As Nações Unidas e a União Europeia condenaram esta quarta-feira a brutalidade policial na Nigéria e exigiram a responsabilização dos autores da repressão de terça-feira que causou vários feridos e mortos em Lagos.

Numa declaração transmitida pelo seu porta-voz, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou ao “fim da brutalidade e dos abusos policiais na Nigéria”, após a repressão que na terça-feira deixou pelo menos 20 pessoas mortas em manifestações de uma escala sem precedentes contra o regime.

Os tiros foram disparados na terça-feira à noite pelas forças armadas contra jovens manifestantes que montavam barricadas junto à praça Lekki, em Lagos, causando 25 feridos, segundo o governador do estado de Lagos, Babajide Sanwo-Olu.

Antonio Guterres “insta as forças de segurança a terem sempre a máxima contenção, apelando aos manifestantes para que protestem pacificamente e se abstenham de quaisquer atos de violência”.

Por seu lado, o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, condenou a repressão sangrenta desta manifestação pacífica, ocorrida em Lagos, a capital económica da Nigéria.

“É alarmante saber que várias pessoas foram mortas e feridas durante as manifestações” contra a violência policial, disse Josep Borrell, através de uma declaração divulgada esta quarta-feira.

É crucial que os responsáveis por estes abusos sejam levados à justiça e obrigados a prestar contas”.

Os protestos a nível nacional contra a brutalidade policial abalaram a Nigéria durante mais de duas semanas e as reivindicações dos manifestantes alargaram-se ao fim da corrupção, a um Governo responsável e ao respeito pelos direitos humanos na nação mais populosa de África, de 196 milhões de habitantes.