O presidente da Câmara de Paredes de Coura classificou de “moderadas e aceitáveis” as novas restrições este sábado anunciadas para 121 concelhos por causa da pandemia e apelou à “mudança de comportamentos” para evitar medidas “mais drásticas e dramáticas”.

“Nesta altura, são medidas moderadas e aceitáveis, mas se não mudarmos os nossos comportamentos poderão ser tomadas medidas mais drásticas e dramáticas”, afirmou à Lusa o socialista Vítor Paulo Pereira.

Cento e vinte e um municípios vão ficar abrangidos, a partir de quarta-feira, pelo dever cívico de recolhimento domiciliário, novos horários nos estabelecimentos e teletrabalho obrigatório, salvo “oposição fundamentada” pelo trabalhador, devido à Covid-19, anunciou este sábado o primeiro-ministro, António Costa.

“Se não mudarmos os nossos comportamentos podem ter a certeza de que vamos ter Páscoa no Natal. Lembram-se?”, questionou Vítor Paulo Pereira.

O autarca de Paredes de Coura adiantou que “nos últimos 15 dias o concelho teve um aumento considerável de casos de Covid-19, situação que contrasta com a de meses anteriores”.

“Sempre dissemos que Paredes de Coura vivia uma situação de aparente ou falsa segurança e que as pessoas deveriam continuar vigilantes porque não existem soluções mágicas para controlar esta pandemia. E basta um pequeno descuido para atingirmos níveis de contágio elevados”, referiu.

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Dos dez concelhos do distrito de Viana do Castelo, seis integram a lista nacional de 121 concelhos considerados de risco elevado.

Além de Paredes de Coura, a medida abrange os concelhos de Viana do Castelo, Valença, Ponte de Lima, Vila Nova de Cerveira e Caminha.

“As gerações anteriores passaram por guerras e catástrofes e souberem resistir. A nós pedem-nos para usarmos máscara, lavar as mãos e evitar ajuntamentos e queixamo-nos. Temos de ser disciplinados, organizados e ter um grande sentido de comunidade que começa em cada um de nós”, apelou Vítor Paulo Pereira.

Segundo o primeiro-ministro, António Costa, que falava após uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros, em Lisboa, os restaurantes nestes 121 concelhos do continente – uma lista que será revista a cada 15 dias – não poderão ter mesas com mais de seis pessoas e o seu horário de fecho passa a ser as 22:30.

Os estabelecimentos comerciais terão de fechar, na generalidade, às 22:00.

Também nestes territórios – que representam 70% da população residente -, ficam proibidas as feiras e os mercados de levante, e os eventos e celebrações ficam limitados a cinco pessoas, exceto nos casos em que os participantes pertencem ao mesmo agregado familiar.

“Se nada tivermos a fazer de imperioso, devemos ficar em casa. Claro que podemos sair para ir trabalhar, para ir à escola, para fazer as compras, para fazer algum exercício físico nas proximidades, passear animais de companhia, dar assistência a alguma pessoa que precise, mas a regra não podemos esquecer: devemos ficar em casa”, afirmou António Costa.

Nos 121 concelhos torna-se também “obrigatório o desfasamento dos horários de trabalho, tal como já está legislado e em vigor”.

“O teletrabalho torna-se obrigatório, salvo oposição fundamentada por parte do trabalhador e nos termos da regulamentação do teletrabalho, que já temos em apreciação na concertação social e que brevemente entrará em vigor”, acrescentou o primeiro-ministro.

Para definir a lista dos 121 municípios, foram incluídos os concelhos com mais de 240 casos de infeção com o vírus da Covid-19 por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias.