A frase foi dita e repetida ao longo da conferência de imprensa improvisada esta sexta-feira na Base Aérea n.º 11, em Beja: não haverá limite de idade para tomar a vacina contra a Covid-19. Foi pelo menos a garantia deixada pelo secretário de Estado Adjunto e da Saúde, à semelhança da mensagem que António Costa e o próprio Ministério da Saúde já tinham transmitido. “Garantidamente, para este Governo, não há nenhuma limitação da idade”, afirmou.

Começando por lembrar que “o Governo não tem por hábito comentar documentos internos que não são versões finais”, referindo-se ao documento da Direção Geral da Saúde (DGS) com o plano de vacinação em que idosos com mais de 75 anos ficam excluídos do acesso prioritário à vacina da Covid-19, o governante disse que há “outras propostas“, mas a da DGS “ainda não foi analisada pelo Ministério da Saúde”.

A seu tempo com ponderação garantidamente analisaremos e tomaremos uma decisão política”, afirmou.

Ainda assim, recordando que “as faixas mais vulneráveis sempre foram uma prioridade para este Governo”, assegurou que “não seria agora e não será agora que a idade será um limite para vacinação”. Depois de explicar que “há determinadas vacinas que, por determinados critérios, têm uma indicação para determinada faixas” e que essa é “a única limitação”, Lacerda Sales reforçou novamente que “os idosos serão uma prioridade no primeiro período de vacinação”.

Doentes graves, utentes de lares e profissionais de saúde. Estes deverão ser os primeiros a receber a vacina contra a Covid-19

Questionado sobre se isso inclui idosos com mais de 75 anos, o governante confirmou e repetiu: “Não há limite para a idade”. Lacerda Sales admitiu que não sebe explicar a informação relativa ao documento da DGS divulgada. Essas explicações não sou eu que as tenho de encontrar”. E acrescentou: “O ruído não faz bem a ninguém”.

Governo quer fazer “uma grande campanha de vacinação”. Portugal tem “condições” para armazenar vacinas a -75ºC

O secretário de Estado Adjunto e da Saúde anunciou que o “objetivo é ter a maior cobertura possível” no que diz respeito à vacina da Covid-19. “Queremos fazer uma grande campanha de vacinação e o objetivo é ter a maior cobertura possível“, afirmou, acrescentando que conta com as forças armada para a logística de administração de vacinas.

O governante adiantou que Portugal tem já “seis contratos aprovados e quatro fechados com a AstraZeneca, a Pfizer a Jonhson e a Sanofi” — o que corresponde a 16 milhões de doses, “contando com os contratos que estão aprovados”. “A nossa expetativa é que vamos com certeza atingir um grau de cobertura muito amplo onde garantidamente a idade não será limite”, disse, acrescentando que a população não se vai vacinar toda “ao mesmo tempo” até porque as vacinas “vão chegar por tranches”.

Questionado sobre se Portugal tem capacidade de armazenar as vacinas, tendo em conta que algumas delas têm de ser conservadas a temperaturas muito baixas, Lacerda Sales explicou que “existem no país estruturas em que pode ser armazenada essa vacina a -75ºC”. “Existem no país condições para ter essa vacina”, afirma.

Surto no INEM é “controlado”. Há 16 casos positivos, dois deles são médicos

Sobre o surto no INEM, o secretário de Estado explicou que é “um surto controlado” e que muitos dos casos positivos “nem sequer foram em contexto de trabalho”. Há 16 positivos no Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) de Lisboa: 14 técnicos de emergência pré-hospitalar e dois médicos. E aguarda-se o resultado do teste de cinco técnicos. Lacerda Sales afasta a hipótese de que este surto esteja a causar constrangimentos.