Diz o povo que os maiores só têm um nome: Pelé, Di Stéfano, Yashin, Eusébio, Cruyff, Messi. E, depois, temos aqueles que são tão grandes que não chega dizer só um nome. Diego Armando Maradona. Pronunciemos bem cada uma das palavras, cada uma das sílabas, cada uma das letras: Diego Armando Maradona. É fundamental acariciar o seu nome, qual toque de Midas nas ruas perdidas de Lanús.

[1.Peter Beardsley]

Eu sei que já todos viram, ouviram e leram tudo o que foi dito sobre Maradona e que, por isso, pensam que conhecem totalmente a sua história. Eu sei que todos têm uma opinião sobre esta figura única: de herói de pés de barro a incompreendido pelo mundo, de toxicodependente a vítima do sistema. Só que Maradona nunca foi homem de rótulos. Já eu choro porque nunca conseguirei compreender verdadeiramente aquela cabeça, aquele génio.

[2.Peter Reid]

Para alguém da minha geração, Maradona é a primeira grande figura do futebol internacional que aprendemos a admirar. É verdade que era demasiado novo para perceber a importância política daquele Argentina-Inglaterra, em 1986; o simbolismo daquela meia-final Itália-Argentina, em 1990; e ingénuo para perceber que aquele golo à Grécia, em 1994, era um grito de adeus. E é por isso que sinto que Maradona chegou demasiado cedo à minha vida, de tal maneira que um Blu-Ray não faz com que seja possível entendê-lo, não mais do que aquelas VHS velhas lá de casa.

[3.Terry Butcher]

Depois de 25 de outubro de 1997, data do o seu último jogo pelo Boca Juniors, a nossa vida nunca mais foi a mesma. Os jornais foram agradecendo as 1001 notícias escabrosas, esquecendo que quem viam ali não era mais Diego Armando Maradona. Quem escreve futebol com os pés não sabe viver a vida burocrata de treinador, de presidente de clube ou de comentador. É impossível prender um selvagem apaixonado e demorámos demasiado tempo a perceber que Maradona morreu quando abandonou o relvado pela última vez, naquele escaldante derby.

[4.Terry Fenwick]

Buenos Aires, Barcelona, Nápoles, Sevilha, mundo. Maradona é património imaterial da Humanidade. Acreditem, só falta declará-lo numa cerimónia com pompa e circunstância, num daqueles eventos bem glamourosos, mesmo ao jeito da FIFA, mesmo feito à medida para ele faltar e estar com o seu povo. É que Maradona é de todos nós, embora nunca tenha querido sê-lo. Hoje, 25 de novembro de 2020, a bola ficou um pouco menos redonda.

[5.Peter Shilton]

Os nomes que intervalam os parágrafos são os dos cinco jogadores que Maradona fintou no golo do século, frente à Inglaterra, no Mundial do México, em 1986