O ministro da Economia diz estar “extremamente preocupado” com o crescimento do desemprego. Siza Vieira, que responde aos deputados no âmbito da discussão na especialidade do Orçamento do Estado para 2021, admite que são sobretudo os trabalhadores com vínculo frágil que engrossam os números do INE e do IEFP.

“Estou extremamente preocupado — garanto-lhe que não será maior a sua preocupação do que a minha — relativamente ao crescimento do desemprego”, respondeu Siza Vieira à deputada Isabel Pires, do Bloco de Esquerda. “Reconheço que tivemos um crescimento do desemprego sobretudo ao nível dos trabalhadores precários”.

O ministro diz ser “normal” face às condições que ainda existem no mercado de trabalho e promete mudanças: “É por isso que na agenda do governo nos parece importante trabalhar no sentido de uma redução da precariedade no mercado de trabalho — temos de assegurar que os próximos empregos que sejam criados não sigam o padrão que seguiram na última crise”.

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O ministro da Economia anunciou ainda aos deputados que as moratórias não deverão ser renovadas daqui a cerca de um ano. “Não pensamos prorrogar as moratórias bancárias” além de setembro de 2021, disse Pedro Siza Vieira.

Durante o primeiro semestre do próximo ano, à medida que as empresas fecharem contas, o ministro da Economia espera “ter soluções sistémicas para reforçar os capitais próprios das empresas e também começar a lidar com problemas de reestruturação e de liquidação de empresas que entrem em incumprimento e que não possam ser resolvidos por via desta capitalização”.

Sobre os incentivos para fazer face à crise, Pedro Siza Vieira revelou que as discotecas, os bares e outras empresas que foram forçadas a encerrar desde o início da pandemia terão “apoio majorado”. “Nunca é suficiente, mas é aquilo que nesta altura poderemos fazer”, disse aos deputados.

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Apenas um dia depois de ter apresentado novas medidas para apoiar empresas, o ministro da Economia reconhece que não deverá ficar por aqui. “Este é um processo que não acaba, posso dizer-lhe que muito provavelmente teremos ainda de fazer outras medidas”, respondeu Siza Vieira.

Está em causa um pacote de 750 milhões de euros em subsídios para micro e pequenas empresas que serve para “evitar a depauperação ainda maior das micro e pequenas empresas” e empréstimos no valor de 800 milhões de euros, sobretudo para indústrias exportadoras, em que 20% do dinheiro pode ser convertido em subsídio a fundo perdido se for mantido o nível de emprego ao longo do próximo ano.

O ministro da Economia revelou também que nas linhas de apoio Covid-19 em curso estão contratados 6 mil milhões de euros, em que 19.689 beneficiários (57% do total) são microempresas.

Governo tem 750 milhões para subsídios a micro e pequenas empresas e mais 800 milhões para empréstimos

Confrontado com as projeções que constam da proposta de Orçamento do Estado para 2021, que para o PSD são otimistas, Pedro Siza Vieira sublinha que não é economista, mas diz confiar no acerto das previsões que foram apresentadas no mês passado pelo ministro das Finanças, que apontam para uma recessão de 8,5% este ano e uma recuperação de 5,4% em 2021.

O ministro diz estar “perfeitamente convencido” de que “quando a situação sanitária se normalizar há muita procura reprimida, há muita poupança acumulada que vai estar a responder imediatamente”. Em simultâneo, reconhece que “há setores que vão estar mais afetados e que vão precisar de uma atenção e de um cuidado mais particular”.

“Eu não faço projeções económicas, mas tenho bom senso. E recordo que quando apresentámos a proposta de lei do Orçamento do Estado tínhamos uma projeção de PIB para o final de 2021 que toda a gente achava excessivamente otimista do PIB, de 8,5% do PIB, mas a verdade é que, neste momento, mesmo com a situação que temos, pode haver uma quebra no quarto trimestre em termos homólogos de mais de 9% e ainda assim a projeção do PIB revelar-se acertada”, afirmou Siza Vieira.

OE2021. Governo prevê recessão de 8,5% este ano e crescimento de 5,4% em 2021