A Assembleia Geral de acionistas da Groundforce decidiu afastar definitivamente o antigo CEO da empresa, Paulo Leite, que já tinha sido substituído em abril mas mantendo um lugar na administração. A votação aconteceu esta segunda-feira e a destituição por “justa causa” foi aprovada por unanimidade, com os acionistas a justificarem a decisão com “sucessivos atos de gestão que lesaram a empresa” e que podem até vir a constituir crime por “gestão danosa”, garantem.

O comunicado, em tom duro, argumenta que Paulo Leite teve uma atuação “pautada por jogadas e intrigas políticas”, que incluiu “omissão de informação, mentiras” e até “manobras pérfidas” para “desestabilizar a empresa” e prejudicar a imagem da empresa, incluindo “notícias alimentadas pelo próprio e nunca desmentidas”, que terão contribuído para uma má relação entre os acionistas. Tudo quando devia ter dedicado o seu “foco total” à gestão do dossiê do empréstimo bancário com aval do Estado, “de que a empresa dependia para sobreviver”, recordam os acionistas.

A conclusão dos acionistas é que este conjunto de ações deve ser objeto de uma “rigorosa auditoria legal” — que já está a decorrer — e é nesse contexto que o Conselho de Administração da Pasogal, que tem 50,1% das ações da Groundforce, adianta “não afastar a hipótese de o vir a responsabilizar criminalmente por gestão danosa, designadamente pela utilização e divulgação a terceiros de informação sigilosa da empresa e dos seus acionistas, obtida no âmbito das suas funções de administrador”.

O comunicado termina garantindo que “a conduta desleal e irresponsável do Eng. Paulo Leite” terá mesmo colocado em risco “todo o trabalho que foi desenvolvido na empresa desde a sua reprivatização, em 2012, e destruiu muito do valor criado pelos trabalhadores e diretores da empresa”.

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Paulo Leite já tinha, em abril, sido substituído como CEO pelo presidente do conselho de Administração da empresa, Alfredo Casimiro, mantendo-se como administrador não executivo. A reunião desta segunda-feira, que reuniu os acionistas — Pasogal (50,1%), TAP (43,9%) e PGA (6%) — serviu para afastar definitivamente o antigo CEO.