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São 11. 11 vezes, na Primeira Liga, em que o Benfica carimbou uma reviravolta com um golo nos descontos para lá dos 90 minutos. É preciso recuar a 1953 para encontrar o primeiro, por intermédio de Fialho, e o mais recente foi este domingo, por Waldschmidt. Pelo meio, na lista, aparecem nomes como Raúl Jiménez, Miccoli, Vítor Baptista e Humberto Coelho. Mas só um, o do avançado alemão, foi ao quarto minuto de tempo extra, tornando-se mesmo o golo mais tardio a dar uma vitória na história do Benfica.

Waldschmidt entrou, saltou e lembrou-se de Suzanne Vega para cantar: “My name is Luca” (a crónica do Benfica-P. Ferreira)

Certo é que, contra o P. Ferreira, os encarnados voltaram a ganhar um jogo com um golo nos descontos, algo que não acontecia desde a meia-final da Taça de Portugal da época passada, contra o Famalicão. Mais do que isso, a equipa de Jorge Jesus completou a segunda reviravolta consecutiva na Primeira Liga, depois de também ter derrotado o Marítimo, na jornada anterior, após ter começado a perder. Na flash interview, o treinador português reconheceu que esta foi uma vitória “arrancada a ferros”.

“Mais uma vez, voltámos a transformar um resultado de desvantagem para vantagem. Na primeira parte podíamos ter decidido o jogo, tivemos muitas oportunidades de golo na área, algumas só com o keeper na frente. Normalmente, a equipa é eficaz nessas decisões. O Paços fez um golo que tinha de ser invalidado. Já vi várias vezes o lance e tinha de ser invalidado”, defendeu Jesus, referindo-se ao remate de Oleg para alegar que Douglas Tanque estava em fora de jogo e não permitiu que Vlachodimos visse a bola partir.

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“Sabia que ia ser difícil. O Paços é uma equipa que disputa bem o jogo, joga para ganhar. Notou-se nalguns jogadores falta de frescura física do jogo de quinta-feira. Fui mexendo e senti que ia ter vantagem com isso. Comecei a sentir que íamos fazer golos, podíamos levar no contra-golpe mas havia espaço e senti que os jogadores do Paços já não tinham muito andamento para acompanhar a nossa intensidade e espaço nas entrelinhas”, completou o treinador encarnado. Já na conferência de imprensa, Jesus abordou a lesão de Grimaldo, que apareceu no onze inicial, ainda fez o aquecimento mas acabou por não jogar. “Quando foi aquecer já ia com sinais. Estive até à última hora ‘ponho, não ponho’. As indicações que deu é que dava, mas íamos ver no aquecimento. Se não se sentisse bem, dizia. E no aquecimento mudámos e jogou o Nuno [Tavares]”, explicou.

Também na conferência de imprensa, o técnico personalizou as críticas que já tinha feito à equipa na flash e nomeou principalmente Rafa — que empatou o jogo já na segunda parte –, Everton e Darwin. “O que me vai na cabeça é termos ganho o jogo de hoje. É isso que trabalhamos. Os resultados dos nossos rivais estão dependentes da competitividade do Campeonato português. Já estivemos em primeiro, agora nem sei em que lugar estamos, nem olho para a classificação. Vou olhar [para a tabela classificativa] no último terço do Campeonato. O que importa é a equipa ganhar todos os jogos. Não vivemos a pensar nos outros, mas no que temos de fazer. De preferência, sempre a crescer com mais qualidade”, atirou, deixando ainda muitas críticas ao funcionamento do VAR.