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Eduardo Barroco de Melo, deputado do PS eleito pelo círculo eleitoral do Porto, defendeu esta terça-feira, na sua conta pessoal do Twitter, a inclusão dos deputados nos grupos prioritários da vacinação contra a Covid-19. E criticou mesmo aqueles que “se acham dispensáveis” e que já rejeitaram a administração do imunizante.

No meio de uma pandemia e com um estado de emergência em vigor, constata-se que há deputados que se acham dispensáveis, menorizando o seu trabalho de fiscalização. Quando a República não tem respeito por si própria, não podemos esperar que sejam os outros a salvá-la”, escreveu Eduardo Barroco de Melo no Twitter.

O deputado socialista de 32 anos enfatiza que a “desvalorização que os titulares de cargos políticos fazem de si próprios” também pode ser interpretado como um “ataque à democracia”, dado que “num sistema democrático é fundamental proteger as instituições e os seus representantes”.

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Recusa ainda que esta atitude seja um “exercício de altivez”. Em vez disso, considera que a “preservação do regime democrático é mais relevante do que um homem só e certamente mais do que palmas instantâneas”.

As declarações de Eduardo Barroco de Melo geraram uma onda de comentários e de reações nas redes sociais. Horas depois, decidiu esclarecer o seu ponto de vista. Diz que “só alguns” deputados serão vacinados, “consoante critérios definidos”, e rejeita a ideia de que a vacina seja retirada a “idosos ou grupos de risco” para ser alocada aos deputados. “Esses já estão previstos em lote próprio no plano de vacinação”, explica.

Quanto aos deputados que rejeitaram ser vacinados, Eduardo Barroco de Melo diz que “cada está no direito” de não tomar o imunizante, mas salienta que “não é aceitável que a razão seja dizer-se que a Assembleia da República como órgão de soberania é irrelevante. Não há pandemia que se ultrapasse sem os vários órgãos em funcionamento”.

E justifica a importância da Assembleia, lembrando que “quem acompanhou minimamente o seu trabalho no último ano percebe que muitas soluções para a pandemia foram aí [Assembleia da República] construídas, também através dos milhares de solicitações e sugestões de cidadãos e organizações”.