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O presidente da Câmara de Lisboa críticou Eduardo Cabrita, referindo que o governante devia ter “tomado a liderança política do processo de transformação” do SEF em outubro. Ainda assim, não defende a demissão do ministro da Administração Interna que esta terça-feira é ouvido na Assembleia da República. “Não adiro com essa facilidade ao coro do pedido de demissão”, afirmou Fernando Medina, esta segunda-feira à noite, no seu comentário semanal na TVI . O socialista considera que Cabrita “esteve bem nos aspetos fundamentais” do caso da morte de um cidadão ucraniano nas instalações do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) no aeroporto de Lisboa.

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O autarca referiu que a morte de Ihor Homeniuk “às mãos de agentes do Estado” e em “instalações do Estado português” é um “caso gravíssimo”, destacando ainda a “operação de encobrimento macabra” do crime que envolveu 12 elementos do SEF.

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Medina indicou que o Ministério da Administração Interna elogiou a atuação de Eduardo Cabrita neste caso, nomeadamente o “reconhecimento imediato da situação”, a “abertura de inquérito através da Inspeção-Geral da Administração Interna” (IGAI) e o facto de ter remetido, em outubro, para o Ministério Público, o relatório desta IGAI.

“É justo dizermos que o ministro Eduardo Cabrita esteve bem nestas matérias”, disse o presidente da Câmara de Lisboa, não escamoteando, contudo, outros aspetos em que o governante não esteve bem.

O atraso no pagamento da indemnização e a forma como a viúva do cidadão ucraniano foi tratada foram algumas das críticas feitas por Fernando Medina ao ministro da Administração Interna.

A indiferença com que a viúva foi tratada durante estes meses acho que é de uma grande desumanidade. O Estado português devia-se ter poupado”, afirmou Fernando Medina, considerando que “não há nenhuma boa razão” para a indemnização não ter sido paga de imediato e que o “tom” utilizado por Eduardo Cabrita na conferência de imprensa “não foi correto”.

O autarca destacou ainda um “erro” cometido pelo Ministério da Administração Interna: o facto de não ter “tomado a liderança política do processo de transformação” do SEF logo em outubro, após a auditoria ter revelado que 12 pessoas do SEF estiveram envolvidas num caso de assassinato e encobrimento, algo que para Medina “revela uma podridão muito grande dentro de uma instituição“.

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“No fundamental acho que Eduardo Cabrita esteve, nesta matérias de fundo, bem. Acho que perdeu o tempo dele relativamente à reestruturação do SEF e foi pena tê-lo perdido.”

Ainda assim, o presidente da Câmara não defende a demissão do ministro Eduardo Cabrita, criticando o facto de algumas pessoa que o fazem não terem vindo a público mais cedo falar do caso — assumindo também a sua culpa por não o ter feito mais cedo.