O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, afirma que a Educação para a Cidadania está a ser alvo de uma instrumentalização para uma “campanha de criação de movimento extremistas” e anunciou um investimento no Ensino Profissional, que espera chegar aos mais de 500 milhões de euros.

Numa longa entrevista ao Notícias Magazine, questionado sobre a polémica sobre os dois alunos que chumbaram depois de o pai alegar objeção de consciência para que não frequentassem a disciplina de Educação para a Cidadania, Tiago Brandão Rodrigues considerou que a questão vai além deste caso.

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Para o ministro, “parte da sociedade portuguesa que se tem demonstrado reacionária”tem procurado instrumentalizar” a disciplina de Educação para a Cidadania “para fazer uma certa dialética política”, referindo que o que está por trás desta polémica é uma “campanha de criação de movimentos extremistas”.

(…) Nunca como hoje foi tão premente e necessário haver uma verdadeira Educação para a Cidadania”, afirmou Tiago Brandão Rodrigues, acrescentando que, apesar de as famílias terem livre arbítrio, a sociedade não se pode demitir deste tipo de questões.

A propósito da pandemia, o ministro da Educação afirmou que o Governo “está a trabalhar para que todos os alunos da escolaridade obrigatória” das escolas públicas “possam ter um computador e acesso à Internet”, indicando que vão ser distribuídos 100 mil computadores com conectividade, “a começar pelos alunos da Ação Social Escolar”. Além disso, está a ser preparado “um conjunto de regras” para que o Desporto Escolar possa acontecer.

Destacando um aumento de “quase mil milhões de euros”, nos últimos cinco anos, no Orçamento para a Educação, Tiago Brandão Rodrigues anunciou que será lançado “um programa nacional de literacia para adultos”, cujo objetivo é chegar a “50 mil pessoas até 2025” e que haverá uma “forte aposta no Ensino Profissional”: “(…) quero acreditar que vamos poder alocar mais de 500 milhões de euros para que o Ensino Profissional possa dar um salto de qualidade na oferta e termos um verdadeiro sistema de antecipação das necessidades para formar mais rápido e melhor.”

Sobre o futuro, o ministro da Educação, que diz ter aceitado o convite de António Costa para o cargo num “sentido de missão”, não descarta a possibilidade de um terceiro mandato.