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A vitória de Marchesín, como Quintana (a crónica do Marítimo-FC Porto)

Marítimo quis segurar um ponto, arriscou-se a levar três mas Marchesín honrou Alfredo Quintana como se fosse um guarda-redes de andebol antes de Francisco Conceição voltar a decidir um jogo (1-2).

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Marchesín bateu o recorde de defesas num jogo da Liga pelo FC Porto, sendo que esta, a sexta e última, evitou o 2-1 do Marítimo a seis minutos do final

Helder Santos

Marchesín bateu o recorde de defesas num jogo da Liga pelo FC Porto, sendo que esta, a sexta e última, evitou o 2-1 do Marítimo a seis minutos do final

Helder Santos

O jogo do FC Porto na Madeira com o Marítimo começou na receção do FC Porto à Juventus. E começou também no jogo em casa com o Boavista. E começou ainda nas partidas fora em Braga e no Jamor com o Belenenses SAD. Tudo porque um jogo pode ser o reflexo de uma época mas uma época reflete sempre cada um dos jogos.

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“Foi um jogo sólido da nossa parte contra esta Juventus. Agora temos de perceber duas coisas fundamentais: isto ainda não acabou, a eliminatória está a meio; o porquê de não jogarmos sempre com este tipo de atitude e com este tipo de mentalidade”, questionou Sérgio Conceição após a vitória frente ao campeão italiano na primeira mão dos oitavos da Champions. “Uma equipa que quer estar em todas frentes, uma equipa que tem a história e faz parte de um clube como o FC Porto não pode em qualquer momento ou dependendo do jogo, do adversário ou de uma individualidade mudar o comportamento. O comportamento tem de ser sempre no máximo, no limite. É esse trabalho também que por vezes é difícil para os treinadores: manter esta gente toda em red line“, completou.

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E o histórico, aquele registo que fazia da deslocação aos Barreiros um dos encontros mais complicados da época para o FC Porto numa tendência invertida com Sérgio Conceição, ainda valeria alguma coisa? “Acham que o Evanilson, o Taremi, o Francisco, o Felipe Anderson, sei lá… Acham que eles vão pesquisar os resultados da Madeira há cinco ou dez anos? Isso não cabe na cabeça de ninguém. São estatísticas. Cada jogo tem a sua vida, a sua história. Não faz sentido. Eu não ligo a nada a isso e penso que jogadores depois do treino agarram-se é ao Fortnite e Playstation e não sei quê… O Pepe ou Sérgio Oliveira, que têm ligação diferente ao clube, poderão saber, mas os outros nem vale a pena… Não faz parte da preparação do jogo”, atirou. Mas seria mesmo assim?

Como se percebeu na zona de entrevistas rápidas, sabiam. Pelo menos estavam alertados, como se viu no discurso de Uribe. E foi preciso um FC Porto com toda a alma e coração para resgatar uma vitória nos descontos, numa grande penalidade ganha mais uma vez por Francisco Conceição, que entrou para “decidir” antes de Otávio marcar o castigo máximo. Os dois saíram do banco para darem outro prémio a Uribe, que foi gigante no meio-campo, e Marchesín, o MVP com intervenções providenciais no segundo tempo, sobretudo uma numa recarga de Leo Andrade após bola no poste de Zainadine onde mais parecia um guarda-redes de andebol. Num dia marcado pela paragem cardiorrespiratória de Alfredo Quintana, que abalou e muito o universo azul e branco, essa foi a melhor homenagem possível ao número 1 do FC Porto e da Seleção num momento tão difícil como este.

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Ficha de jogo

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Marítimo-FC Porto, 1-2

20.ª jornada da Primeira Liga

Estádio do Marítimo, no Funchal

Árbitro: Vítor Ferreira (AF Braga)

Marítimo: Amir; René Santos, Zainadine, Léo Andrade; Cláudio Winck, Jean Irmer, Pelágio (Bambock, 85′), Marcelo Hermes; Edgar Costa (Rúben Macedo, 65′), Correa (Tamuzo, 74′) e Joel Tagueu (Alipour, 74′)

Suplentes não utilizados: Caio Secco, Antreas Karo, Tim Soderstrom, Rafik Guitane e Sassá

Treinador: Milton Mendes

FC Porto: Marchesín; Manafá, Mbemba, Pepe, Zaidu; Sérgio Oliveira (Otávio, 65′), Uribe; Corona (Grujic, 90+4′), Luis Díaz (Toni Martínez, 80′); Marega (Francisco Conceição, 65′) e Taremi

Suplentes não utilizados: Diogo Costa, Sarr, Nanu, Felipe Anderson e Evanilson

Treinador: Sérgio Conceição

Golos: Uribe (14′), Léo Andrade (18′) e Otávio (90+3′, g.p.)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Marcelo Hermes (32′), Wilson Manafá (32′), Joel Tagueu (69′), Pelágio (70′), Marchesín (82′), Amir (86′), Jean Irmer (86′) e René Santos (90+3′)

Olhando para a equipa que iniciou a partida frente à Juventus, Sérgio Conceição decidiu manter todos os eleitos com uma só exceção por motivos físicos, começando com Otávio no banco por uma questão de precaução e tendo Luis Díaz na ala esquerda a definir melhor o 4x4x2 dos azuis e brancos. Ao invés, Milton Mendes, que tem nesta fase o lugar no comando do Marítimo em risco depois de ter substituído Lito Vidigal, promoveu uma autêntica revolução entre as opções iniciais, trocando um total de sete jogadores no já enraizado 3x4x3 ou 5x4x1 sem bola. Até em termos de atitude houve um conjunto insular melhor, mais guerreiro e mais intenso, mas seria o FC Porto a conseguir agarrar no jogo, não tanto pela inspiração ofensivas mas pela boa reação à perda que foi valendo várias recuperações no meio-campo contrário. Ainda assim, e nos dez minutos iniciais, o único lance de algum perigo foi na área dos azuis e brancos, tendo nascido de um lançamento lateral de Pelágio (10′).

A bola parada iria ser uma arma a explorar. Da parte do Marítimo, esse sinal ficou logo dado no terceiro minuto, quando uma falta pouco à frente da linha do meio-campo fez com que os três centrais subissem à área contrária; do lado do FC Porto, e já depois de um canto sem resultados, surgiu o primeiro golo: livre lateral batido na esquerda com combinação entre Zaidu e Sérgio Oliveira, cruzamento largo ao segundo poste em busca de Mbemba, pontapé na insistência de Corona e Uribe, assistido por Taremi, a rematar sem hipóteses para Amir (14′). Os azuis e brancos voltavam a marcar cedo como nos últimos jogos mas com uma diferença: não tiveram tempo sequer para gerir e aproveitar esse avanço, com o empate a surgir apenas três minutos depois no seguimento de um canto de Edgar Costa para remate (falhado) de Joel Tagueu na área e Leo Pereira a fazer o desvio ao segundo poste.

Voltava tudo à estaca zero e num jogo que entretanto se tinha tornado mais quezilento e com entradas “a pedir” o início da amostragem de amarelos. Aconteceu num lance entre Marcelo Hermes e Wilson Manafá, não aconteceu mais tarde num derrube do lateral brasileiro dos insulares a Corona, também não aconteceu numa entrada sem necessidade de Joel Tagueu sobre Pepe que deixou o internacional português furioso mostrando a marca e o sangue que tinham ficado na zona do tornozelo. Os protestos não foram a melhor solução para os dragões poderem baixar a ansiedade nas abordagens ao último terço, sendo que até ao intervalo, que chegaria na mesma com o empate, houve apenas uma oportunidade soberana em dois momentos para o golo dos visitantes, com Amir a fazer uma grande defesa a cabeceamento de Zaidu e a travar também a recarga do compatriota Taremi (34′).

Milton Mendes não mexeu ao intervalo, Sérgio Conceição não mexeu ao intervalo, o jogo mexeu ao intervalo. Mais até do que tinha acontecido na primeira parte, por decisão própria e pressão dos portistas, o Marítimo mostrou-se cada vez mais confortável sem bola, dando a iniciativa por completo ao FC Porto, mas até conseguiu rematar mais do que os visitantes, incluindo duas tentativas de meia distância de Joel Tagueu (48′) e Correa (60′) para defesas apertadas de Marchesín contra uma boa jogada entre Corona e Luis Díaz que teve o colombiano a fazer aquele movimento típico na diagonal da esquerda para o meio para remate em jeito desviado por Amir (52′). Era do banco que poderia sair o crédito para outro resultado, tendo em conta o encaixe tático que se ia acentuando.

Com a defesa do Marítimo cada vez mais baixa e sem espaço para explorar a profundidade, Sérgio Conceição quis mexer com essa abordagem e lançou Otávio e Francisco Conceição nos lugares de Sérgio Oliveira e Marega, em busca de maior critério na zona de construção tendo em conta também a ineficácia insular nas saídas a partir dos 60 minutos e a necessidade de ter mais mobilidade e exploração dos espaços entre linhas para poder desmanchar o muro defensivos dos insulares. Problema? Essa ideia, que se percebia na teoria, não teve efeitos práticos com a celeridade desejada à exceção de um remate à entrada da área de Corona para Amir (67′).

O ataque final do FC Porto à vitória teria de concentrar mais forças na área, com Luis Díaz a dar lugar a Toni Martínez e Corona a passar para o lado esquerdo. Com as linhas médias mais subidas, os dragões deram tudo para ganhar e arriscaram-se a perder, com Alipour a surgir numa cavalgada isolado pela direita a rematar para grande defesa de Marchesín e, na sequência do canto, Zainadine a acertar de cabeça no poste antes de nova intervenção de puro instinto do guarda-redes argentino a evitar a recarga de Leo Andrade. Em vez de um ponto, podia não ser de nenhum. Em vez de um ponto, foram mesmo três: Francisco Conceição voltou a ser determinante ao sofrer uma falta de Rúben Macedo na área e Otávio, no terceiro minuto de descontos, deu a vitória aos campeões, que quebraram desta forma antes do clássico uma série de três empates consecutivos em jogos do Campeonato.

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