Do lado francês, as estâncias de ski estão completamente vazias. Do lado suíço, nem por isso. Diferentes abordagens de combate à pandemia da Covid-19 geraram divisões entre países de toda a Europa. E, nos Alpes, cadeia montanhosa que atravessa vários países europeus, isso é bem evidente.

Depois de, nas fases iniciais da pandemia, um grande surto de coronavírus ligado à estância de ski austríaca de Ischgl ter contribuído para uma rápida propagação do vírus por toda a Europa —  a estância foi associada a cerca de 6 mil infeções em 45 países —, os franceses mantiveram os teleféricos fechados até agora e, aliás, prorrogaram essa decisão na passada quarta-feira. Já os suíços decidiram o inverso: mantiveram as estâncias de ski abertas, impondo o uso de máscara e distanciamento social numa primeira fase e, mais tarde, fechando os seus aprés ski (restaurantes e bares onde os turistas se concentram após as atividade de ski), que se acredita terem sido os principais focos de transmissão em Ischgl.

A “ganância” da Ibiza do ski que ajudou a propagar o coronavírus pela Europa

Embora o governo francês tenha pedido os seus cidadãos para não frequentarem as estâncias suíças, muitos praticantes de ski não deram ouvidos e fizeram-se à estrada em direção às montanhas do lado suíço. Uma reportagem do The Washington Post relata que no passado sábado, num estacionamento da localidade de Morgins, na Suíça, cerca de um em cada quatro carros tinha matrícula francesa.

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A elevada afluência às montanhas do lado suíço torna o distanciamento social mais difícil de respeitar e aumentam as preocupações com a saúde pública, especialmente numa altura em que novas estirpes altamente contagiosas do vírus se propagam pelo mundo. A reportagem descreve longas filas de praticantes de ski e de snowboard junto aos teleféricos. Flumserberg, uma das áreas de ski mais próximas de Zurique, atingiu o limite da sua capacidade e teve mesmo de impedir que mais as pessoas saíssem na estação de comboio que dá acesso àquela zona. Alguns resorts tiveram que chamar os bombeiros para manter a ordem, lê-se no The Washington Post.

A Suíça — que tem registado mais casos de coronavírus per capita do que a Itália ou a França — aumentou na semana passada as restrições e fechou lojas não essenciais, entre outras medidas. Mas manteve as estâncias de ski abertas. Logo em novembro, França, Alemanha e Itália fizeram pressão para fechar todos os resorts de ski na União Europeia em novembro — só que a Suíça não faz parte da UE.

O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, já veio alertar que a situação pode rapidamente tornar-se “incontrolável”. Também Organização Mundial da Saúde advertiu, num comunicado emitido no mês passado que “fazer ski não propaga o novo coronavírus, mas os agitados resorts de montanha sim”.