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Donald Trump convocou uma conferência de imprensa no Rose Garden, na Casa Branca, para anunciar que dentro de poucas semanas os Estados Unidos, depois da autorização de emergência da FDA, estarão em condições de começar a distribuir “milhares de doses” de vacinas contra a Covid-19. Trump recordou o acordo fechado com a farmacêutica Pfizer para a compra de pelo menos 100 milhões de doses e o anúncio feito esta semana sobre a eficácia da vacina. Segundo Donald Trump, a sua administração está agora a trabalhar na autorização especial para a distribuição da vacina que deverá “chegar muito em breve” e permitir a distribuição “muito rapidamente”.

Vacina da Pfizer tem 90% de eficácia. “Hoje é um grande dia para a ciência e a humanidade”, anunciou CEO da empresa

Trump enalteceu o trabalho feito no âmbito da Operação “Warp Speed” que permitiu fazer num ano o que é habitual em “8 ou 12 anos”. “Com outra administração e outras pessoas o que fizemos, na minha opinião, teria demorado 3, 4 ou 5 anos”, disse Donald Trump.

“Chegámos a esta vacina cinco vezes mais rápido que qualquer outra vacina. Vou dizer outra vez: cinco vezes. Há três outras vacinas nas fases finais de testes que deverão chegar nas próximas semanas, a produção será feita em massa e a entrega será muito rápida. Estamos prontos para avançar”, diz Trump.

E o presidente norte-americano tem já um plano traçado para as primeiras doses a serem disponibilizadas: “Vai ser distribuída aos trabalhadores das linhas da frente, aos mais velhos, aos doentes de alto risco” e tudo isto, aponta, “imediatamente, numa questão de semanas”.

Segundo Trump a vacinação dos grupos de maior risco irá permitir aliviar a pressão nos hospitais e reduzir os níveis de mortalidade causados pela Covid-19. “Veremos os números a descer rapidamente nos próximos meses”, apontou Trump que destacou também a produção que o país atualmente está a fazer de ventiladores para exportar para os países que precisam e o facto de “todos os pedidos [dos hospitais] de material e recursos” que foram feitos durante o combate à pandemia terem sido respondidos pelo seu Executivo.

Mas na distribuição das vacinas, para já, Nova Iorque deverá ficar de fora. Trump diz que o governador de Nova Iorque, Andrew Cuomo, “não confia” na vacina e que, portanto, não irá enviar vacinas que não sejam depois colocadas à disposição da população. “Não vamos entregar em Nova Iorque até que tenhamos autorização para o fazer e isso dói-me só de o dizer”, afirmou Trump.

Em causa estão as declarações de Andrew Cuomo em outubro que apelidou a operação de “falhanço” quando percebeu que o objetivo era, no futuro, fazer a vacinação em farmácias privadas, apontando que isso seria à partida uma grande limitação na distribuição a várias comunidades nos Estados Unidos.

Donald Trump disse ainda que com a distribuição das vacinas aos grupos de risco e aos mais velhos espera permitir à terceira idade que goze os “anos dourados” de final de vida. É sabido que as faixas etárias mais altas são as que desenvolvem a forma mais grave da doença e onde se registam as taxas de mortalidade mais elevadas, um facto transversal a todos os países afetados pela pandemia da Covid-19.

Além da vacina da Pfizer, Trump mostrou-se ainda otimista em relação a outras vacinas — como a da Moderna — que se encontram na fase 3 dos testes e que permitirão “chegar nas próximas semanas”, segundo o presidente norte-americano.

Moncef Slaoui um dos líderes da Operação Warp Speed falou logo depois de Donald Trump para confirmar que há especialistas independentes a avaliar a “segurança e eficácia da vacina” e que todo o processo foi conduzido “sem interferência política”. “Caso sejam aprovadas as vacinas devem ser usadas em todos”, apontou Slaoui. Também Alex Azar, secretário de Estado da saúde e serviços humanos frisou a rapidez com que foram alcançados resultados positivos na vacina contra o novo coronavírus: “era impensável há uns meses que a vacina pudesse ser desenvolvida com esta rapidez”.

Trump recusa novo lockdown com aumento de casos

“Na minha administração não haverá novo lockdown, noutra qualquer não sei, espero que não aconteça, mas na minha não haverá novo lockdown. A cura não pode ser pior que o próprio problema como tenho dito, o que vimos no primeiro lockdown foi horrível”, afirma Donald Trump.

“Este governo não irá, sob qualquer circunstância, não vai decretar novo lockdown, mas estaremos muito vigilantes. Muito atentos”, frisou Trump.

Com o aumento do número de casos nas últimas semanas, vários estados já tomaram algumas medidas para tentar travar o contágio com o novo coronavírus. No Novo México e em Oregon foram inclusivamente decretados lockdowns durante duas semanas, com outros governos estaduais a impor medidas como o fecho de restaurantes, cafés e limites à concentração de pessoas na via pública.

Em Nova Iorque o Mayor Bill de Blasio já alertou que caso a taxa de positivos chegue aos 3% as escolas podem ser encerradas. A taxa de resultados positivos nos testes dos últimos sete dias era tinha já subido para os 2,83% segundo o The New York Times.

À medida que o número de casos aumenta, os governadores dos vários estados norte-americanos têm sido forçados a decretar a obrigatoriedade de utilização da máscara, numa tentativa de conter o aumento do número de casos. Neste momento apenas 11 estados não têm qualquer restrição que implique o uso de máscara, com a grande maioria (28) a declará-la obrigatória.