O diretor geral da TVI, Nuno Santos, fez esta quarta-feira um balanço positivo de 2020, apesar da quebra do mercado publicitário no início do ano, sinalizando sinais de recuperação no final do ano e de olhos postos na “liderança” em 2021.

“Para nós foi um ano de recuperação, afirmação, de inversão de uma tendência que era muito negativa de 2019. Desse ponto de vista, foi um ano de mudança e nós acreditamos que 2021 pode ser um ano de afirmação desta mudança”, afirmou esta quarta-feira Nuno Santos em declarações à agência Lusa.

O responsável lembrou que 2020 foi um ano “difícil” para os media em geral devido à crise provocada pela pandemia da Covid-19, mas acredita na recuperação do final do ano e nas perspetivas para 2021.

Foi um ano que estivemos sujeitos a uma situação com a qual nunca tínhamos estado confrontados. Os media tiveram que se reajustar a esta realidade, nomeadamente reajustar a oferta, parar a produção em alguns momentos, alinhar equipas (…) por outro lado foi um ano em que o mercado publicitário teve uma quebra, embora com bons sinais de recuperação no final do ano, e haja perspetivas interessantes que acompanham a economia para 2021/22, isso colocou-nos um conjunto de desafios”, acrescentou.

No caso concreto da TVI, recordou, a situação foi acompanhada também por um conjunto de alterações na estrutura acionista que se somaram a esta realidade global.

“Com este quadro macro, como quando estamos num museu e nos vamos aproximando e vemos o quadro mais próximo, nós fazemos um balanço bastante positivo”, disse Nuno Santos.

“A TVI começou o ano numa situação muito débil em termos de resultados que já se vinha a arrastar desde o segundo semestre do ano passado, na altura em que tínhamos perdido a liderança no horário nobre, depois de termos perdido a liderança no início do ano de 2019 naquele que se chama o all day. E, portanto, iniciámos em janeiro um período de recuperação junto dos públicos que foi sendo gradual ao longo do primeiro semestre”, explicou.

Ao nível do mercado publicitário, no primeiro embate da pandemia, o mercado teve uma queda muito significativa em março/abril.

“A televisão generalista foi o meio que menos sofreu por comparação com o outdoor, com a radio e até com o digital. Depois admitia-se que viesse a haver um grande embate na parte final do ano, naquilo que coincidiu com a chamada segunda vaga, mas isso não aconteceu e, portanto, o mercado aguentou bem”, afirmou.

Nuno Santos acredita assim que é possível olhar “com otimismo moderado para 2021” neste capítulo que tem a ver com mercado publicitário e lembra que a diversificação das receitas conseguida no final do ano foi uma boa ajuda.

“Conseguimos criar um conjunto de projetos especiais no fim do ano que ajudaram muito a diversificar e a aumentar as nossas receitas, isto também saiu do trabalho na nossa área comercial, das equipas de entretenimento e da abertura que as marcas revelaram para se integrarem com o conteúdo”, disse.

A TVI, refere, ambiciona ser líder de audiências — posição atualmente ocupada pelo concorrente SIC — e, por isso, posiciona-se em 2021 com o objetivo de atingir a liderança, “mas sabe em todos os momentos que o processo não depende inteiramente de si uma vez que está no mercado com outros ‘players'”.

“O que estamos a fazer é aquilo que podemos fazer, produzir os melhores conteúdos, procurar as melhores pessoas, satisfazer cada vez mais os públicos. Temos um conjunto de mudanças já a partir de dia 4 com o arranque do ano e outras se seguirão, umas em fevereiro e outras mais à frente no ano. Temos o ano muito estruturado já nesta fase”, avançou.

Segundo os últimos dados da GfK/CAEM, a SIC foi em novembro o canal mais visto da televisão, com 18,4% de share, mas próxima da TVI com 16,6% de share e acima da RTP1 com 12,4%.

O ano de 2020 marcou uma reviravolta na estrutura acionista da Media Capital, com a entrada do empresário Mário Ferreira e a saída da Prisa, mas ainda falta o desfecho das duas OPA sobre a empresa.

Depois de três tentativas de compra falhadas na última década e, numa altura em que o setor atravessa uma crise agravada pela pandemia de Covid-19, a dona da TVI espera agora ganhar novo “fôlego” com Mário Ferreira, dono da Pluris Investments e da Douro Azul, na presidência.

De acordo com a nova estrutura acionista da Media Capital, disponível no ‘site’ com data de 03 de novembro, a Pluris Investments detém 30,22%, seguida da Triun, com 23%, Biz Partners (11,97%), CIN (11,20%), Zenithodyssey (10%), Fitas & Essências (3%), DoCasal Investimentos (empresa da apresentadora e diretora de entretenimento e ficção da TVI, Cristina Ferreira), com 2,5%, e NCG Banco (5,05%).