A decisão foi “muito difícil”, mas a falta de clientes não deixou outra alternativa. O Majestic e o Guarany, dois cafés históricos do Porto, fecharam portas devido à pandemia de Covid-19 e às restrições impostas pelo Governo para a combater. O encerramento, acredita a gerência de ambos, não é definitivo, mas não há ainda uma data apontada para a reabertura.

Foi muito difícil. Não era isto que queríamos. Queríamos manter as portas abertas, mas sem clientes chegou a um ponto em que se estava a gerar prejuízo e despesa e não valia a pena continuar”, explica ao Observador Fernando Barrias, gerente dos dois estabelecimentos portuenses. O cenário das longas filas à porta e das salas preenchidas deixou de existir com a chegada da pandemia a Portugal: “Aqui na Baixa do Porto não há turismo, não há residentes e muita gente que ainda tinha aqui escritórios e clínicas está em teletrabalho. Tudo isto ditou a decisão para encerrar”.

O primeiro a fechar portas foi o café Guarany, a 15 de novembro. Já o Majestic, que está próximo de celebrar 100 anos e é considerado um dos cafés mais bonitos do mundo, encerrou esta segunda-feira, dia 30 de novembro, às 15h. Fernando Barrias admite que as circunstâncias de encerramento, como toda a pandemia, são novas. “Nem durante a Segunda Guerra Mundial houve necessidade de fechar, embora para ter a porta aberta tivéssemos que pagar uma taxa de guerra”, explica. Com este encerramento, cerca de 40 trabalhadores estão em layoff “até que haja condições para reabrir”.

A reabertura dos estabelecimentos em maio, numa altura em que o país iniciou a fase de desconfinamento após a primeira vaga, trazia alguma esperança de “nunca mais se ter de voltar a fechar”. Os cafés tiveram de adaptar o seu trabalho às novas regras e restrições, como a redução da lotação das salas, mas, mesmo assim, a medida não seria necessária nestes dois casos, uma vez que as salas não se voltaram a encher. “Antes tínhamos clientes a fazer fila para entrar. Mesmo com esta redução nunca houve falta de mesa para as pessoas nos visitarem. Trabalhámos no mínimo dos mínimos”, explica o gerente.

Tanto o café Majestic como o Guarany não são casos únicos de estabelecimentos que estão a sofrer o impacto das restrições para combater a pandemia. O setor da restauração, aliás, tem sido dos mais afetados e muitos empresários e trabalhadores têm organizado manifestações a existir mais apoios ao Governo.

É uma situação que se tem vindo a degradar. Os colegas da restauração entraram em desespero, também ficamos tristes por eles e acabamos também nós por ter de encerrar. Acho que as pessoas foram apanhadas de surpresa, estão em estado de choque, não sabiam que vinha uma segunda vaga assim tão repentina”, explica o gerente.

Sobre a data esperada para a reabertura destes dois cafés históricos do Porto, Fernando Barrias diz ser “muito difícil apontar uma” e explica que tudo vai depender da evolução da situação. A esperança numa vacina já no início do próximo ano dá algum alento, mas “até as pessoas voltarem a ter confiança ainda vai demorar o seu tempo”. Ainda assim, Fernando Barrias está otimista de que a situação vai melhorar: “Da mesma forma que o vírus apareceu, da mesma forma vai desaparecer. Temos é que confiar no futuro”.