Seguindo a tendência das últimas sexta-feiras do confinamento, a 5 de março registou-se um aumento na mobilidade dos portugueses, tendo sido o dia mais movimentado desde o início do atual confinamento. A afirmação decorre de um estudo divulgado pela consultora PSE. Contudo, a entidade afirma que “a população portuguesa cumpre, na generalidade, as indicações governamentais sobre mobilidade”.

Num comunicado enviado às redações, esta consultora de dados afirma que “na sexta 5 de Março, tivemos uma mobilidade apenas 17 pontos [percentuais] inferior” à mobilidade pré-pandemia. Ou seja, a mobilidade média registada por esta entidade valor nas semanas de 1 a 11 de 2020 (1 de janeiro a 14 de março
de 2020).

Portugueses têm vindo a desconfinar há três semanas — especialmente os homens e as classes mais baixas

De acordo com os dados divulgados, mais 35% dos portugueses ficaram confinados no período análogo no primeiro confinamento de 2020. “Sinal claro de que o segundo lockdown está em erosão é o aumento da frequência de vezes com que saímos de casa, em cada semana. Se na semana 4 e 5 apenas 12% das pessoas saiam de casa em 6 ou 7 dias, esse valor aumentou para 20% na semana 8″, explica a PSE.

Portugueses cumprem menos confinamento atual do que o de março/abril de 2020

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De acordo com os mesmos dados, além de se registar um aumento da mobilidade, as distâncias percorridas também foram maiores. Este dado decorre de “na passada sexta-feira, quase 40% da população” ter tido destinos de mobilidade superiores a 10 km.

A PSE chegou a estas conclusões a partir de uma aplicação instalada nos smartphones de 3.670 pessoas que deram autorização para que os seus dados de localização e deslocação fossem recolhidos de forma contínua. Estas pessoas têm mais de 15 anos e residem nas regiões do Grande Porto, Grande Lisboa, Litoral Norte, Litoral Centro e distrito de Faro — uma amostra representativa do universo em estudo, garante a PSE.

O estudo começou a ser realizado em 2019, ainda antes de haver qualquer suspeita de um novo coronavírus — o objetivo era apenas “auxiliar as câmaras municipais no ordenamento do território e na gestão de mobilidade e transportes” e “outras empresas e entidades em estudos comportamentais”. Mas agora permite analisar os movimentos dos portugueses durante a pandemia.