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O Governo avançou, esta quinta-feira, que irá dar início à vacinação contra a Covid-19 entre 27 e 29 de dezembro. As primeiras pessoas a serem vacinadas serão os profissionais de saúde que estão na primeira linha no combate ao novo coronavírus, sendo que dentro desse subgrupo terão prioridades os profissionais que estejam em maior risco de contraírem a doença, como os que trabalham em unidades de cuidados intensivos, em serviços de urgência, nas área dedicadas para doentes respiratórios (ADR) e em unidades onde há maior risco de contacto com doentes possivelmente infetados e de libertação de aerossóis.

Estas informações foram referidas pela ministra da Saúde, Marta Temido, após uma reunião de trabalho sobre o Plano de Vacinação contra a Covid-19, onde estiveram presentes, além da governante, o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, e Francisco Ramos, coordenador da task force criada para a elaboração deste documento. O primeiro-ministro António Costa esteve presente por videoconferência, uma vez que se encontra em isolamento profilático após ter estado com o presidente francês, Emmanuel Macron, que esta quinta-feira testou positivo para o novo coronavírus.

António Costa em isolamento depois de encontro com Emmanuel Macron

A ministra da Saúde referiu ainda que o “processo de seleção” das pessoas que serão vacinadas com o primeiro lote de vacinas ainda está a ser finalizado, mas o foco será nos profissionais de saúde, porque são “aqueles que, na primeira linha, nos poderão ajudar melhor a proteger os restantes”. Os grupos prioritários já identificados para a primeira fase de vacinação mantêm-se, garantiu ainda a governante.

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“Em janeiro iremos continuar a vacinar de acordo com esta identificação já previamente realizada”, afirmou Marta Temido. “Veremos depois em janeiro como prossegue a vacinação” nos lares de idosos.

Grupos prioritários, locais de vacinação, prazos. Conheça o plano do Governo ponto por ponto

Este primeiro lote de vacinas da Pfizer será composto por 9.750 doses — unidades estimadas pela Pfizer — e serão entregues ainda este mês. A farmacêutica prevê entregar 303.225 doses de vacina no próximo mês e a partir de 4 de janeiro de 2021. Em fevereiro deverão chegar a Portugal mais 429 mil unidades e em março 487.500 doses.

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Marta Temido confiante no processo de vacinação, que será “orgânico”

Apesar de assumir que se trata de um “processo exigente”, Marta Temido mostrou-se confiante de que o processo irá correr bem, sublinhando que está a ser acompanhado com “todo o cuidado e rigor”.

Será um processo que correrá bem e que contará com envolvimento dos portugueses que podem ter confiança na sua vacinação”, indicou a governante, garantido ainda que o país está “certamente nas melhores mãos” no que toca ao número de profissionais de saúde disponível para administrarem as vacinas.

A ministra sublinhou que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) tem cerca de 40 mil enfermeiros, dos quais 20% trabalham nos centros de saúde. Além destes profissionais, que são “a força de trabalho” com que por norma o país conta para acompanhar o programa de vacinação, este processo irá contar com o apoio de outros serviços, nomeadamente os serviços de saúde ocupacionais das entidades empregadoras.

Vamos ter uma vacinação orgânica”, afirmou Marta Temido, acrescentando que numa “terceira linha” haverá ainda os profissionais de saúde dos lares de idosos, em particular os das estruturas que fazem parte da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados.

Transporte de vacinas é uma operação sofisticada, diz ministra

A ministra da Saúde foi questionada sobre o facto de as Forças Armadas não participarem no processo de distribuição das vacinas, uma informação que foi avançada esta quarta-feira por Francisco Ramos durante uma audição no Parlamento. Após garantir que o Ministério da Defesa é “essencial” para a coordenação e aconselhamento sobre o processo logístico, Marta Temido afirmou que o transporte das vacinas, tal como o transporte de medicamentos, são “operações sofisticadas” e que implicam “características técnicas próprias”, pelo que o transporte das vacinas será feito por uma “linha de transportadores própria” e será “adquirida como um serviço”.

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Relativamente ao envolvimento das farmácias comunitárias no processo de vacinação, Marta Temido indicou que esse será um recurso que poderá ser utilizado mais tarde, numa altura em que haja mais vacinas, tal como está a ser planeado noutros países. No entanto, uma vez que atualmente se está a “gerir um processo que tem escassez de quantidades” e em que ainda se estão a subdividir os grupos prioritários em função dessa mesma escassez, o que está definido, num primeiro momento, é o processo estar “centralizado pelas vias mais tradicionais”, isto é, nos centros de saúde.

A ministra da Saúde referiu também que os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) ficarão responsáveis pela compra e “reforço das aquisições” dos consumíveis para a realização da vacinação (como as seringas), que atualmente já se encontram identificados e disponíveis. Além de que as próprias instituições de saúde “têm capacidade para garantir” esses consumíveis.

O SPMS estão também a desenvolver mecanismos de contactos com os utentes para facilitar o processo de vacinação, que deverão estar disponíveis “nos primeiros dias” de janeiro. De acordo com a ministra, está a ser criado um site, bem como linhas de contactos para dar apoio ao processo, uma vez que se pretende que ele decorra de forma a criar nos utilizadores “a maior tranquilidade possível” .

Marta Temido acrescentou ainda está a ser finalizada a sala de situação que irá acompanhar o processo de vacinação contra a Covid-19. “Estamos a acabar de a montar para podermos ter também um organismo que agregue informação”.

DGS irá divulgar manual de vacinação para profissionais de saúde

A ministra da Saúde avançou que a Direção-Geral da Saúde (DGS) irá divulgar um manual de vacinação, até ao final do dia de amanhã ou o mais tarde até domingo, com informações para os profissionais de saúde.

Esta indicação surge após uma pergunta sobre as reações adversas à vacina da Pfizer. Marta Temido disse que elas podem acontecer como em qualquer outro medicamento e que a preocupação é criar “um mecanismo adequado” para registar essas reações. Além de que cabe ao profissional de saúde que administra a vacina recolher informação de saúde da pessoa de modo a permitir uma “vacinação em segurança”.