A imprensa espanhola já tinha avançado que Lionel Messi iria quebrar o silêncio esta sexta-feira. Confirmou-se, ao início da tarde, através de um comunicado. Mas houve algo que acabou por diferir em relação ao que era pensado: em cinco parágrafos, o argentino nunca faz qualquer alusão à vontade que tem ou não nesta fase de deixar o clube mas deixa um forte ataque à Liga espanhola, que se colocou ao lado do Barcelona no diferendo existente. E não fez alusão por uma única razão: queria mostrar que tem razão apesar de já ter decidido ficar no Barcelona para cumprir o último ano de contrato, numa notícia que começou a ser avançada pelo Clarín e pelo TyC Sports. Às 18h, o capitão anunciou isso mesmo numa entrevista ao Goal.com (e não num vídeo, como chegou a ser dito).

“Nunca iria a tribunal contra o clube que amo”, destacou o jogador, entre muitas críticas ao presidente do clube, Josep Maria Bartomeu. “Disse ao clube, sobretudo ao presidente, que queria ir embora. Passei o ano todo a dizer. Acreditava que era o momento de dar um passo ao lado. Acreditava que o clube necessitava de sangue mais novo, gente nova e pensava que a minha etapa no Barcelona tinha terminado sentindo muito porque sempre disse que queria acabar a minha carreira aqui. Há algum tempo que não há projeto, não há nada”, assumiu.

Antes, a missiva enviada para a Liga Espanhola de Futebol, produzida esta manhã nos escritórios da Fundação Lionel Messi (a menos de um quilómetro de Camp Nou) com o pai e a equipa de advogados que está a fazer a assessoria ao jogador neste processo – e que, a título de curiosidade, trabalhava antes com os blaugrana, que entretanto acabou com essa ligação –, é enviada diretamente à Liga Espanhola de Futebol e assinada pelo pai e representante do esquerdino, começando por destacar que se trata de uma resposta à nota informativa feita pelo órgão a 30 de agosto “sobre a situação contratual do jogador, à margem da óbvia parcialidade pelo papel que a instituição representa”. Nesse texto, a Liga defendeu de forma aberta que o Barcelona tinha razão e que Messi teria de pagar 700 milhões de euros para sair.

“Desconhecemos que contrato é que analisaram e quais são as bases para chegarem a essas conclusões mas as mesmas contrariam o que está na ‘cláusula de rescisão’ aplicável no caso de o jogador decidir utilizar a extinção unilateral do mesmo, com efeitos a partir do final da temporada desportiva 2019/20″, destaca. Ou seja, e mais uma vez, a defesa de Messi coloca a cláusula 24 a apontar para o final da época e não para 10 de junho, a data que o clube defende como sendo válida e que o jogador não interpreta dessa forma porque as provas acabaram apenas em agosto devido à pandemia, antes de especificar ainda mais a questão.

“Isso deve-se a um evidente erro da sua [Javier Tebas, presidente da Liga] parte, como está na cláusula 8.2.3.6 do contrato celebrado entre o jogador e o clube: ‘Esta indemnização não se aplicará quando a resolução do contrato por decisão unilateral do jogador tenha efeitos a partir do final da temporada desportiva 2019/20’. Sem prejuízo de outros direitos que existem no contrato e que os senhores omitem, é óbvio que a indemnização de 700 milhões de euros, prevista na cláusula anterior, não é aplicável em absoluto”, termina na parte final.

“A Liga recebeu uma resposta por parte de uma mensagem enviada pelo entorno do jogador Leo Messi. Essa mesma resposta manifesta e confirma a interpretação descontextualizada que realizam do contrato em termos literais, pelo que a Liga reitera o comunicado emitido a 30 de agosto”, respondeu pouco depois a Liga Espanhola de Futebol, presidida por Javier Tebas, reforçando a ideia que para sair até 2021, a não ser que exista acordo, o argentino terá de pagar os tais 700 milhões de euros previstos na cláusula de rescisão.