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A história

“Cachorrinho, com aquele sabor picante”: esta é a promessa que fazem a todos os clientes que põem os olhos no menu do The Dog. O restaurante, nascido no Porto em 2017, desceu finalmente a Lisboa e trouxe a prensa, a carne, o pão, a salsicha e a linguiça frescas para fazer o brilharete pelo qual é conhecido: os cachorrinhos à moda do Porto e os pregos tenros, para sujar as mãos ao balcão ou na esplanada.

A história é simples e começa com dois amigos, Rui Mota e André Rodrigues, ambos ligados ao desporto, que queriam estender a amizade ao negócio. Sabiam bem o que queriam: um sítio despretensioso, com comida de conforto, serviço rápido e próximo do cliente. No fundo, criam criar aquilo a que gostam de chamar de “tasca moderna”, diz André. A ideia fermentou e ganhou forma em 2017 quando abriram o primeiro espaço na Boavista, no Porto, e a partir daí a ideia de expandir o The Dog para outras cidades nunca lhes abandonou o pensamento.

Não vale a pena pedir uma imperial, no The Dog respondem ao pedido de “um fino” ©Filipe Amorim/OBSERVADOR

Lisboa acabou por ser a cidade escolhida, também muito à conta de Rui que já tinha andado por estas bandas quando o desporto de alta competição era a sua ocupação principal. Qualquer um que entre pelo número 25B da Avenida Marquês de Tomar sabe que entra como se fosse um cliente habitual, como aqueles que já fizeram da casa nortenha a sua segunda casa. “Entrares num sítio e seres recebido como um cliente da casa dá-te outro prazer. Não temos peneiras, nem queremos, não fazemos questão de estar em nenhum pedestal, só queremos fazer o trabalho pelo qual já somos conhecidos no Porto e por muita gente que nos visita lá, mas agora noutra cidade”, explica André.

Parece simples trazer do Porto um conceito onde as estrelas são pregos e cachorrinhos, tudo metido dentro do pão e pronto a servir. Mas não é. A dupla admite que a ideia é que o cliente seja transportado para o restaurante portuense assim que der a primeira trinca. “Quero que me digam que não há diferença entre comer um cachorrinho aqui e no The Dog do Porto, é esse o nosso objetivo”, diz André. “Temos um nível de qualidade pelo qual somos conhecidos, há uma expectativa de quem já nos conhece e que nos visita aqui em Lisboa que tem de ser cumprida. Comer aqui ou no Porto tem de saber ao mesmo”.

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A baguete estaladiça e bem prensada, pincelada com um molho que ajuda ao travo picante do cachorrinho, guarda a linguiça e a salsicha frescas lá dentro, envoltas em queijo derretido — é servida depois cortada em pequenos pedaços para comer sozinho ou partilhar.

Quanto à inegável comparação com os míticos cachorrinhos da Cervejaria Gazela, não têm problemas com isso porque “há espaço para todos”. A verdade é que não há competição entre os dois — os pais de Rui vivem a meia dúzia de passos do Gazela e a sua infância foi a comer cachorrinhos nesta casa da Batalha. “Há uma forte analogia sobre a qualidade do produto que é muito bom em ambos os locais, mas não nos vemos como concorrência”, refere André. “Nós temos um cachorrinho apenas e depois apostamos nos pregos com outras combinações”.

O espaço

O espaço é semelhante ao do Porto, “aqui já com alguns equipamentos mais modernos” que, em cinco anos de diferença em relação à abertura do primeiro restaurante, obrigaram André e Rui a modernizar-se.

O balcão senta 19 clientes e há ainda mesas altas no interior da sala, além da esplanada com cerca de duas dezenas de lugares ©Filipe Amorim/OBSERVADOR

Logo à entrada há um longo balcão com 19 lugares sentados, de onde é possível observar a preparação de tudo o que vem parar ao prato — do pão torrado à linguiça assada.“Tanto eu como o Rui comíamos imensas vezes sozinhos, quase sempre ao balcão, sempre foi um ato muito presente no nosso dia a dia. Achamos que se perdeu um bocadinho a cultura de comer ao balcão, que nós achamos maravilhosa”, diz. “O balcão é uma escapatória para quem está sozinho ou para quem tem mais pressa, não queríamos nada abdicar disso até porque faz todo o sentido para o tipo de comida que servimos aqui”.

Também a relação que se cria com o cliente é diferente, admite André, que quer uma equipa que cultive essa proximidade. Sentada ao balcão, a clientela fica de frente para os dois televisores do espaço, que vai intercalando a transmissão entre notícias e desporto, como assim deve ser. “Acho que vamos ter aqui também pessoal que quer vir ver os jogos, é um bom sítio para ir acompanhando e petiscando as coisas da carta. No Porto acontece já muito isso”, nota André.

A esplanada é parcialmente coberta, tendo uma pérgola que permite cobertura total no inverno ©Filipe Amorim/OBSERVADOR

Há ainda meia dúzia de mesas altas com apenas dois lugares cada uma, para aproveitar o restante espaço do largo corredor de passagem do The Dog. Ao fundo há portas envidraçadas que deixam ver o terraço do The Dog. Lá fora, vive uma esplanada com cerca de duas dezenas de lugares, com os devidos distanciamentos, com toldos para uma cobertura parcial que protege de ventanias.

“Para nós é uma vantagem podermos ter uma esplanada num espaço em Lisboa, sabemos que não é fácil, ainda para mais não é no meio da rua, por isso as pessoas podem estar à vontade sem barulho nem buzinadelas, porque estamos no centro da cidade”, repara André. A pérgola pode ser fechada na totalidade e permite que no inverno continuem a ter uma esplanada totalmente coberta.

A comida

Depois de escolher entre um lugar na esplanada, nas mesas altas ou ao balcão, é hora de olhar para o individual que lhe põem à frente, daqueles onde pode deixar gordura e migalhas com fartura. É nele que se lê a ementa curta do espaço e que anuncia desde logo o famoso cachorrinho, pela módica quantia de 3,60 euros.

O cachorrinho, com a baguete crocante, salsicha e linguiça frescas e queijo derretido é a especialidade da casa ©FIlipe Amorim/OBSERVADOR

“É ótimo vermos o saudosismo da coisa, ouvirmos os clientes quando começam a comer a dizer que já tinham saudades dos cachorrinhos do Porto, porque acaba por ser daquelas coisas que numa visita lá acima é quase obrigatório comer”, diz André.

A leitura segue na vertical para a família dos pregos que podem ser no prato (9,80 euros), com batata frita caseira, ovo, queijo e fiambre, ou no pão. Dentro do papo seco entra a carne da vazia, na forma de prego simples (4,70 euros), com queijo e fiambre (4,90 euros), misto (5 euros), a especialidade The Dog (5,50 euros) com queijo brie, mel e compota de vinho do Porto, e ainda o prego à Hugo (6,80 euros), com queijo, fiambre, ovo e linguiça.

Na carta existem várias opções de pregos no pão, ideias para rematar a refeição depois de partilhar um cachorrinho ©Filipe Amorim/OBSERVADOR

A complementar o menu está também o pica-pau (10 euros), com linguiça e salsicha fresca, e duas sandes especiais: a de presunto (2,30 euros) e a Pó, com presunto e ovo estalado (3,20 euros). Para rematar a comezana há sempre uma sobremesa do dia.

Para não empapar com tanto pão, é possível que tenha de trocar o palavreado e em vez de imperial, pedir antes um fino, bem à moda lá de cima.

O que interessa saber

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Nome: The Dog
Abriu em: maio de 2020
Onde fica: Avenida Marquês de Tomar, 25B, Lisboa
O que é: uma tasca moderna onde a especialidade é o cachorrinho à moda do Porto
Quem manda: Rui Mota e André Rodrigues
Quanto custa: preço médio de 7 euros por pessoa (refeição)
Uma dica: pedir o cachorrinho para petiscar e dividir, para depois poder provar os pregos da casa
Contacto: 217 970 240
Horário: Segunda a sábado 12h às 22h30
Links importantes: site, instagram, facebook

“Cuidado, está quente” é uma rubrica do Observador onde se dão a conhecer novos (e renovados) restaurantes.