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Não é propriamente uma pista talismã mas Miguel Oliveira já se deu bem no Circuito de Aragão, onde ganhou em Moto3 em 2015 (apenas o terceiro triunfo alcançado na categoria) e chegou ao pódio na terceira posição em Moto2 em 2017 (sexto pódio na categoria intermédia). Talvez por isso, o português apontava ao top 5 das três corridas em domingos consecutivos que tiveram início em Le Mans e iriam agora ter duas provas em Espanha. E o início dessa meta começou quase da melhor forma, com um sexto lugar no Grande Prémio de França que ameaçou ser quarto quando tentava superar Andrea Dovizioso e deixou de ser quinto ao ser ultrapassado por Johann Zarco. Mais uma vez, a qualificação foi um dos obstáculos a superar e o primeiro dia em Aragão também não foi o melhor.

A chuva atrapalhou mas o Falcão abriu as asas: Oliveira recupera 12 lugares, acaba em sexto e faz terceiro melhor resultado em França

Na primeira sessão de treinos livres, Miguel Oliveira não foi além do 16.º lugar com 1.51,357, atrás inclusive do companheiro de equipa na Tech3, Iker Lecuona (13.º) e a rodar a quase um segundo de Pol Espagaró, da KTM, num período onde as Yamaha voltaram a dominar depois da grande corrida das Ducati em França. Na segunda sessão, o tempo de 1.49,208 também não valeu mais do que a 17.ª posição, reduzindo apenas a diferença para o espanhol da equipa de fábrica para menos de meio segundo. No rescaldo do desempenho na sexta-feira, o piloto de Almada admitiu a necessidade de fazer mais para ter uma palavra a dizer na corrida de domingo.

“As condições hoje foram duras. De manhã rodámos mas ainda com algumas dificuldades para aquecer o pneu dianteiro – acho que como todos. De tarde, sabíamos que poderia ser muito semelhante à sessão de qualificação porque não sabemos as condições para os TL3 de amanhã [sábado] de manhã. No final, atacámos os tempos duas vezes e ainda acho que temos bastante a melhorar na moto. Esperamos ter ainda algum tempo para trabalhar nisso amanhã [sábado] de manhã e depois ainda ter a oportunidade de passar diretamente a Q2 nos TL3. Continuamos a trabalhar, a ver onde podemos melhorar e a fazer o nosso melhor”, comentou o piloto português, em declarações à sua assessoria de imprensa, projetando o que poderia acontecer em termos de qualificação.

Em nove provas realizadas até ao momento, Miguel Oliveira tinha estado por seis ocasiões no Q2, em mais uma prova do salto brutal que deu do primeiro para o segundo ano no MotoGP que já valeu até uma memorável vitória no Grande Prémio da Estíria. No entanto, chegando aos 12 melhores na qualificação, o português só conseguiu um quinto lugar na Andaluzia e a oitava posição na Estíria, caindo nas outras para 11.º (Áustria) ou 12.º (São Marino, Catalunha e França. E esse acabou por ser depois um problema nos dias seguintes de prova, estando quase sempre a correr de trás para a frente para saltar lugares e encostar na frente. Daí também a importância do que seria capaz de fazer este sábado, com essas condicionantes registadas nos primeiros treinos livres.

Com o tempo de 1.48,754, Miguel Oliveira começou a manhã de sábado com o nono melhor registo, já à frente de Brad Binder (companheiro da KTM com moto de fábrica) e a cerca de 0.4 segundos de Pol Espargaró. No total dos tempos combinados, o português ficou com o 11.º registo, apenas a uma décima de Maverick Viñales que foi o último a assegurar apuramento direto para a Q2. Apesar disso, percebeu-se que o piloto de Almada estava mais confiante em pista, o que poderia ser um bom sinal para a quarta sessão de treinos livres e a restante qualificação, ao contrário de Fabio Quartararo, líder do Mundial com dez pontos de avanço sobre Joan Mir que sofreu uma queda, foi assistido na clínica móvel e saiu com uma muleta devido às queixas na anca esquerda.

A dificuldade no Q1 do Grande Prémio de Aragão quase se assemelhava a uma Q2, com Miguel Oliveira na pista com Petrucci, vencedor da última prova em França, Dovizioso, atual terceiro classificado do Mundial, Jack Miller, Pecco Bagnaia ou Brad Binder. Sendo o primeiro piloto a parar, o português estava apenas com o sexto registo, desceu para oitavo e fez a volta inicial lançada da segunda tentativa a três minutos do final da sessão, não sendo capaz de melhorar o registo apesar dos tempos mais rápidos em alguns setores da posta. Desta forma, o piloto da KTM vai sair do 18.º lugar para a prova deste domingo, o que irá dificultar ainda mais o objetivo de chegar ao top 5 da corrida espanhola. Na Q2, Quartararo mostrou que está recuperado e fez o melhor tempo, saindo da primeira linha da grelha com Maverick Viñales e Cal Crutchlow, a grande surpresa do dia.