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A chama de Otávio e a faísca de Matheus numa noite que não teve fogo de artifício (a crónica do FC Porto-Sporting)

Otávio foi o grande inconformado do FC Porto, Matheus tentou voltar a ser o herói do Sporting. No fim, nenhum conseguiu acender uma noite de Clássico que acabou sem golos e sem fogo de artifício.

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O médio brasileiro dos dragões foi muito importante para os desequilíbrios na zona do meio-campo

Getty Images

O médio brasileiro dos dragões foi muito importante para os desequilíbrios na zona do meio-campo

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Tudo começou no Dragão. Há pouco mais de um ano, no início de fevereiro de 2020, o Benfica visitou o FC Porto quando tinha sete pontos de vantagem na liderança da Liga. A equipa de Sérgio Conceição, com golos de Sérgio Oliveira, Alex Telles e um na própria baliza de Rúben Dias, venceu a de Bruno Lage, que viu Carlos Vinícius marcar por duas vezes. Nessa noite, o FC Porto encurtou para quatro os pontos de desvantagem para o Benfica. E começou aí uma recuperação que terminou na retoma, depois da interrupção das competições provocada pela pandemia, com a conquista do Campeonato.

Este sábado, novamente no Dragão, era principalmente esta memória que o FC Porto queria invocar. Novamente em fevereiro, os dragões recebiam o líder da classificação e tinham a oportunidade de encurtar a desvantagem numa altura crucial da temporada. Um ano volvido, porém, a vantagem era agora de 10 pontos. E, também um ano volvido, o líder da classificação era um Sporting que não é campeão nacional há quase 19 anos. E finalmente, volvido um ano, o líder da classificação chegava ao Dragão depois de já ter vencido o FC Porto na Taça da Liga e ainda sem qualquer derrota no Campeonato.

Ficha de jogo

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FC Porto-Sporting, 0-0

21.ª jornada da Primeira Liga

Estádio do Dragão, no Porto

Árbitro: João Pinheiro (AF Braga)

FC Porto: Marchesín, Wilson Manafá, Pepe, Mbemba, Zaidu (Luis Díaz, 78′), Uribe, Sérgio Oliveira (Francisco Conceição, 78′), Corona, Otávio, Marega (Evanilson, 72′), Taremi

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Suplentes não utilizados: Diogo Costa, Nanu, Sarr, Grujic, Fábio Vieira, Toni Martínez

Treinador: Sérgio Conceição

Sporting: Adán, Gonçalo Inácio, Coates, Feddal, Pedro Porro, João Palhinha, João Mário (Jovane, 86′), Nuno Mendes (Matheus Reis, 86′), Pedro Gonçalves, Nuno Santos (Matheus Nunes, 64′), Tiago Tomás (Bruno Tabata, 70′)

Suplentes não utilizados: Luís Maximiano, João Pereira, Luís Neto, Antunes, Daniel Bragança

Treinador: Rúben Amorim

Golos: nada a registar

Ação disciplinar: cartão amarelo a Nuno Mendes (27′), a Feddal (55′), a Pepe (55′)

Nada disto, porém, influenciava qualquer um dos treinadores. Se Sérgio Conceição explicou na antevisão que o Sporting é uma equipa “fácil de desmontar” mas “difícil de contrariar”, Rúben Amorim lembrou que o FC Porto “ainda não deitou a toalha ao chão”. Ambos, porém, com mais ou menos sorrisos pelo meio, acabaram por falar do mesmo assunto: gritos. Gritos que apareceram na conversa através do treinador dos dragões, que recordou algumas reações de jogadores dos leões para responder à polémica levantada pelo penálti marcado a favor do FC Porto, na Madeira, que valeu a vitória frente ao Marítimo já nos últimos instantes.

“Nós na meia-final contra o Sporting, na Taça da Liga, tivemos quatro faltas ofensivas porque os jogadores do Sporting caíram na área, gritaram e o árbitro marcou falta ao nosso avançado. Já que o Sporting está preocupado com os penáltis, nós também estamos preocupados com os gritos. Há um conjunto de situações que o futebol português pode debater para que se melhore. Não é olhar só para a polémica momentânea, isso é encher chouriços”, disse Conceição. Amorim, por seu lado, desvalorizou o assunto e apresentou uma teoria para os “gritos”. “A culpa é do Nuno Santos, porque ele grita muito alto. Não havendo público, a culpa é dele. Quando houver público ninguém vai ouvir os gritos. Toda a gente grita, toda a gente se levanta nos bancos. É normal, não há público e nota-se mais. O que espero é que seja um excelente jogo. Se não for, que o Sporting ganhe, isso é o mais importante”, explicou o treinador leonino.

Os dois, Conceição e Amorim, recusavam a ideia de que este fosse o jogo do título. Preferiam, tanto um como outro, outra palavra: este era um jogo “importante”. Um jogo importante que podia confirmar que o FC Porto ainda tem uma palavra a dizer no que toca ao título; ou um jogo importante que podia confirmar que o Sporting tem o título praticamente garantido. Dentro de campo, nos onzes iniciais, não existiam grandes surpresas — os dragões atuavam com a equipa habitual, com Zaidu na esquerda da defesa, Otávio no meio-campo e Luis Díaz no banco, e os leões apostavam em Tiago Tomás face à ausência confirmada de Paulinho, com Gonçalo Inácio a ser novamente titular no trio de centrais.

Num Clássico obviamente marcado pelo trágico desaparecimento de Alfredo Quintana, esta sexta-feira, o Topo Sul do Dragão assinalava a homenagem do clube ao luso-cubano: em todas as cadeiras, existia um cartaz onde se lia “Quintana”, acompanhado pelo número 1, que entretanto foi retirado pelo FC Porto de forma permanente na equipa de andebol. No exterior, junto ao pavilhão Dragão Arena, surgiram flores, cartazes e várias homenagens, como um mural e uma enorme tarja a dizer “Kingtana”. Na semana em que o FC Porto (e o desporto português) perdeu um enorme líder, o futebol mostrava que não existem barreiras entre modalidades: os jogadores dos dragões atuaram com uma braçadeira negra, mostraram uma enorme tarja que dizia “Eterno Alfredo Quintana” e foi cumprido um minuto de silêncio antes do apito inicial.

No dia em que Pepe se tornava o jogador mais velho da história do FC Porto a atuar num Clássico, apenas 24 horas depois de completar 38 anos, o Sporting começou ligeiramente melhor, com maior iniciativa e com a equipa muito inserida no meio-campo adversário. O ascendente dos leões durou pouco instantes, ainda assim, e depressa os dragões assumiram o papel que acabariam por desempenhar até ao intervalo: o de equipa com mais bola, com mais presença no último terço e com mais possibilidades de chegar à vantagem.

Marega assustou a defesa leonina logo nos primeiros minutos, quando Coates foi obrigado a realizar um corte sublime para evitar que o maliano ficasse isolado (4′), Tiago Tomás definiu muito mal quando poderia ter aproveitado um lance rápido de transição ofensiva (5′) e o FC Porto ficou a pedir grande penalidade de Nuno Mendes sobre Marega (6′), sendo que João Pinheiro nada assinalou. À passagem do primeiro quarto de hora, a partida só tinha dois remates e ambos muito ao lado da baliza: Corona atirou de um lado, Pedro Gonçalves disparou do outro. Num primeiro tempo muito amarrado e disputado no meio-campo, apesar dessa ligeira superioridade do FC Porto, o jogo foi interrompido diversas vezes por faltas pequenas, por discussões entre os jogadores e por críticas vindas dos bancos e acabou por arrastar-se sem grande ritmo nem intensidade.

A melhor (e única) oportunidade da primeira parte surgiu já perto da meia-hora, quando Wilson Manafá começou e terminou um lance em que recuperou a bola no meio-campo e foi receber já na grande área, onde atirou cruzado para a defesa de Adán (27′). Taremi também ficou perto de abrir o marcador, com um remate por cima que ainda desviou num defesa adversário e quase enganou o guarda-redes do Sporting (34′), mas o Clássico acabou mesmo por chegar ao intervalo sem golos.

O FC Porto tinha o mérito de estar a conseguir anular por completo o jogo que os leões costumam desenvolver pelos corredores, através de Nuno Mendes e Pedro Porro, e era a única equipa que conseguia desenhar jogadas e chegar com a bola controlada à área adversária. Do outro lado, o Sporting não estava a conseguir sair a jogar como normalmente faz, a partir dos centrais, e via-se muito preso no próprio meio-campo, sem capacidade para desequilibrar ou surpreender os dragões. Ainda assim, algo era certo: a primeira parte do Clássico deste sábado teve pouca qualidade, pouco ritmo e pouca entrega. Se o Sporting parecia querer arriscar pouco e garantir sobretudo que não perdia no Dragão, o FC Porto não estava a arriscar o suficiente para quem precisava de ganhar para não atirar a toalha ao chão.

[Carregue nas imagens para ver alguns dos melhores momentos do FC Porto-Sporting:]

A segunda parte começou tal como tinha terminado a primeira: lenta, sem espaços, com o jogo muito amarrado na zona do meio-campo mas, ainda assim, com o FC Porto a ser mais perigoso. Zaidu ficou perto de abrir o marcador com um remate cruzado que passou ao lado, na esquerda (48′), e Marega atirou por cima depois de ganhar a Feddal no duelo dentro da grande área (51′). Nenhum dos treinadores mexeu ao intervalo e existia a ideia de que, apesar de os dragões estarem consistentemente melhor, o golo poderia cair para qualquer um dos lados.

Taremi desperdiçou a melhor oportunidade do jogo até então, ao falhar o remate na cara de Adán depois de um grande passe de primeira de Corona (58′), e o Sporting mantinha-se praticamente inofensivo. A equipa de Rúben Amorim não tinha a capacidade de ligar os setores, não conseguia construir a partir da linha defensiva porque o FC Porto não concedia qualquer espaço e fazia tudo de forma muito lenta, o que permitia ao adversário intercetar muitos passes e ganhar quase todas as bolas divididas. O conjunto de Sérgio Conceição colocava Pepe e Mbemba na zona do meio-campo, quando estava a atacar, e avançava pelos corredores centrais mas sempre com o apoio dos laterais nas alas — Otávio era o principal desequilibrador, ao aparecer entre linhas e tombado na esquerda, mas falhava quase sempre o último passe ou a finalização para chegar ao golo.

Rúben Amorim mexeu pela primeira vez a cerca de 25 minutos do fim, ao trocar Nuno Santos por Matheus Nunes, e fez a segunda substituição instantes depois, com Tabata a entrar para o lugar de Tiago Tomás. Sérgio Conceição respondeu ao lançar Evanilson para a saída de Marega e Matheus, no minuto seguinte, protagonizou a melhor ocasião que o Sporting conseguiu criar. O jovem médio apareceu em grande velocidade na direita, deixou Otávio e Zaidu para trás com a larga passada e acabou por atirar por cima, com um pontapé cruzado, já no interior da grande área (73′). Taremi voltou a falhar, com um remate por cima depois de uma boa assistência de Manafá (76′), e o relógio continuava a girar sem que o marcador fosse alterado.

O jogo partiu ligeiramente no último quarto de hora e Conceição respondeu ao lançar duas setas apontadas à baliza de Adán, Luis Díaz e Francisco Conceição, colocando Manafá na esquerda da defesa e Corona a recuar para lateral direito. Nesta altura, nenhuma das equipas conseguia reter a bola durante muito tempo e o Sporting causava perigo principalmente através de Matheus Nunes, que entrou muito bem na partida e tornou-se o primeiro elemento leonino a causar problemas junto da área de Marchesín. Até ao fim, Amorim ainda colocou Jovane e Matheus Reis mas já ninguém conseguiu evitar o segundo empate em três jogos entre as duas equipas esta temporada.

O FC Porto não conseguiu encurtar a desvantagem para a liderança, pode ficar sem o segundo lugar se o Sp. Braga vencer o Nacional este domingo e perdeu a grande oportunidade que tinha para alavancar uma reviravolta na classificação. Já o Sporting ultrapassou mais um dos desafios que terá ao final da temporada, manteve a distância para o principal perseguidor (apesar de ir, provavelmente, perder pontos para o Sp. Braga e para o Benfica) e deu mais um passo rumo à conquista do título. Otávio, de forma consistente e ao longo dos 90 minutos, foi um dos principais inconformados; Matheus Nunes, a partir do momento em que entrou, foi o jogador leonino que mais quis chegar à vitória: nenhum, porém, conseguiu acender uma noite que estava destinada a terminar sem fogo de artifício.

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