O fadista Carlos do Carmo morreu esta sexta-feira, no hospital de Santa Maria (Lisboa), “vítima de um pós-operatório a um aneurisma da aorta abdominal”, informou a Universal Music Portugal, em comunicado. A “Voz”, como o descreve a empresa, completou 81 anos no dia 21 de dezembro. O Governo decretou um dia de luto nacional para segunda-feira, dia 4 de janeiro.

“Senhor de um dom inigualável, Carlos do Carmo deu vida às palavras como ninguém. Muitas vezes visionário, nunca abdicou de levar o Fado para outras dimensões, de lhe introduzir novos instrumentos, de evangelizar novos poetas, de manter o nível”, escreve a Universal Music Portugal.

Carlos do Carmo despediu-se dos palcos a 9 de novembro de 2019 com um concerto lotado no Coliseu de Lisboa. No mesmo dia, o primeiro-ministro António Costa condecorou o artista com a medalha de mérito cultural pelo “inestimável contributo” para a música portuguesa.

A despedida do homem da cidade: quando Carlos do Carmo disse adeus aos palcos em Lisboa

António Costa defendeu que foi com militância que Carlos do Carmo “libertou o fado do estigma de símbolo da ditadura e o renovou no Portugal de abril”, conforme noticiou a Lusa na altura do concerto no Coliseu de Lisboa. “A militância que levou a UNESCO a reconhecer o fado como património imaterial da humanidade.”

Carlos do Carmo (1939-2021): o nome dele era fado

Esta sexta-feira, Marcelo Rebelo de Sousa destacou o papel que o artista assumiu na promoção desta candidatura, não só como artista, mas um papel nacional. À rádio Observador, o Presidente da República diz que Carlos do Carmo foi “um grande intérprete e um intérprete que soube juntar várias gerações”, que se “identificava natural e intuitivamente com os diversos setores”.

Pode ouvir a reação de Marcelo Rebelo de Sousa na rádio Observador aqui:

Carlos do Carmo. “Portugal deve-lhe uma homenagem”, diz Presidente da República

Carlos do Carmo é, para Marcelo Rebelo de Sousa, um exemplo de dádiva e de superação — incluindo a superação dos constrangimentos físicos dos últimos anos — e que por isso se aproximou tanto os portugueses. “Nunca foi egoísta. A sua vida é uma vida de dádiva”, diz à rádio Observador. Dádiva pela promoção de novos artistas, pela ligação às comunidades portuguesas e dádiva por ter sido o rosto de Portugal pelo fado.

Para o Presidente da República, o país “deve estar muito grato e deve homenageá-lo com esperança”, com “esperança no futuro”, e não com o pesar da sua morte. “Olhar para aquilo que nos deixou com esperança, porque é uma herança portadora de futuro.”

O Presidente deixa ainda claro que tanto o presidente da Câmara Municipal de Lisboa como os órgãos de soberania nacional devem prestar uma homenagem — “de novo, formalmente” — a Carlos do Carmo. O Governo, por sua vez, uma nota do gabinete do primeiro-ministro, propôs ao Presidente da República a atribuição da Ordem da Liberdade, a título póstumo, “pelo determinante papel que Carlos do Carmo teve na renovação do fado, atribuição que, de resto, já estava prevista”.

Carlos do Carmo recebe Grammy Latino de Carreira no Hollywood MGM de Las Vegas

Carlos do Carmo já havia sido agraciado com o Grau de Comendador da Ordem do Infante Dom Henrique, a 4 de setembro de 1997, pelo então Presidente da República, Jorge Sampaio, e com o Grau de Grande Oficial da Ordem do Mérito, a 28 de novembro de 2016, pelo atual chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa. Em novembro de 2014, recebeu o Grammy Latino de Carreira, em Las Vegas.

Antes da despedida em Lisboa, Carlos do Carmo tinha também atuado no Coliseu do Porto com o concerto de final de carreira intitulado: “Obrigado”. “Obrigado nós, Carlos do Carmo”, lê-se na página do Twitter do Coliseu do Porto.

A EGEAC — Cultura em Lisboa também reagiu, no Twitter à morte do embaixador do fado e voz de “Lisboa menina e moça”.

Carlos do Carmo: o cuidado na escolha dos reportórios e o apoio aos novos artistas

As reações à morte do artista que cantou sobre Lisboa e Saudade não se fizeram esperar nas redes sociais, entre figuras públicas e cidadãos anónimos. A primeira manhã de janeiro, depois de todos os desejos de um ano melhor do que 2020, trouxe a notícia da morte de um artista acarinhado por muitos: afinal 2021 não começou da melhor maneira.

Luís Represas escolhe falar de Carlos do Carmo sempre no presente, “porque para mim ele estará sempre presente”, diz à rádio Observador. “A história dele é de uma riqueza incrível”, diz o amigo de longa data. O cantor e compositor conhecia Carlos do Carmo desde os 18 anos — eram vizinhos na Costa da Caparica — e conta que este nunca foi paternalista, nunca tentou impor o fado aos mais novos, pegou nele e modernizou-o, conta.

“Nós olhávamos para o fado com desconfiança”, diz Luís Represas, recordando o período de transição do Estado Novo para a democracia. Mas confessa que a forma como Carlos do Carmo conseguiu criar novas tendências a partir do fado teve uma enorme importância para os novos artistas. Luís Represas diz que o fadista o convidou para escrever uma letra: “Não penses que estás a escrever fado, pensa é que estás a escrever para mim”, disse-lhe Carlos do Carmo. Para o fadista, a palavra era muito importante, explícita e bem escrita, para mensagem passar, diz o fundador dos Trovante.

Luís Represas partilhava com Carlos do Carmo a paixão pelo clube de futebol Os Belenenses, que também já apresentou as condolências pela morte do cantor.

O guitarrista António Chaínho acompanhou Carlos do Carmo durante 25 anos, até 1991, tendo participado nas gravações dos seus álbuns “Homem na Cidade” e “Homem no País” e em várias digressões internacionais. “Tenho o coração todo partido.” O músico salientou “o bom gosto musical” do fadista e “o cuidado com a escolha de repertório”.

Amiga do fadista, Simone de Oliveira recordou que foi Carlos do Carmo o responsável por ter voltado a cantar, depois de ter perdido a voz, em finais da década de 1960, após a sua vitória no Festival RTP da Canção, em 1969, com “Desfolhada Portuguesa”, conforme disse à Lusa. À rádio Observador admite a enorme saudade que o amigo lhe deixará.

Pode ouvir a reação de Simone de Oliveira aqui:

Carlos do Carmo. “Deixa uma obra inesquecível e uma saudade imensa”, diz Simone D’Oliveira

O compositor André Sardet destaca da obra de Carlos do Carmo a importância dos silêncios que o fadista tão bem conseguia gerir. “Era um intérprete maior”, diz. E era “muito exigente”, um “purista”, tinha muito cuidado na escola dos locais onde se apresentava “porque não queria desvirtuar a sua obra”, de tal forma que “não gostava que se batessem palmas quando estava a cantar”. Para André Sardet, a “maior homenagem é continuar a ouvir a sua obra”.

Pedro Moutinho diz que a discografia do Carlos do Carmo era a que mais ouvia em casa com os irmãos Camané e Helder Moutinho. Para Pedro Moutinho, qualquer fadista deve ouvir Carlos do Carmo como forma de aprendizagem.

Pode ouvir a reação de Pedro Moutinho na rádio Observador aqui. Oiça também: Kátia Guerreiro e Miguel Gameiro.

Pedro Moutinho: “Tínhamos a discografia completa do Carlos do Carmo”

“Sempre achei que, ao mesmo tempo que é ‘fadista de gema’, ele é mais do que isso, é um cantor. Não é um fadista característico, como o [Alfredo] Marceneiro, é alguém com outro tipo de formação e que renovou dentro do fado e tem um papel absolutamente fulcral”, afirmou Sérgio Godinho. O músico lamentou a morte de Carlos do Carmo – “alguém que eu sempre, sempre, sempre estimei muito”.

Sérgio compôs o tema “Velho cantor” para a voz de Carlos do Carmo e o fadista deu a sua interpretação de “Lisboa que amanhece”, um dos temas emblemáticos de Godinho, para um álbum gravado ao piano com Bernardo Sassetti.

“Hoje desaparece essa pessoa, que terá sido o mais jovem de todos os fadistas. É uma perda muito grande”, diz o cantor e compositor Fernando Tordo sobre o fadista para quem compôs a primeiro tema em 1970. “Com este infeliz acontecimento desaparece o grande responsável pela transformação, pela modificação da autoria e da composição para fado.”

Fernando Tordo que, segundo disse, por “contingências da vida”, não tinha contacto com Carlos do Carmo há alguns anos, lembrou os “50 anos de amizade” e destacou, desde o início, Carlos do Carmo “procurou, junto daqueles que na altura eram os mais jovens compositores portugueses, a transformação”.

Carlos do Carmo “foi a maior força renovadora do fado, depois de Amália Rodrigues (1920-1999)”, diz o musicólogo Rui Vieira Nery. “Quase todos os momentos de renovação do fado, nos últimos 50 anos, tiveram alguma ligação com Carlos do Carmo”, diz o musicólogo exemplificando: “os grandes poetas e compositores de outras áreas que Carlos do Carmo trouxe para o fado”; “as pontes que estabeleceu entre o fado e outros géneros musicais”. Vieira Nery destacou ainda “o apoio e encorajamento de Carlos do Carmo aos novos fadistas” e o contributo “para a reconciliação dos portugueses com o fado”.

A fadista Mariza recordou Carlos do Carmo como “um bom amigo, homem generoso, inteligente, observador, muito curioso, e que gostava de partilhar”. A fadista recordou o apoio de Carlos do Carmo à sua carreira, afirmando que tinha sido seu “mestre sem o saber”, logo no início do seu percurso.

Mariza, que partilhou vários palcos com Carlos do Carmo, nomeadamente o do Royal Albert Hall, em Londres, disse à agência Lusa que o fadista “teria a ideia de deixar, para o fado, pessoas bem preparadas, com conhecimento musical”. Mariza realçou “as escolhas inteligentes” de Carlos do Carmo ao longo da sua carreira de mais de 50 anos, e o cuidado no repertório.

A pianista Maria João Pires gravou um álbum com Carlos do Carmo, em 2012 intitulado com o nome de ambos:

O DJ e produtor Stereossauro recordou a “tarde memorável” que passou com o fadista Carlos do Carmo a gravar uma nova versão de “O Cacilheiro”, para um álbum que misturou fado, eletrónica e hip-hop. O DJ e produtor confessa que, antes de enviar a nova versão instrumental para Carlos do Carmo ouvir, “estava até um bocado a medo, um bocado apreensivo”. “Eu não conhecia pessoalmente o Carlos do Carmo, não sabia qual ia ser a sua reação. E, para minha grande surpresa, ele gostou imenso do tema.”

Os dois conheceram-se no dia em que Carlos do Carmo foi gravar as vozes. “Passámos uma tarde no estúdio e foi um momento memorável. Ele tem uma carisma e uma presença, daquelas [pessoas] que entra numa sala e fica tudo calado só a ouvi-lo falar. Era uma pessoa que transmitia uma aura boa e uma calma.”

Carlos do Carmo deixa um “legado inspirador para os novos fadistas, nomeadamente pelo seu cuidado na escolha de autores”, disse a presidente da Associação Portuguesa dos Amigos do Fado, Julieta Estrela de Castro. “Homem de grande cultura e vivência fadista, Carlos do Carmo marcou gerações e definiu um perfil artístico pautado por um grande cuidado na escolha de repertório”, afirmou. O cantor “tinha um enorme respeito pela arte que procurou sempre dignificar”.

Diogo Infante, ator e encenador:

A Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) recorda “a qualidade excecional” da obra e do “empenho cívico” de Carlos do Carmo, numa nota de pesar. Associado da SPA desde 29 de setembro de 1997, Carlos do Carmo foi distinguido pela cooperativa com o Prémio de Consagração de Carreira em maio de 2001 e recebeu a Medalha de Honra durante a celebração do Dia do Autor Português, a 22 de maio de 2015.

A cooperativa destaca os álbuns “Um Homem na Cidade” e “Um Homem no País”, com textos de José Carlos Ary dos Santos (1937-1984), como “essenciais para a renovação do fado e para a consolidação da sua brilhante carreira nacional e internacional que o levou a atuar em grandes salas por todo mundo”. “Foi um cantor que sempre respeitou a obra dos poetas, de Vasco Graça Moura e Herberto Helder, passando por muitos outros”, realça a SPA.

A organização lembra ainda que Carlos do Carmo “foi uma figura central na criação do Museu do Fado e na candidatura do fado a património imaterial da humanidade”. O fadista “foi sempre um homem comprometido com a luta pela liberdade e pela cidadania, reafirmando a sua crença religiosa, e assumindo publicamente a proximidade política com o PCP depois do 25 de Abril de 1974”, escreve a SPA. Para a cooperativa, “o Grammy Latino que recebeu em Las Vegas [em 2014] constituiu mais um passo importante para a sua consagração internacional como cantor de referência”.

“Da sua vasta discografia ficam os concertos gravados na sala da Alte Oper [ópera antiga] de Frankfurt, o disco feito com Bernardo Sassetti ao piano e um outro mais recente com a pianista Maria João Pires”, salienta a SPA referindo teve “o caráter inovador da obra e da carreira” de Carlos do Carmo. A SPA lembra igualmente a viúva de Carlos do Carmo, Maria Judite, “companheira sempre presente, nos palcos e nos estúdios como na vida, ao longo de mais de meio século”.

Já a diretora do Museu do Fado, Sara Pereira, realçou a “ligação importantíssima e estreita” que Carlos do Carmo, tinha com a instituição. “Foi a voz de Lisboa, a voz da cultura portuguesa”, disse a responsável, recordando “a estreita colaboração e a sua disponibilidade” para desenvolver iniciativas no museu.

Carlos do Carmo fez parte do Conselho Consultivo do Museu, ao lado do musicólogo Rui Vieira Nery, do construtor de guitarras Gilberto Grácio, do guitarrista António Chaínho, do investigador Daniel Gouveia, da Associação Portuguesa dos Amigos do Fado e da Academia da Guitarra Portuguesa e do Fado.

Sara Pereira recordou o empenho do fadista na candidatura do fado a património da humanidade e no filme “Fados” (2007), de Carlos Saura, no qual além de Carlos do Carmo, participaram Argentina Santos, Ana Sofia Varela, Camané, Mariza, Caetano Veloso, Chico Buarque e Lila Downs, entre outros.

Sara Pereira salientou também “a profunda renovação” no fado liderada por Carlos do Carmo, “um artista iluminado” que “soube dialogar com criadores de outras áreas musicais”. A diretora do Museu do Fado referiu ainda “o bom gosto do seu repertório”. “Hoje acordámos mais pobres”, rematou Sara Pereira

Marcelo em homenagem a alguém que “nunca perdia a esperança” e outras reações dos políticos

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, diz, no entanto, que a morte de Carlos do Carmo, no primeiro dia de 2021, “um dia que devia ser de esperança”, não pode ser encarada “com desesperança”, mas como uma homenagem a alguém que “nunca perdia a esperança”, conforme declarações à RTP. Apesar disso, o Presidente destaca o sentimento “de perda” com a morte de “uma grande figura da cultura” e de “um grande homem”

“Perda por aquilo que Carlos do Carmo fez pela consagração do fado como património imaterial da Humanidade, mas também pelo que deu como voz de Portugal cá dentro e lá fora junto das comunidades portuguesas, prestigiando não apenas o fado, mas a nossa cultura”, destacou.

O chefe de Estado realçou ainda que Carlos do Carmo foi “uma voz” na luta pela liberdade nos tempos da ditadura e na transição para a democracia. “Por detrás de uma grande figura da cultura estava um grande homem, com uma grande riqueza pessoal, uma sensibilidade e uma intuição e identificação com o povo português que o povo português não esquece”, acrescentou.

Na página da Presidência, Marcelo Rebelo de Sousa destacou também o cantor como uma figura da dignidade do fado. “Dignidade do texto, da qualidade do texto, da dicção, do dizer. Dignidade de uma vocação exigente, sem cedências e vedetismos. Dignidade de uma atenção humana, de uma compaixão, uma empatia de ‘homem na cidade’ ao lado dos outros homens e mulheres.”

“Mas com um nó de saudade, na garganta/ Escuto um fado que se entoa, à despedida” de um grande amigo. António Costa citou o próprio artista, no Twitter, para se despedir de Carlos do Carmo. “Um dos seus maiores contributos para a cultura portuguesa foi a forma como militantemente renovou o fado e o preparou para o futuro.”

“Para mim foi uma perda imensa como amigo e é um momento de grande tristeza. Uma forma muito triste de começar este ano que queríamos que fosse de viragem”, diz António Costa à Lusa. “Falamos ao telefone no dia 24 e combinámos ir jantar ao Poleiro, onde costumávamos jantar, mal eu saísse do confinamento. Vai ficar por fazer esse jantar com ele.”

“Deu-me a honra de ser meu mandatário quando fui candidato à Câmara de Lisboa [em 2009] e não se limitou a dar o nome, o prestígio e a acompanhar-me na campanha eleitoral”, diz, recordando a forma como o fadista monitorizava o progresso das promessas feitas durante a campanha. “Foi uma cumplicidade política que se transformou numa bela amizade”, acrescenta António Costa, sublinhando que já na chefia do Governo, Carlos do Carmo nunca lhe faltou com “palavras carinhosas” sobretudo nos “momentos mais difíceis”.

O presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, recordou um “amigo de mais de 60 anos” e a personalidade marcante de Carlos do Carmo, “que não deixava indiferente quem com ele convivia”. “Carlos do Carmo é, inquestionavelmente, um nome ímpar do fado e figura incontornável do meio artístico e da canção portuguesa, numa carreira de décadas que perdurará na memória de todos nós.”

Mas Carlos do Carmo teve também um papel relevante “na luta pela Liberdade e na construção do país de Abril, em que tanto se empenhou”, destacou Ferro Rodrigues. “Hoje é um dia de grande tristeza pessoal. À família, nomeadamente à mulher Judite e aos filhos e netos, e aos muitos amigos, quero transmitir, em meu nome e em nome da Assembleia da República, a expressão do mais sentido pesar pelo falecimento de Carlos do Carmo.”

“2021 amanhece triste com a partida de Carlos do Carmo. Fez de Lisboa menina e moça para o mundo inteiro ouvir. Foi a voz da cidade e esta não o esquecerá”, escreveu Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa, no Twitter. Pode também ouvir as declarações à rádio Observador aqui.

Já o presidente do PSD, o portuense Rui Rio, foi mais comedido na reação, considerando Carlos do Carmo um “grande vulto da música portuguesa”, cuja obra não morrerá. “A minha justa homenagem a Carlos do Carmo, um grande vulto da música portuguesa. A sua obra não morreu, nem nunca morrerá”, escreveu Rui Rio na rede social Twitter.

Paulo Rangel, eurodeputado e vice-presidente do PPE e grupo PPE, o grupo de centro-direita mais antigo da Europa:

Catarina Martins, Coordenadora Nacional do Bloco de Esquerda:

José Gusmão, eurodeputado e dirigente do Bloco de Esquerda:

O candidato presidencial João Ferreira, apoiado pelo PCP, adaptou um excerto da canção “Um Homem na Cidade”. “Na tua voz/ …a madrugada/ Abriu a flor de Abril também./ A flor sem medo, perfumada/ Com o aroma que o mar tem”, escreve nas redes sociais o candidato à Presidência da República, antes de se despedir: “Até sempre, Carlos do Carmo”.

João Ferreira lembrou “Um Homem na Cidade”, poema de Ary dos Santos e uma das mais emblemáticas faixas de Carlos do Carmo, parte do álbum com o mesmo nome, editado em 1977.

O presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Fernando Gomes, manifestou uma “enorme consternação” pela morte do fadista Carlos do Carmo, perda que deixa “todos mais pobres”. O nome do fadista “confundia-se com o fado”, depois de se ter afirmado “como uma referência da música e da cultura não apenas portuguesa mas também internacional” ao longo de mais de cinco décadas.

“Carlos do Carmo muito contribuiu para que o fado se tornasse património imaterial da Humanidade, levando com a sua voz inconfundível o fado aos quatro cantos do mundo. Esta perda torna-nos a todos mais pobres, mas a sua memória perdurará no tempo”, pode ler-se na nota do dirigente federativo.