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É oficial e definitivo: a Comissão Política Nacional do PSD homologou perto da meia-noite e meia desta quarta-feira o nome de Suzana Garcia como candidata do PSD à câmara municipal da Amadora, confirmou o Observador. Rui Rio não se alongou em justificações, mas, sabe o Observador, tentou desvalorizar as críticas e disse que a escolha da advogada deu uma polémica injustificada nos media. Já a decisão sobre o apoio do PSD a Isaltino Morais em Oeiras, que se esperava que pudesse ser aprovado esta quarta-feira, foi adiada.

Suzana Garcia e outros candidatos do PSD às autárquicas (Álvaro Madureira, em Leiria, é um desses casos) vão ser apresentados esta quarta-feira pelo secretário-geral José Silvano, às 16h30. Desta vez, Rui Rio não estará presente. Depois de alguma hesitação da direção do PSD na última semana — por a candidata ter posições polémicas, como a defesa da castração química — o nome foi ao final da noite desta terça-feira aprovado em reunião da distrital, numa posição secundada horas depois por Rui Rio, que deu o aval final ao nome.

Na reunião da Comissão Permanente de 29 de março, como escreveu o Observador, a escolha dividiu a cúpula do partido, que decidiu adiar a decisão. A candidata defendeu-se publicamente através de um artigo de opinião publicado no Observador, com o título Eu, a Amadora e o PSD. Nesse texto, a advogada tenta responder àquelas que foram as maiores dúvidas suscitadas pelos anti-corpos que tinha na direção do PSD.

Sobre a ligação ao Chega, Suzana Garcia assume-se como “simpatizante do PSD” e garante: “Sempre votei no PSD. E assumo com orgulho a minha condição de eleitora deste partido, essencial à democracia portuguesa.” A advogada diz que nunca esteve “próxima do partido Chega” nem tem “qualquer ligação ao partido”, embora tenha confirmado que  foi abordada para ser candidata autárquica por aquele partido “tendo rejeitado sempre esses convites.” Sobre o racismo, numa frase que André Ventura também costuma repetir, Suzana Garcia diz que “Portugal não é um país racista, apesar de existirem, infelizmente, portugueses racistas”.

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Relativamente à castração química, Suzana Garcia começa por dizer que este “não é, nem poderá ser, um tema destas eleições autárquicas”, uma vez que não é “candidata a legisladora”. No entanto defende que “a terapia medicamentosa de controlo da líbido para reincidentes comitentes de crimes de abuso sexual de crianças, e de abuso sexual de menores dependentes (pedófilos), não é incompatível com a Constituição.” Além disso, lmebra que esta medida está prevista em “legislações de países tão dispares como o Reino Unido, a Dinamarca, Republica Checa, Canadá, diversos Estados Norte Americanos, Israel, Rússia, Estónia, Nova Zelândia, Coreia do Sul, Polónia e muitos outros, não se vislumbra o fundamento para acusá-la de ser um retrocesso civilizacional”.

Isaltino vai ter de esperar

A situação de Oeiras não foi decidida na madrugada desta quarta-feira. Ao contrário da expectativa ao início da noite, a homologação final do nome de Isaltino Morais borregou na reunião da Comissão Política Nacional. Em Oeiras parece estar tudo alinhado para que o candidato seja Isaltino Morais. O caminho final para esse apoio começou a ser feito em fevereiro quando a concelhia do PSD/Oeiras aprovou um perfil de candidato que era um fato feito à medida do atual presidente da autarquia.

Isaltino mais próximo de ser candidato pelo PSD. Concelhia aprova perfil que encaixa no atual presidente

Depois disso, Isaltino Morais e Rui Rio conversaram e ficou decidido que o primeiro nunca iria nas listas do PSD, mas sempre como independente. A dúvida seria se o PSD ia apoiar essa candidatura, não apresentar candidato e integrar figuras suas na lista de vereadores de Isaltino Morais. O caminho foi sendo feito nas últimas semanas no sentido de acontecer isso mesmo, embora na direção do PSD existissem opiniões divergentes sobre a melhor opção a seguir.

PSD/Oeiras quer Isaltino. Rio disposto a respeitar decisão

O presidente do PSD/Oeiras, Armando Soares, escreveu até um artigo no Observador a defender essa opção. Só o título dizia tudo: “Isaltino“. Ao que o Observador apurou, até já terão negociados lugares na lista e Armando Soares até saberá já que lugar irá ocupar na vereação caso o acordo seja fechado. Falta a homologação da CPN.