Não tinha entrado nos 15 melhores tempos nas sessões livres do primeiro dia, falhou a Q2 por apenas uma décima, não foi além do 18.º registo na qualificação. Depois de (mais) uma prova onde correu de trás para a frente, fintou a queda de Valentino Rossi na primeira volta e fez a estreia em corrida com pista molhada no MotoGP, o sexto lugar de Miguel Oliveira no Grande Prémio de França, mesmo com aquela “frustração” de não ter passado Dovizioso e com isso ter permitido o ataque de Zarco nas últimas curvas, foi positivo pelo contexto no qual foi conseguido. No entanto, deixou uma espécie de “lição” para as provas seguintes. Neste caso, não cumprida.

Melhorou mas não o suficiente (e vai fazer outra corrida de trás para a frente): Oliveira em 18.º na qualificação para o GP de Aragão

O português voltou a mostrar a sua frustração em Le Mans por não ter conseguido melhor do que o 12.º lugar no Q2, depois de problemas técnicos que encostaram uma moto e uma queda que parou a outra. E mostrou porque se o andamento em corrida na pista era positivo e ao nível dos melhores (neste caso, das Ducati sobretudo), mais uma vez ficou condicionado por uma largada muito atrás em relação aos principais candidatos que ainda foi atrapalhada pela saída de pista de Rossi. Por isso, o grande objetivo no primeiro de duas provas em Aragão passava por corrigir essa questão e ter outro contexto para chegar ao top 5 pretendido. Não conseguiu, longe disso.

Foi uma qualificação difícil. Tivemos os mesmos problemas que na sexta-feira mas com o pneu novo. Senti muitos problemas de tração atrás. A equipa fez algumas alterações para melhorar mas não surtiram efeito. Qualificar tão atrás é duro mas equipa tem agora tempo para analisar e tentar retificar para a corrida, de forma a fazer uma boa recuperação”, comentou após o 18.º lugar na qualificação.

Brandley Smith, Tito Rabat e Stefan Brandl foram os únicos pilotos com pior registo do que o português, sendo que a própria KTM registou resultados muito aquém com Pol Espargaró a não passar da 12.ª posição no Q2 e Brad Binder a ficar pelo Q1 com o 14.º registo. No entanto, a própria saída na grelha de partida prometia uma prova que dava alguma margem para subir lugares na classificação, com a Yamaha de novo a conseguir os melhores tempos por Fabio Quartararo, Maverick Viñales e Franco Morbidelli mas a Suzuki de Joan Mir e Álex Rins mais estável, a Honda a conseguir um surpreendente terceiro tempo com Cal Crutchlow e a Ducati a conseguir melhorar na parte final deste sábado, colocando Jack Miller e Danilo Petrucci em posições mais adiantadas.

Como era de prever, a luta pelos primeiros lugares na saída foi discutida pelas Yamaha, com Viñales a travar muito cedo na primeira curva mas a conseguir depois ficar à frente de Morbidelli e Quartararo enquanto Cal Crutchlow se afundou para a 12.ª posição. Já Miguel Oliveira, com pneu médio à frente e macio atrás, ganhou um lugar a Iker Lecuona no arranque, chegou a estar na frente de Pecco Bagnaia mas voltou a descer a 17.º ainda na primeira volta. Enquanto na frente eram as Ducatis e as Suzukis tentavam encurtar distâncias para os lugares da frente, as quatro motos da KTM (fábrica e Tech3) estavam juntas depois da queda de Bagnaia, com Pol Espargaró, Brad Binder, Miguel Oliveira e Iker Lecuona entre as 14.ª e 17.ª posições, com ritmos afastados dos primeiros.

O português mantinha a distância em relação a Binder em 1.2 segundos, Álex Rins brilhava na frente superando Morbidelli e Quartararo para ir em busca de Viñales na liderança da prova ao mesmo tempo que o companheiro de equipa, Joan Mir, tentava chegar-se a Quartararo para reduzir ainda mais distâncias no Mundial. Era um primeiro capítulo daquilo que viria a acontecer pouco depois, com a falência das Yamaha, a passagem de Álex Rins e Joan Mir para os dois primeiros lugares e o aparecimento da Honda de Álex Márquez mais uma vez a discutir as posições da frente depois do segundo posto em pista molhada no Grande Prémio de França. Já na parte atrasada da corrida, com Fabio Quartararo a cair a pique para a 17.ª posição entre erros próprios, dificuldades físicas pelas duas quedas nos últimos dias e problemas na moto, Miguel Oliveira continuou com tempos lentos de corrida que nem a adaptação dos pneus melhorou e andou a lutar pelo 15.º lugar com Lecuona e, mais tarde, Petrucci.

O português acabou mesmo no 16.º posto, falhando pela primeira vez os pontos em 2020 nas provas em que chegou ao fim, ao passo que Álex Rins foi o oitavo vencedor diferente em dez provas esta temporada, à frente de Álex Márquez. O dia de festa da Suzuki teve mais motivos de celebração, com a passagem de Joan Mir para o primeiro lugar do Mundial e também da marca na classificação dos construtores. “Foi uma corrida difícil. Ao menos senti-me competitivo na primeira parte da prova, mas mais tarde foi difícil para mim gerir o pneu. Terminei rápido mas comecei a perder tempo. Foi complicado terminar a corrida. Acho que o nosso potencial para melhorar é alto, por isso vamos tentar concentrar-nos nisso e fazer o nosso melhor no próximo”, comentou no final o português, que desceu ao décimo lugar do Mundial com a ascensão de Rins à sétima posição.