bocadinho o álcool porque não tem desconto. Mas comem bem, às vezes pedem até mais do que um prato por pessoa, chegam até a degustar pratos que são um bocadinho mais caros e normalmente não são acessíveis. Eles aproveitam agora e fazem muito bem, o Governo está a fazer isto e mais tarde nós vamos pagar tudo novamente, mas a verdade é que foi uma ideia genial e as pessoas estão a aproveitar”, adiantou Fernandes.

Também Fernando Marques, proprietário do restaurante “A Toca”, admite que a iniciativa veio ajudar, pois a faturação tinha caído cerca de 50% desde a reabertura, no início de julho.  “Agora parece que perderam o medo ao vírus. Temos a casa cheia e já não posso aceitar mais reservas”, disse Marques, satisfeito por ter assim garantido o posto de trabalho de 18 funcionários.

Artur Andrade, gerente do restaurante “Lusitania”, foi forçado a dispensar 30% do pessoal e a reduzir a capacidade do espaço para metade dos 160 lugares, que lotava ao fim de semana quando realizava eventos de música ao vivo.  “O ‘Eat Out’ veio ajudar nos outros dias. Muitos ingleses locais têm vindo experimentar. A promoção foi um motor, mexeu muito com a restauração e os fornecedores”, vincou.

Flávia Duarte confessou que tem aproveitado bastante.  “Tem duas semanas que eu saio de segunda a quarta. Às vezes para almoçar, às vezes para almoçar e jantar. Tem sido muito bom não só pelo medo da pandemia, mas pelo medo de gastar”, adiantou.

Mãe recente, Cátia Almeida também disse que foi a primeira vez que comeu fora em família desde o confinamento e que a promoção foi um incentivo adicional.  “Acho que há sempre o receio porque nunca sabemos com quem vamos estar em contacto ou onde é que poderemos apanhar o vírus ou não. Temos sempre receio. Se não houvesse este desconto, se calhar as pessoas ficariam mais em casa. Isto que o Governo fez é mesmo motivar as pessoas a sair e a ajudar quem tem um negócio”, justificou.

O sucesso tem sido tal que “O Moinho” deixou de fechar para descanso à segunda-feira e o “Lusitania” e outros restaurantes britânicos decidiram prolongar, às próprias custas, a promoção durante o mês de setembro.

“Vai ser um risco, mas não é assim tanto porque as pessoas vêm e gastam dinheiro. Vêm em grupos, compram cervejas ou uma boa garrafa de vinho”, prevê Artur Andrade.

O Reino Unido registou até domingo pelo menos 41.499 mortes desde que começou a pandemia, entre mais de 334 mil casos confirmados de infeção com o novo coronavírus.

A pandemia de Covid-19 já provocou pelo menos 843 mil mortos e infetou mais de 25 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.