Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Há dois elementos nas declarações com que o príncipe André, duque de York, se defendeu das acusações de abusos sexuais a Virginia Roberts — uma mulher que, ainda menor, seria sexualmente explorada por Jeffrey Epstein — que não são congruentes com a agenda oficial do filho da rainha Isabel II, nem sequer com a versão dos factos apresentada por outras pessoas ouvidas pelas autoridades, incluindo a própria filha.

Um deles diz respeito ao álibi que André apresentou para argumentar que, na noite 10 de março de 2001, não se teria encontrado com Virginia Roberts: segundo o príncipe britânico, nesse dia estava a tomar conta das filhas e tinha levado a mais velha, Beatriz, a uma festa de aniversário marcada para as 16h ou 17h no Pizza Express de Woking. Lembrava-se disso porque “ir ao Pizza Express em Woking é raro para mim”.

Mas de acordo com o Daily Mail, que investigou estas declarações do príncipe de York à BBC, a agenda de André nesse dia menciona uma ida matinal ao teatro e uma sessão de manicure para o príncipe à tarde. A família da aniversariante, o guarda-costas da época e os funcionários da casa onde habitava não se lembram de ver André naquela festa. O tabloide garante até que Beatriz não tem memória de o pai a ter levado ou recolhido daquela festa.

Virginia Roberts também relatou que o duque de York tinha abusado sexualmente dela em abril de 2001, na casa de Jeffrey Epstein em Nova Iorque, onde teria pernoitado. O príncipe André negou estas declarações e disse: “Posso tê-lo visitado, mas definitivamente, definitivamente, não, não não [pernoitei na casa de Epstein]”, assegurou. Mas, segundo o Daily Mail, o monarca britânico também mentiu sobre os acontecimentos desse dia.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

A publicação relata que o príncipe André terá passado três dias nos Estados Unidos. Na primeira noite, o duque terá dormido no consulado britânico em Nova Iorque; no segundo dia, viajou para Boston e aí terá pernoitado; mas no terceiro dia, 11 de abril ficou “num endereço privado”, que seria a casa de Jeffrey Epstein. De acordo com o Daily Mail, é isso que revelam as “cartas oficiais, itinerários e voos” consultadas pelo jornal.

Esses documentos também indicarão que, nesse terceiro dia nos Estados Unidos, André de York guardou várias horas na agenda para “tempo pessoal” — um intervalo temporal cuja natureza nenhum dos funcionários do príncipe conseguiu precisar. Segundo um agente entrevistado pelo Daily Mail, André terá viajado com Jeffrey Epstein e Virginia Roberts (mas também outras adolescentes) para Teterboro, um aeroporto a 20 quilómetros da mansão que o magnata mantinha em Manhattan, e daí para uma ilha privada nas Caraíbas.

Questionada pelo The Guardian sobre estas acusações, a assessoria do príncipe André recusou-se a confirmar ou a negar estas acusações, nomeadamente sobre a estadia na mansão de Jeffrey Epstein antes da viagem para as Caraíbas, mesmo depois de o príncipe ter garantido que não havia pernoitado na casa de Epstein, condenado por abuso sexual. “Não estamos a emitir nenhum comentário. Nada mesmo”, disse uma porta-voz do duque.