A partir desta quinta-feira, a Uber Eats tem um serviço que vai permitir aos restaurantes uma ligação direta entre os seus próprios canais online e toda a plataforma logística e tecnológica da Uber para a entrega ao domicílio ou take-away, com uma taxa de serviço mais acessível do que a habitualmente praticada: 10%. O “Pedidos Online” faz parte do plano da empresa para apoiar o setor da restauração face aos constrangimentos provocados pela pandemia de Covid-19.

Através deste novo serviço, explica a Uber em comunicado, os restaurantes poderão receber os pedidos de entrega e de recolha através do seu site, mas podem depois utilizar “toda a tecnologia, rede de parceiros de entrega, o serviço de pagamentos e suporte ao cliente da Uber Eats“. Durante o período de confinamento, o serviço tem uma taxa de 10%, uma redução face à taxa de serviço base do serviço completo da Uber Eats para restaurantes.

“Após ouvir as preocupações e opiniões dos restaurantes parceiros, o Uber Eats lança este serviço para oferecer uma alternativa aos restaurantes que melhor responda às suas necessidades no momento atual e que lhes permita começar a preparar o regresso à normalidade”, refere a Uber em comunicado, salientando que o serviço está disponível para todos os restaurantes e comerciantes e para os mais de 6.000 que já estão disponíveis na plataforma em todo o país.

Desde o início da pandemia que estamos atentos ao que os restaurantes e comerciantes parceiros e potenciais parceiros precisam. Ouvimos as suas preocupações e feedback sobre a experiência do delivery [entrega] todos os dias e, percebendo a necessidade de oferecer alternativas mais acessíveis, que permitam aos nossos parceiros aumentar os canais de vendas aos seus clientes, desenvolvemos este serviço para os apoiar neste período de crise”, sublinha Diogo Aires Conceição, diretor-geral da Uber Eats em Portugal.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Do lado da restauração, Rui Pereira, proprietário do Café Santiago, considera que a nova funcionalidade “será importante”, para aumentar a procura e, consequentemente, as vendas. “Por outro lado, permite fundir a procura dos nosso artigos tanto por parte dos utilizadores Uber Eats como dos clientes Café Santiago, gerando um processo ordenado de execução dos pedidos, bem assim como uma rápida distribuição pelos inúmeros estafetas agregados ao Uber Eats”, acrescenta.

A solução “Pedidos Online” permite que o restaurante aceite e gira os pedidos que recebe com as ferramentas da Uber Eats que já utiliza; pode ainda criar (na plataforma de gestão que já usa) uma página própria de pedidos online; pode adicionar essa página ao seu site e redes sociais; e pode ainda aceder, em tempo real, aos dados de desempenho e opiniões na plataforma gestor de restaurantes Uber Eats.

Durante a pandemia, a Uber Eats recebeu várias críticas pelas taxas que pratica — que podiam oscilar entre os 15% e os 30%. A Deco Proteste chegou mesmo a dizer que havia um “abuso de poder de mercado” por parte das plataformas de entrega de refeições e expôs a situação à Autoridade da Concorrência. Fernando Medina também teceu várias críticas às comissões praticadas pela empresa e apresentou uma queixa junto do mesmo regulador. Ao Observador, disse que a Câmara Municipal de Lisboa ia lançar uma app alternativa, sem custos para os restaurantes.

Medina abre guerra com a UberEats e promete alternativa sem custos para restaurantes

Na sequência destas críticas e queixas, uma das regras definidas pelo Governo para este confinamento, recorde-se, é que as taxas e comissões que as plataformas de entregas de refeições ao domicílio cobram aos operadores económicos pelo serviço não podem exceder os 20%.